Seleção do Uzbequistão (IMAGO)
Seleção do Uzbequistão (IMAGO)

1. UTKIR YUSUPOV


Data de nascimento: 4 de janeiro de 1991

Clube: Navbakhor

Posição: Guarda-redes

Número 1

Yusupov nasceu na região de Turkistan, no Cazaquistão, e mudou-se com a família para Tashkent aos cinco anos. Iniciou o seu trajeto no futebol como médio, mas o guarda-redes da sua equipa cometia tantos erros que acabou por assumir a posição – e por lá ficou. Para sustentar a família, trabalhou também numa loja e vendeu pastelaria num mercado. «Não tinha dinheiro para comprar luvas. Comprava luvas de trolha no mercado e usava duas de cada vez», recordou. Em 2017, Yusupov obteve a cidadania uzbeque e estreou-se pela seleção nacional um ano mais tarde. «Estreei-me num amigável contra o Qatar. Nevou inesperadamente em outubro e fui para o campo com uma camisola de manga curta. Estive a congelar o jogo inteiro – mas não sofri nenhum golo», relembrou. Yusupov é atualmente o guarda-redes titular da seleção nacional, dono de reflexos excelentes, e é considerado um especialista a defender grandes penalidades, revelando uma invulgar destreza a ler as intenções dos adversários. Travou dois penáltis na fase de qualificação para o Mundial de 2026.

3. KHOJIAKBAR ALIJONOV


Data de nascimento: 19 de abril de 1997

Clube: Pakhtakor

Posição: Defesa

Alijonov foi levado pelos pais para os treinos de futebol logo aos seis anos. O seu pai também tinha jogado, mas nunca atingira o patamar de topo. Inicialmente, Alijonov treinou com rapazes três anos mais velhos. «Não havia escalões para a minha idade, por isso tive de treinar com os nascidos em 1994», recordou. Em 2005, com oito anos, ingressou na academia do Pakhtakor, clube onde se mantém há 21 anos consecutivos. Atualmente, detém o recorde da liga uzbeque de permanência contínua no mesmo emblema. Deu os primeiros passos nas escolas como avançado, razão pela qual adora a camisola número 7. Em 2017, estreou-se na equipa principal do Pakhtakor a lateral-esquerdo e, até à data, soma mais de 230 jogos, tendo conquistado o campeonato do Uzbequistão por cinco vezes, a taça nacional em três ocasiões e a Supertaça por duas vezes. Juntou-se à seleção nacional em 2019 e está no grupo há tempo suficiente para valorizar o significado desta qualificação para o Mundial. «Assim que o jogo contra os Emirados Árabes Unidos terminou, não consegui conter as lágrimas ali mesmo no relvado», confessou.

14. ELDOR SHOMURODOV


Data de nascimento: 29 de junho de 1995

Clube: Basaksehir

Posição: Avançado

Goleador recordista

Capitão e melhor marcador de sempre da história do Uzbequistão, sendo também o primeiro futebolista uzbeque a faturar na Serie A italiana, Shomurodov nasceu em 1995, no distrito de Jarkurgan, a região mais a sul do país. O seu pai, dois tios e o seu irmão mais velho foram todos jogadores de futebol. «Lembro-me de que tínhamos muitas vacas e ovelhas em casa», recordou Shomurodov. «Todos os meus amigos e primos adoravam futebol. Os pais diziam: 'Primeiro tratamos do gado, depois vamos para o estádio'». Começou a frequentar a escola de futebol local aos seis anos e, aos 12, mudou-se para uma distância de quase 300 quilómetros, rumo a Muborak, para integrar a academia do Mash’al. Quando Rivaldo chegou ao Bunyodkor, em 2008, o seu primeiro jogo no Uzbequistão foi disputado em Muborak contra o Mash’al – e Shomurodov foi o menino que entrou com ele em campo pela mão. «Foi incrível – um dos melhores jogadores do mundo levou-me para o relvado! Nunca esquecerei esse momento», afirmou. Shomurodov cresceu a apoiar o Chelsea, depois de ter recebido uma camisola de um tio aos sete anos. «Sempre sonhei conhecer o Fernando Torres e o Didier Drogba e conseguir os autógrafos deles», revelou.

2. ABDUKODIR KHUSANOV


Data de nascimento: 29 de fevereiro de 2004

Clube: Manchester City

Posição: Defesa

A Estrela

O primeiro jogador uzbeque da história a alinhar na Premier League inglesa e na Ligue 1 francesa. O pai de Khusanov, Hikmat Khoshimov, também jogou pela seleção nacional, como defesa-central. Aos 17 anos, Khusanov assinou pelos bielorrussos do Energetik-BGU, onde viveu um ano difícil. «Na Bielorrússia, sofri muito por estar longe dos meus pais», confessou. «Muitas vezes tínhamos três sessões de treino por dia. Se nevasse muito no inverno, éramos nós que limpávamos o campo antes de treinar». A carreira de Khusanov transformou-se por completo em 2023: sagrou-se campeão asiático pela seleção de Sub-20 em março, participou no Mundial de Sub-20 em maio, estreou-se pela seleção AA em junho, transferiu-se para o Lens em julho e tornou-se o uzbeque mais jovem de sempre a alinhar na Liga dos Campeões em novembro. Em janeiro de 2025, Khusanov mudou-se para o Manchester City. «Esta é uma das melhores contratações da história do clube. Ele não tem medo de aprender, encara os treinos com seriedade e trabalha com todas as suas forças. Em suma, o Abdukodir é um jogador extremamente fiável», elogiou Pep Guardiola.

21. IGOR SERGEEV


Data de nascimento: 30 de abril de 1993

Clube: Persepolis

Posição: Avançado

Máquina de golos

Sergeev é o melhor marcador da história do Pakhtakor, o clube mais titulado do Uzbequistão, contabilizando 145 golos em 262 jogos ao serviço dos Leões à data em que este texto foi escrito, tendo conquistado o campeonato por cinco vezes e a taça em três ocasiões. Foi também o melhor marcador da liga em duas temporadas. Agora com 33 anos, a sua carreira levou-o a palcos na China, nos Emirados Árabes Unidos, no Cazaquistão e na Tailândia. Venceu a liga cazaque pelo Tobol e a Taça da Liga tailandesa com o Pathum United. Na Taça Asiática de 2024, no Qatar, sofreu uma rotura de ligamentos no joelho num jogo contra a Austrália. Muitos pensaram que a sua carreira teria chegado ao fim, mas em 2025 regressou ao Pakhtakor e apontou 20 golos no campeonato usbeque desse ano. Após o seu primeiro golo pós-lesão, o jogador festejou o momento beijando precisamente esse joelho. «Não se conseguem comprar as emoções após uma vitória no futebol com dinheiro nenhum», vincou. Em janeiro, Sergeev mudou-se para mais um país ao assinar pelos iranianos do Persepolis, embora a competição tenha sido interrompida pela eclosão da guerra um mês depois.

22. ABBOSBEK FAYZULLAEV


Data de nascimento: 3 de outubro de 2003

Clube: Basaksehir

Posição: Médio

Provar que os críticos estavam errados

Aos 22 anos, Fayzullaev já conta no currículo com dois prémios de jogador uzbeque do ano, tendo-se estreado na liga com apenas 17 anos. Em criança, mudou-se da casa da família, em Syrdarya, para Tashkentm, para ingressar na academia do Pakhtakor, onde o seu tio o acolheu e o criou como um filho. O seu tio faleceu em 2021, precisamente o ano em que Fayzullaev se estreou na equipa principal, e o jogador continua a festejar os seus golos apontando o dedo ao céu em jeito de homenagem. «Sempre que entro em campo olho para as bancadas, na esperança de que o meu tio apareça, mas infelizmente isso já não é possível», confessou. O fantástico golo de livre direto de Fayzullaev contra a Síria, na Taça Asiática de Sub-20 em 2023, deu-lhe uma enorme notoriedade no Uzbequistão e além-fronteiras e, em agosto desse ano, mudou-se para o CSKA Moscovo. «Muitos no Uzbequistão diziam: 'Ele não vai conseguir singrar lá, vai voltar num instante'», recordou. «Até alguns treinadores partilharam dessa opinião. Isso deu-me ainda mais motivação. Creio que provei o meu valor». Ao longo de dois anos na Rússia, conquistou a taça nacional e a Supertaça, e os turcos do Istanbul Basaksehir transformaram-no na contratação mais cara da história do clube.

12. ABDUVOKHID NEMATOV


Data de nascimento: 20 de março de 2001

Clube: Nasaf

Posição: Guarda-redes

Bom com os pés

Nematov mudou-se de Jizzakh para Qarshi aos 14 anos e ingressou no Nasaf pouco tempo depois; mais de uma década decorrida, continua no clube, tendo conquistado todos os principais troféus no Uzbequistão. É particularmente dotado no jogo de pés, fruto talvez de ter iniciado o seu percurso no futebol como ponta-de-lança, e mantém o faro pelo golo: apontou dois na temporada de 2023/2024, ambos na cobrança de grandes penalidades. «Se tivesse medo de errar, não seria guarda-redes. Porque se um guarda-redes comete um erro, é golo sofrido», afirmou. Em 2022, o Uzbequistão organizou a Taça Asiática de Sub-23 e Nematov foi expulso aos 12 minutos do encontro dos quartos de final contra o Iraque, deixando a equipa numa situação delicada – e acabou por descobrir que a sua mãe estava nas bancadas, numa viagem surpresa ao estádio. «A minha mãe viajou para Tashkent para ver o jogo sem me dizer nada e eu acabei expulso. Foi terrível», recordou Nematov. Em 2024, o Usbequistão qualificou-se para os Jogos Olímpicos pela primeira vez na história, com Nematov a travar uma grande penalidade cobrada por Sergio Gómez no desafio frente a Espanha.

7. OTABEK SHUKUROV


Data de nascimento: 22 de junho de 1996

Clube: Baniyas

Posição: Médio

O Maestro do Jogo

Mais um produto da academia do Mash’al. Shukurov cresceu a trabalhar arduamente desde a infância, lavando carros e fabricando sapatos. Foi o capitão da seleção do Uzbequistão que conquistou o Campeonato Asiático de Sub-16 no Irão, em 2012, e alinhou também no Mundial de Sub-17 no ano seguinte – onde despertou a atenção dos olheiros do Hoffenheim, que o convidaram para prestar provas, embora não tenham avançado para a sua contratação. Estreou-se pela seleção AA em 2016 e tornou-se mais do que um simples jogador, assumindo-se como o maestro do jogo a partir do centro do terreno, dispondo também de um remate de ressaca temível. Os melhores anos da carreira de Shukurov foram vividos nos Emirados Árabes Unidos, ao serviço do Sharjah, onde passou mais de quatro anos, ficou conhecido como «o professor uzbeque» e deu um contributo fulcral para a conquista do campeonato em 2019, um feito que o clube não alcançava há 15 anos. Shukurov desenvolve imensas ações de beneficência na sua terra natal, Kashkadarya, e durante a pandemia assegurou mantimentos para 60 famílias locais. «Quando vi alguns futebolistas a fazer o desafio do rolo de papel higiénico senti-me mal, porque aquilo não ajuda ninguém. Por isso, pensei num novo desafio, algo que pudesse verdadeiramente beneficiar as pessoas carenciadas», explicou. «Quando vi os vídeos das famílias a sorrir e felizes, isso sim foi a verdadeira felicidade para mim.»

10. JALOLIDDIN MASHARIPOV


Data de nascimento: 1 de setembro de 1993

Clube: Esteghlal

Posição: Avançado

Amigo de Cristiano

Parece simbólico o facto de ter nascido no Dia da Independência do Uzbequistão – 1 de setembro –, uma vez que se tornou num dos maiores jogadores uzbeques da sua geração. Devido a dificuldades financeiras durante a juventude, o seu irmão mais velho abdicou do próprio sonho de ser futebolista em favor de Jaloliddin. Quando se fala de Masharipov, a expressão «experiência colossal» surge como um sinónimo inevitável. Não é apenas multicampeão no Uzbequistão, somou também passagens de sucesso por ligas estrangeiras, incluindo no Al-Nassr de Cristiano Ronaldo. Era Masharipov o dono da camisola número 7 quando o craque português chegou ao clube e, depois de se ter voluntariado para ceder o dorsal, ele e Ronaldo tornaram-se bons amigos. Quando o sorteio do Mundial colocou Portugal e o Uzbequistão no mesmo grupo, Masharipov dirigiu-se a Ronaldo no Instagram: «Querido amigo, vemo-nos no Mundial». O cenário esteve em sério risco quando sofreu uma grave lesão no joelho em janeiro, mas recuperou mesmo a tempo.

17. DOSTONBEK KHAMDAMOV


Data de nascimento: 24 de julho de 1996

Clube: Pakhtakor

Posição: Avançado

Membro da seleção que conquistou o título asiático de Sub-16 em 2012 e novamente em Sub-23 em 2018, foi pelo meio eleito o melhor jogador jovem da Ásia em 2015. Todo este sucesso e mediatismo abriram-lhe as portas para uma transferência para os russos do Anzhi no início de 2018, mas alinhou em apenas nove partidas pelo clube. Regressou ao Uzbequistão em 2019 para ingressar no Pakhtakor, onde em dois anos venceu o campeonato por duas vezes e a taça doméstica numa ocasião. Tentou a sua sorte no estrangeiro por diversas vezes, em clubes dos Emirados Árabes Unidos e do Qatar, mas acabou sempre por regressar ao Pakhtakor, onde se fixou desde 2022. O seu percurso na seleção nacional tem sido, à imagem de grande parte da sua carreira, intermitente, mas regressou às opções no final de 2025 e tem-se mantido no grupo. «Todos os adeptos e todos os jogadores no Uzbequistão vivem com este desejo», afirmou em 2016. «Espero conseguir fixar-me na seleção e contribuir para a qualificação da equipa para o Mundial.»

8. JAMSHID ISKANDEROV


Data de nascimento: 16 de outubro de 1993

Clube: Neftchi

Posição: Médio

Iskanderov foi catapultado para a seleção principal após uma sequência de exibições impressionantes no Mundial de Sub-20 em 2013, na Turquia, estreando-se em setembro desse ano. Pode não ter atingido o patamar dos seus ídolos – «Gosto do futebol de Xavi, Andrés Iniesta, David Silva e Lionel Messi», revelou –, mas somou já bastante sucesso, conquistando o título da liga uzbeque por três vezes em quatro anos com o Pakhtakor, entre 2012 e 2015, e arrecadando uma quarta medalha de campeão ao serviço do Neftchi em 2024/2025. Em 2022, venceu o prémio de Futebolista Uzbeque do Ano após uma temporada de luxo no Navbahor Namangan, isto apesar de o seu clube ter perdido o campeonato por apenas um ponto. Contudo, apesar de tudo isto, nunca se assumiu como uma peça fulcral na seleção uzbeque e, no final de maio, somava presenças na convocatória em 80 jogos ao longo de quase 13 anos, mas foi titular em apenas 17. «Todos os jogadores, não importa a idade que tenham, ficam à espera da lista de convocados da seleção nacional. Eu também fico à espera», confessou.

11. OSTON URUNOV


Data de nascimento: 19 de dezembro de 2000

Clube: Persepolis

Posição: Avançado

Urunov nasceu em Navoi, a região batizada em honra do grande poeta, pensador e estadista uzbeque Alisher Navoi, considerado o pai da língua literária uzbeque. Em 2016, Urunov assumiu a braçadeira de capitão da seleção de sub-20 do Uzbequistão, estreou-se na liga pelo Navbahor no ano seguinte e, em 2018, foi eleito o jogador jovem do ano. O prémio foi-lhe entregue por Héctor Cúper, que promoveria a sua estreia na seleção AA no ano seguinte. Na altura, Oston tinha 18 anos e cinco meses. Contudo, após essa rápida ascensão seguiu-se um período mais espinhoso: mudou-se para os russos do Ufa em 2020 e, menos de um ano depois, vinculou-se ao Spartak Moscovo. «No Spartak tudo corria bem no início, mas não consegui demonstrar todo o meu potencial devido a uma sequência consecutiva de lesões». Passou três anos na Rússia antes de regressar ao Navbahor, mas em 2024 mudou-se novamente, desta feita para os iranianos do Persepolis, onde conquistou o seu primeiro título de campeão em 2023/2024 – mantendo, contudo, as ambições em patamares elevados: «Desde jovem que sonho jogar no Manchester United e agora sonho com o PSG», assumiu.

9. ODILJON KHAMROBEKOV


Data de nascimento: 13 de fevereiro de 1996

Clube: Tractor

Posição: Médio

Insubstituível

Um jogador insubstituível no núcleo central da seleção nacional: Khamrobekov jogou todos os minutos, à exceção de 16, na campanha de 14 jogos de qualificação do Uzbequistão e é titular garantido desde que se encontre em perfeitas condições físicas. Representou também o seu país em vários escalões de formação e em diversos Mundiais e Campeonatos Asiáticos, arrecadando o prémio de melhor jogador do torneio no Campeonato Asiático de Sub-23 em 2018, na China. «Esse torneio foi memorável, a final foi disputada debaixo de uma tempestade de neve. É inesquecível», recordou. Iniciou a sua carreira no Nasaf, mas após mudar-se para o Pakhtakor em 2019 conquistou cinco títulos de campeão consecutivos, um feito particularmente impressionante dado que, a meio dessa sequência, somou meia temporada nos Emirados Árabes Unidos ao serviço do Shabab Al-Ahli, onde ergueu igualmente uma taça. Em 2025, transferiu-se para o Tractor, do Irão, onde prontamente conquistou mais um título de campeão. É visto como o motor no coração da seleção do Uzbequistão, assumindo-se como um mestre a antecipar e a travar os ataques adversários. Trabalha imenso em prol da equipa, embora nem sempre tenha merecido o devido reconhecimento por parte dos adeptos.

5. RUSTAM ASHURMATOV


Data de nascimento: 7 de julho de 1996

Clube: Esteghlal

Posição: Defesa

Ashurmatov é sobrinho do famoso antigo internacional e atual treinador Bakhtiyor Ashurmatov, mas através de uma combinação de trabalho árduo e talento conseguiu sair da sombra do seu tio e construir a sua própria reputação. Desenvolveu-se num defesa sólido para a seleção do Uzbequistão e, na sequência da lesão de Khusniddin Alikulov, espera-se que forme a dupla de centrais titular ao lado de Abdukodir Khusanov. Ashurmatov é um produto das escolas do Bunyodkor, clube de Tashkent, e jogou na Coreia do Sul e na Rússia antes de se juntar à sua atual equipa, o Esteghlal, em 2025, depois de ter despertado a atenção do diretor desportivo dos iranianos, Clarence Seedorf, pela sua capacidade não só de proteger a própria baliza mas também de criar perigo em lances de bola parada ofensivos. Ashurmatov traça metas ambiciosas para o Mundial que se avizinha: «Temos de praticar um futebol de grande qualidade independentemente de quem for o adversário. Temos de conseguir, pelo menos, passar a fase de grupos», vincou o defesa. «O nosso grupo é muito difícil. Mas qualificámo-nos para o Mundial e só os mais fortes se qualificam.»

16. BOTIRALI ERGASHEV


Data de nascimento: 23 de junho de 1995

Clube: Neftchi

Posição: Guarda-redes

Embora tenha demonstrado imenso talento desde cedo, a abordagem de Ergashev ao jogo – e consequentemente a sua carreira – transformou-se após ter sido selecionado para o Mundial de Sub-20 em 2015, na Nova Zelândia, onde o Uzbequistão atingiu os quartos de final antes de cair aos pés do Senegal. «Após esse torneio, a minha atitude em relação ao futebol mudou radicalmente», assumiu. «Sentia orgulho por ser futebolista. Como defendemos a honra do nosso país, isso também desperta o sentimento de patriotismo numa pessoa». Fez também parte da seleção vitoriosa na Taça Asiática de Sub-23 em 2018, na China. No início de 2024, mudou-se para o Neftchi, equipa onde se sagrou campeão do Uzbequistão e ergueu a Supertaça. Estreou-se pela seleção AA em 2018 num jogo contra o Irão, mas teve de esperar mais de cinco anos para somar a segunda internacionalização, mantendo-se maioritariamente confinado a funções de recurso no banco de suplentes. «Sabe bem vestir a camisola da seleção nacional. Estamos a tentar estar à altura», afirmou Ergashev, que completa 29 anos precisamente no dia do jogo do Uzbequistão frente a Portugal.

13. SHERZOD NASRULLAEV


Data de nascimento: 23 de julho de 1995

Clube: Pakhtakor

Posição: Defesa

Distribuidor de assistências

Em janeiro, após oito anos, 200 jogos, um título de campeão e três Taças do Uzbequistão ao serviço do Nasaf, Nasrullaev protagonizou a sua primeira transferência na carreira, mudando-se para Tashkent para reforçar o Pakhtakor. «Esta equipa ajudou-me a crescer não apenas como jogador, mas como pessoa», vincou. «Cada dia, cada treino e cada jogo que disputei pelo Nasaf permanecerão como uma memória inesquecível no meu coração. As cores deste clube tornaram-se parte da minha vida». Nada disto pareceria provável quando foi dispensado das camadas jovens do clube em 2016, aos 17 anos, vendo-se forçado a descer ao terceiro escalão amador. Dois anos mais tarde, foi convidado a regressar. Sob a sua tutela, Nasrullaev transformou-se num lateral veloz que se projeta no ataque e consegue desenhar lances de perigo através de cruzamentos: em 147 jogos na liga pelo Nasaf, apontou 10 golos e assinou 25 assistências, números impressionantes para um elemento defensivo.

15. UMAR ESHMURODOV


Data de nascimento: 30 de novembro de 1992

Clube: Nasaf

Posição: Defesa

Treinador em campo

Para os adeptos do Nasaf, Eshmurodov não é apenas um jogador, mas sim um símbolo, o verdadeiro coração da equipa. Não tem sido um trajeto linear – o clube vendeu-o em 2020, resgatou-o em 2021, vendeu-o novamente em 2024 e voltou a contratá-lo em 2025 –, mas ao longo do percurso somou mais de 300 jogos pelo emblema, conquistando a Taça do Uzbequistão por três vezes e a Supertaça por duas ocasiões. Agora com 33 anos, o treinador do Nasaf, Ruzikul Berdiev, rotula-o de «um treinador em campo». Eshmurodov estreou-se pela seleção do Uzbequistão em 2020 e conta já com presenças na convocatória em mais de 50 partidas. Descreveu a qualificação da equipa para o Mundial como «o maior feito da nossa história», acrescentando: «Este não é apenas o sonho dos nossos jogadores, mas de todo o povo uzbeque. Vamos dar tudo em cada jogo quando entrarmos em campo para tornar este sonho realidade. O nosso atual plantel é mais forte do que nunca e estamos prontos para fazer história». Eshmurodov distingue-se pela serenidade no relvado, pelo sentido posicional e pela supremacia nos duelos aéreos.

24. BEKHRUZ KARIMOV


Data de nascimento: 7 de agosto de 2007

Clube: Surkhon

Posição: Defesa

Jovem promessa

Nascido em 2007 na região de Namangan, o pai de Karimov trabalhava na construção civil no estrangeiro e a sua mãe era professora primária. «Jogo futebol desde os seis anos. Quando estava no liceu, fui rejeitado pela equipa de Sub-19 do Navbahor porque era demasiado jovem. Após esse incidente, comecei a tentar provar que a idade é apenas um número», recorda Karimov. Aos 18 anos continua a fazê-lo, tendo visto a sua trajetória transfigurar-se nuns extraordinários 12 meses após a sua estreia na liga, em março de 2025. Apontou o seu primeiro golo no campeonato em outubro – e o segundo escassos 20 minutos depois –, integrou o onze jovem do ano da liga em dezembro, alinhou na Taça Asiática de Sub-23 em janeiro e estreou-se pela seleção principal em março de 2026. Em abril, uma fratura num dedo do pé ameaçou travar a sua progressão, mas uma cirurgia célere permitiu-lhe recuperar a tempo de participar no Mundial, algo que seria inimaginável há pouco mais de um ano. «Após a lesão fiquei muito deprimido, mas toda a gente ao meu redor me apoiou. Isso também me ajudou a reerguer-me mais rápido», afirmou.

4. FARRUKH SAYFIEV


Data de nascimento: 17 de janeiro de 1991

Clube: Neftchi

Posição: Defesa

Senhor Estabilidade

Aos 35 anos, Sayfiev está estabilizado como um dos melhores laterais de sempre da história do país. É conhecido como o «Senhor Estabilidade» no futebol usbeque. Nascido em Samarcanda, passou a maior parte da carreira dividido por dois clubes, com uma passagem de sete anos pelo Nasaf seguida de seis temporadas no Pakhtakor. Ao serviço destas equipas conquistou cinco campeonatos usbeques – com um sexto a surgir no ano passado, pelo Neftchi –, múltiplas medalhas no campeonato nacional, duas Taças do Usbequistão e quatro Supertaças usbeques. Sayfiev foi outrora questionado sobre em qual destes dois emblemas preferiria terminar a carreira. «Tornei-me famoso no Nasaf e desenvolvi-me como um jogador forte no Pakhtakor», explicou na altura. «É muito difícil escolher entre os dois». Sayfiev, que entregou a totalidade do dinheiro do seu primeiro ordenado como futebolista à mãe, é frequentemente comparado a Vitaly Denisov, porventura o melhor lateral-esquerdo da história da seleção nacional do Uzbequistão – pelo menos aos olhos de terceiros. «Temos de ser realistas, o Denisov é melhor do que eu», assume o próprio jogador. Se fora de campo transparece generosidade e compaixão, a postura nos relvados nem sempre é a mesma: movido por um desejo inabalável de vencer, acumulou já 80 cartões amarelos e cinco vermelhos ao longo da carreira.

6. AKMAL MOZGOVOY


Data de nascimento: 2 de abril de 1999

Clube: Pakhtakor

Posição: Médio

Aos 19 anos, Mozgovoy estreou-se pelo Nasaf na Superliga e tornou-se numa peça fundamental na engrenagem da equipa de Ruzikul Berdiev, somando 224 jogos oficiais pelo clube, onde ergueu a Taça e a Supertaça do Uzbequistão por três vezes. Em 2024, ajudou o emblema a conquistar o tão ambicionado campeonato e foi um golo da sua autoria frente ao Lokomotiv Tashkent a selar a conquista do título. «Ao recordar esse golo, assaltam-me memórias dos torneios de infância», revelou. «Costumava marcar golos desse género com frequência. Após o jogo, falei com o meu avô e ele relembrou-me disso. Foi uma experiência inesquecível». No final dessa temporada, foi eleito o jogador do ano da liga e recebeu propostas de equipas da Polónia, Rússia e Chipre, entre outras. Em vez disso optou por permanecer e, embora se tenha juntado aos emiratis do Baniyas seis meses mais tarde, não ficou satisfeito com a decisão e, em apenas sete meses, estava de regresso ao Uzbequistão para assinar pelo Pakhtakor. É o género de jogador a quem se confia a responsabilidade nos momentos de decisão e, quando o Uzbequistão garantiu vitórias no desempate por grandes penalidades frente ao Irão, na final da Taça Al Ain em novembro de 2025, e diante da Venezuela na final do torneio FIFA Series em Tashkent, em março de 2026, foi Mozgovoy quem converteu os penaltis decisivos em ambas as ocasiões.

19. AZIZJON GANIEV


Data de nascimento: 22 de fevereiro de 1998

Clube: Al Bataeh

Posição: Médio

Aos 27 anos, nove passados sobre a sua estreia na seleção principal e 11 após o seu primeiro jogo na liga pelo Nasaf, com uns tenros 16 anos, Ganiev está longe de ser um desconhecido. Mas a sua presença como uma das figuras nos eleitos para o Mundial é extraordinária, dado que, dos 14 jogos de qualificação que guiaram a equipa até este torneio, não disputou um único minuto, não tendo inclusive recebido uma única convocatória. Desde 2020 que faz carreira a nível de clubes nos Emirados Árabes Unidos, primeiro ao serviço do Shabab Al-Ahli, onde conquistou um título de campeão e várias taças, mas sofreu também duas graves lesões no joelho, mudando-se em 2024 para o Al Bataeh. Embora tenha passado a maior parte da carreira no miolo do terreno, tem sido utilizado de forma crescente nas últimas temporadas, e particularmente desde o seu reaparecimento internacional, na função de ala invertido sobre o corredor direito.

26. JAKHONGIR UROZOV


Data de nascimento: 18 de janeiro de 2004

Clube: Dinamo Samarkand

Posição: Defesa

Golo na estreia

Jakhongir iniciou a sua carreira profissional na academia do Bunyodkor e estreou-se na equipa principal em 2022. Alto e imponente, não demorou muito tempo a causar impacto e, no ano seguinte, foi transferido para os turcos do Eyüpspor, onde conquistou a subida de divisão sob a liderança do treinador Arda Turan. «Ele é maravilhoso como pessoa», elogiou Urozov. «Como treinador é muito exigente, organizado e atento». Regressou ao Uzbequistão em 2025, para reforçar o Dinamo, onde se assume como uma das principais figuras defensivas. Andrey Pyatnitsky, o antigo internacional que representou a Rússia e o Uzbequistão e que treinou no Dinamo, elogiou Urozov rotulando-o de «um jogador de nível de seleção nacional», mas identificou igualmente uma «lacuna na concentração» que pode afetar o seu futebol. Apesar de ser defesa, Urozov consegue criar perigo em lances de bola parada na área adversária, argumento que demonstrou logo na sua estreia ao faturar numa vitória por 3-1 sobre o Gabão.

20. AZIZBEK AMONOV


Data de nascimento: 30 de outubro de 1997

Clube: Dinamo Samarkand

Posição: Médio

Mais um futebolista nascido na região de Navoi, cujas condições locais não aparentam ser as ideais para a formação de talentos de topo. «Comecei a interessar-me por futebol na quarta classe», revela Amonov. «Quando era jovem, jogávamos futebol junto à paragem do autocarro, no passeio de cimento. As sessões de treino eram realizadas nessas condições». Da paragem de autocarro emergiu um médio-ofensivo e ala, que iniciou a carreira profissional no Lokomotiv Tashkent, onde conquistou campeonatos e taças domésticas. Em 2022, mudou-se para o Esteghlal, um dos clubes mais famosos do Irão, onde voltou a celebrar a conquista de ligas e taças locais. Encontra-se de regresso ao Uzbequistão desde 2024, defendendo atualmente as cores do Dinamo. Estreou-se pela seleção nacional em 2021 num jogo contra a Suécia, mas não alinha em partidas consecutivas desde 2022 – integrou o lote de convocados para a Taça Asiática de 2024, mas regressou a casa sem somar minutos. «Não importa quem joga, o mais importante é a vitória da equipa», vincou.

18. ABDULA ABDULLAEV


Data de nascimento: 1 de setembro de 1997

Clube: Dibba

Posição: Defesa-central/médio

Um jogador experiente, taticamente disciplinado e versátil que pode desempenhar um papel tanto na defesa como no meio-campo, Abdullaev passou a maior parte da sua carreira clubística no Uzbequistão, à exceção de passagens por dois clubes dos Emirados: o Dibba, ao qual se juntou no ano passado, e o Khor Fakkan em 2023. Quando o AGMK, clube sediado em Olmaliq, o vendeu ao Khor Fakkan, a transferência foi reportada como a primeira de um jogador para o estrangeiro na história do clube, rendendo-lhes 200 mil euros. Ao nível internacional, fez o seu percurso nos sub-21 e sub-23 antes da sua estreia na seleção AA, em setembro de 2021, frente à Suécia. «Correu muito bem, seguimos as instruções do treinador», disse após a derrota por 2-1. «Tentei justificar a confiança que ele demonstrou em mim. Claro que houve falhas, mas isto foi uma verdadeira aprendizagem. Este jogo foi uma grande lição para mim.»

23. SHERZOD ESANOV


Data de nascimento: 1 de fevereiro de 2003

Clube: Bukhara

Posição: Médio

Ainda com apenas 23 anos, Esanov já passou por uma verdadeira jornada no seu percurso por clubes. Após passagens pela Rússia, ao serviço do Akron Tolyatti, e pela Bielorrússia, no Dynamo Brest, regressou ao Uzbequistão para representar o Bukhara no início deste ano. Fez parte da seleção de sub-20 do Uzbequistão que conquistou a Taça da Ásia em 2023. Um médio dinâmico, de área a área (box-to-box), falou do seu orgulho por integrar a comitiva para o Mundial deste verão logo após a chegada aos Estados Unidos: «Estes sentimentos são difíceis de expressar em palavras. Jogar no Mundial é o sonho de qualquer jogador. Estou a aprender muito, especialmente na vertente táctica, e sinto que estou a crescer fisicamente. Creio que este é o caso de todos os jogadores. Agora só precisamos que os adeptos nos apoiem. Daremos a nossa vida para jogar pelo nosso povo.»

25. AVAZBEK ULMASALIEV


Data de nascimento: 27 de março de 2000

Clube: AGMK

Posição: Defesa-central

Um defesa-central sólido e sem floreados, Ulmasaliev passou, até ao momento, toda a sua carreira clubística no Uzbequistão, mudando-se para o AGMK em 2024. É uma das várias escolhas surpresa para a convocatória final do Mundial – a sua experiência internacional tem sido, até agora, amplamente limitada ao escalão de sub-23 e não participou na fase de qualificação. Contudo, impressionou durante o estágio experimental de Fabio Cannavaro em janeiro, quando o selecionador principal chamou jogadores menos habituais para observação. Ulmasaliev afirmou após o estágio: «Todos queriam mostrar aquilo de que eram capazes. Os jogos amigáveis foram bons e consegui marcar o meu primeiro golo. As sessões de treino sob o comando de Cannavaro tiveram muita qualidade e o ambiente na equipa era excelente. Uma chamada à seleção nacional é o sonho de qualquer futebolista. Este estágio demonstrou que todos têm a oportunidade de dar nas vistas.»

Textos de Narzulla Saydullaev, do Championat Asia. Estes textos foram escritos no âmbito da Guardian Experts' Network, a rede de troca de conteúdos para o Mundial 2026, liderada pelo jornal inglês The Guardian e que tem A BOLA como representante português, e foram traduzidos com recurso a Inteligência Artificial.

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