12. JALAL HASSAN


Data de nascimento: 18 de maio de 1991

Clube: Al-Zawraa

Posição: Guarda-redes

Guarda-redes número 1

O capitão e indiscutível número 1 do Iraque, de 35 anos, somou a sua 100.ª internacionalização antes do jogo caseiro de qualificação para o Mundial contra os Emirados Árabes Unidos, em novembro passado, tornando-se apenas o terceiro guarda-redes iraquiano (depois do capitão no Mundial de 1986, Raad Hammoudi, e do vencedor da Taça da Ásia de 2007, Nour Sabri) a atingir esta marca histórica. Trabalhava como operário quando começou a jogar, recordando que costumava treinar descalço e com as roupas de trabalho. O guardião natural de Diwaniya foi descoberto aos 19 anos e integrado rapidamente na seleção principal após impressionar nas camadas jovens, estreando-se a nível internacional contra a Jordânia, há 15 anos. Jalal foi titular em três Taças da Ásia e participou num recorde de seis Taças do Golfo, capitaneando o Iraque rumo à vitória na 25.ª edição, em Basra, onde o país ergueu o troféu pela primeira vez em 35 anos. O veterano continua a ser uma peça fulcral dos Leões da Mesopotâmia, detendo o recorde partilhado de mais jogos em qualificações para o Mundial por um guarda-redes iraquiano (23) e de mais jogos sem sofrer golos (14).

22. AHMED BASIL


Data de nascimento: 19 de agosto de 1996

Clube: Al-Shorta

Posição: Guarda-redes

Em novembro de 2024 foi chamado à última hora como quarta escolha para a baliza na véspera de dois jogos cruciais de qualificação para o Mundial. Dois dias antes do encontro com a Jordânia, o guarda-redes do Al-Shorta recebera uma chamada surpresa da Federação Iraquiana às duas da manhã. Nove horas depois, já estava no relvado a treinar com o grupo. Surpreendentemente, devido a uma lesão do número 1 do Iraque, Jalal Hassan, Basil foi lançado como titular pela primeira vez numa qualificação para o Mundial — naquela que era apenas a sua sexta internacionalização — e esteve em plano de destaque no empate a zeros com a Jordânia, em Basra, a que se seguiu uma vitória por 1-0 sobre Omã, o primeiro triunfo do Iraque em Mascate em 30 anos. O guardião revelou mais tarde, em lágrimas, que tinha deixado em casa o pai acamado, antigo jogador do Iraque, a recuperar de uma cirurgia. Desde então, Basil provou ser um suplente de total confiança para Hassan, assumindo a baliza na sua ausência, inclusive no jogo decisivo de qualificação contra a Bolívia, em Monterrey.

1. FAHAD TALIB


Data de nascimento: 21 de outubro de 1994

Clube: Al-Talaba

Posição: Guarda-redes

Oriundo de uma família de guarda-redes

Quando Talib sofreu uma grave lesão no joelho, na véspera do crucial duelo dos oitavos de final da Taça da Ásia de 2024 contra a Jordânia, poucos acreditavam que o guardião, então com 29 anos, regressaria ao nível que o levara ao Mundial de Sub-20 de 2013, na Turquia, e aos Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro. Talib tinha dado cartas na anterior campanha de qualificação para o Mundial, substituindo o lesionado Jalal Hassan, onde alinhou em oito dos 10 jogos de apuramento do Iraque para o Mundial de 2022, colhendo rasgados elogios. Após a lesão e quase um ano afastado dos relvados, o guarda-redes reencontrou a forma ao serviço do Al-Talaba, na Iraq Stars League, e mereceu uma nova chamada à seleção, pela qual contabiliza 20 internacionalizações desde a estreia em 2017. Guarda-redes como o pai e o irmão mais velho, Fahad formou-se na escola de futebol Ammo Baba e ingressou mais tarde no Al-Quwa Al-Jawiya em 2008, chegando à equipa principal com apenas 16 anos e assumindo a titularidade poucos anos depois.

5. AKAM HASHEM


Data de nascimento: 16 de agosto de 1998

Clube: Al-Zawraa

Posição: Defesa

Nos minutos finais da vitória sobre a Bolívia, que carimbou o passaporte do Iraque para o seu primeiro Mundial em 40 anos, Akam Hashem virou-se para o seu companheiro de setor, Zaid Tahseen, e vaticinou: «Irmão Zaid, sabes uma coisa? Vamos ser lendas do Iraque». Com a retaguarda iraquiana sob forte pressão, o colega de equipa limitou-se a responder com um grito desesperado para continuarem a defender. Segundos depois, soou o apito final. Após a sua primeira titularidade pelo Iraque, frente à Palestina, em 2025, Hashem foi o escolhido para realizar o controlo antidoping — quando finalmente saiu para o parque de estacionamento, descobriu que o autocarro da equipa já tinha partido sem ele! Nascido em Erbil, iniciou a carreira no clube local Peshmerga (que significa «aqueles que enfrentam a morte»), um emblema dos escalões secundários que representa as forças de segurança interna da região curda, onde jogou ao lado do irmão mais velho, Rekar. Mudou-se mais tarde para o principal clube da cidade, o Erbil, em 2020, e afirmou-se na liga iraquiana, rumando a Bagdade para representar primeiro o Al-Shorta e agora o Al-Zawraa.

4. ZAID TAHSEEN


Data de nascimento: 29 de janeiro de 2001

Clube: Pakhtakor FC

Posição: Defesa

Tahseen nem sequer integrou a lista de convocados para o primeiro jogo de qualificação da campanha do Iraque para o Mundial de 2026, mas, na 21.ª partida em Monterrey diante da Bolívia, o defesa-central de 25 anos foi uma das figuras de cartaz dos iraquianos. Ao apito final, após uma chamada telefónica - lavado em lágrimas - para a família, que acordara de madrugada no Iraque para assistir à vitória, o defesa confessou: «Não sei se estou a sonhar ou se estou a viver a realidade. Quando o jogo acabou, olhei em volta e não sabia o que fazer. Esta é a melhor manhã da história do Iraque e o melhor dia em todo o país. Jamais será esquecido». O central de 1,93m, natural da cidade de Najaf, deixou a escola aos 16 anos e jogou mais tarde nos Jogos Olímpicos de 2024, em Paris. Tahseen, que atualmente joga no Pakhtakor, do Usbequistão, contabiliza 25 internacionalizações pelo Iraque à data em que este texto foi escrito, tendo-se estreado a titular num empate a zeros com o Equador, em 2022, no Estádio Metropolitano do Atlético de Madrid.

6. MANAF YOUNIS


Data de nascimento: 16 de novembro de 1996

Clube: Al-Shorta

Posição: Defesa-central

Antigo avançado

Foi Younis quem apontou o dramático golo da vitória - com um cabeceamento certeiro no último minuto do prolongamento no triunfo por 3-2 sobre Omã - que permitiu ao Iraque erguer o troféu da Taça do Golfo pela primeira vez em 35 anos, em 2023. O defesa teve uma premonição de que iria faturar. «Um dia antes do jogo, eu e o Fahad Talib estávamos a rezar no quarto. Terminei as minhas orações e disse ao Fahad: "O que acontecerá se amanhã, no último minuto, eu cabecear para as redes e nós vencermos!"» Nascido em Tikrit, Younis foi criado pela mãe após o falecimento do pai, quando tinha apenas oito anos. Inicialmente avançado, a sua fisionomia de 1,90m e a sua aptência no jogo aéreo convenceram os treinadores a recuá-lo para a defesa após estrear-se na equipa principal do Salah-al-Deen. Mudou-se para Bagdade em 2019, assinando pelo Al-Karkh, clube sob a presidência do falecido Sharar Haidar, que tinha por política observar jogadores vindos das províncias. Foi aí que Manaf deu brado, conquistando a Taça do Iraque em 2022 e cavando o seu espaço na seleção nacional. Ingressou mais tarde no Al-Shorta, conquistando três campeonatos consecutivos a partir de 2023.

2. REBIN SULAKA


Data de nascimento: 12 de abril de 1992

Clube: FC Porto

Posição: Defesa-central

Veterano muito viajado

O veterano central de 1,92m, que já conheceu vários horizontes, percorreu um longo caminho desde que vestiu a camisola iraquiana pela primeira vez, há mais de uma década. Na altura, Sulaka, que nasceu no Iraque mas cresceu na Suécia, estava apenas no início da carreira e compreendia escassas palavras de árabe, dado que os pais falavam predominantemente o neo-aramaico caldeu em casa. Agora com 34 anos e mais de 50 internacionalizações pelo Iraque, domina bem a língua árabe, o que lhe permite comunicar com todo o grupo e ajudar na integração dos novos jogadores na equipa. Após iniciar a carreira de clubes na Suécia, já jogou em nove países diferentes, incluindo Noruega, Sérvia, Bulgária e Suíça, desfrutando agora da sua segunda passagem pela Tailândia. Será o segundo jogador iraquiano natural de Ankawa, um subúrbio de Erbil, a alinhar num Mundial, depois de Basil Gorgis, que foi expulso prematuramente contra a Bélgica em 1986, num caso de troca de identidade.

3. HUSSEIN ALI


Data de nascimento: 1 de março de 2002

Clube: Pogon Szczecin

Posição: Lateral-direito

Antes de Ali fazer a estreia, em 2023, o flanco direito da defesa fora sempre uma posição problemática para a seleção do Iraque. Vestiu a camisola pela primeira vez na King's Cup, na Tailândia, frente à Índia. «Foi um sonho tornado realidade jogar pelo país do meu pai», recorda. Ali representou a Suécia em todos os escalões de formação e passou quase dois anos a ponderar se deveria alinhar pelo país natal do pai, um local que nunca visitara. O seu progenitor deixara o Iraque em 1989 para se estabelecer na Suécia, onde Ali nasceu. O lateral-direito formou-se na academia do Malmö FF a partir dos cinco anos, começando como defesa-central. À procura de jogar com regularidade a nível sénior, assinou o seu primeiro contrato profissional com o Örebro, estreando-se na Allsvenskan com apenas 17 anos. Em 2022, mudou-se para o estrangeiro pela primeira vez, passando três temporadas no Heerenveen, da Eredivisie. Para a época 2025/26, comprometeu-se com os polacos do Pogon Szczecin, clube sediado junto ao Mar Báltico.

25. MUSTAFA SAADOON


Data de nascimento: 25 de maio de 2001

Clube: Al-Shorta

Posição: Lateral-direito

Licenciado universitário

Após uma eliminação precoce na Taça do Golfo no Kuwait, no final de 2024, o então selecionador do Iraque, Jesús Casas, veio a público defender os seus jogadores das críticas, especialmente um dos mais jovens, Mustafa Saadoon. Os adeptos tinham colocado ao lateral-direito a alcunha de «Rua Saadoon», por entenderem que aquele corredor da defesa iraquiana estava escancarado para os adversários explorarem. «É muito fácil ser um homem gordo sentado em frente à televisão a falar mal dos nossos jogadores», atirou Casas. «O Mustafa é um excelente jogador, é jovem e todos os jogadores cometem erros — no Iraque, no Real Madrid, na Argentina, em todas as equipas do mundo». Saadoon provém da localidade de Al-Nahrawan, a 35 km da capital iraquiana, e trabalhou arduamente para chegar ao patamar em que se encontra, num dos maiores clubes do país, o Al-Shorta. Quando começou, conciliava os estudos com o trabalho numa fábrica de tijolos enquanto jogava, conseguindo vir a licenciar-se na universidade. Após progredir dos escalões secundários até à Iraq Stars League, afirmou-se na seleção principal e participou nos Jogos Olímpicos de 2024.

15. AHMED YAHYA


Data de nascimento: 1 de julho de 1995

Clube: Al-Shorta

Posição: Lateral-esquerdo

Yahya é o primeiro jogador natural de Basra a marcar presença num Mundial. O possante lateral de 1,87m, natural do distrito de Tanouma, deu os primeiros passos no Al-Masafi Al-Janoub e seguiu depois para o clube mais antigo da cidade, o Al-Minaa, no escalão principal do Iraque. Ao mudar-se para Bagdade para assinar pelo Al-Shorta, conquistou o reconhecimento internacional, estreando-se contra o Kuwait na sua cidade natal, no primeiro jogo de Jesús Casas como selecionador. Na sua primeira titularidade em jogos oficiais, diante do Japão, na Taça da Ásia de 2023, em Doha, Yahya deu-se a conhecer ao assistir para o golo da vitória por 2-1. Em setembro de 2024, o lateral-esquerdo mediu forças com Sadio Mané, do Al-Nassr, num jogo da Liga dos Campeões Asiática em Bagdade, uma cidade que ainda sofre apagões elétricos ocasionais. Um jornalista gracejou que o defesa cortara a corrente ao extremo senegalês no empate a uma bola. «Gosto sempre de jogar com honestidade, mas ali simplesmente não consegui», explicou Yahya mais tarde. «Tornou-se uma questão de dever nacional, tive de jogar de forma dura com ele.»

23. MERCHAS DOSKI


Data de nascimento: 7 de dezembro de 1999

Clube: Viktoria Plzen

Posição: Lateral-esquerdo

Antigo trolha

No momento em que este requintado lateral-esquerdo nascido em Hanôver, com raízes em Zakho, foi integrado na equipa, todos perceberam que se tornaria uma peça-chave. Merchas, que significa «cavaleiro corajoso» em curdo, foi selecionado numa primeira fase pelo selecionador olímpico Miroslav Soukup. Após participar na Taça da Ásia de Sub-23, em Tashkent, em 2022, numa altura em que se encontrava sem clube, realizou testes nos checos do FC Slovacko graças aos contactos de Soukup. Bastaram seis dias para garantir um contrato e estrear-se nas competições europeias. Apenas três anos antes, jogava em regime amador no quinto escalão da Alemanha e trabalhava como trolha. Com a sua reputação em crescendo, Doski assinou mais tarde pelo Viktoria Plzen e disputou a Liga Europa. Na seleção do Iraque, encaixou como se jogasse ali há anos, concretizando um dos sonhos de uma vida. «O caminho para chegar aqui não foi fácil. Mas um Mundial — esse é o sonho de qualquer criança. Qualquer miúdo que jogou na rua, como eu joguei, via os grandes jogadores num Mundial.»

26. FRANS PUTROS


Data de nascimento: 14 de julho de 1994

Clube: Persib Bandung

Posição: Defesa/Médio

Ambos os seus pais são naturais de Bagdade, cidade onde também nasceram os seus dois irmãos mais velhos. Frans é o único elemento da família que nasceu na Dinamarca, na cidade de Aarhus, onde iniciou a carreira ao serviço do AGF. Contudo, numa altura em que alinhava na Superliga dinamarquesa pelo Silkeborg e merecia chamadas aos sub-21 da Dinamarca, viveu «meio ano de inferno» devido a diferendos com o seu empresário, vendo-se subitamente sem clube. Reergueu a carreira no Fredericia, do segundo escalão, onde reencontrou o técnico Jesper Sørensen, antes de rumar ao estrangeiro para jogar na Tailândia e na Indonésia. Inicialmente lateral-direito, Putros desenvolveu a polivalência para atuar como defesa-central e no miolo. Quando ingressou na seleção iraquiana em 2018, disputou os seus três primeiros jogos como lateral-esquerdo e teve de esperar três anos até ser titular na sua posição natural. Na Taça da Ásia de 2023, em Doha, recolheu rasgados elogios pela exibição na vitória por 2-1 do Iraque sobre o Japão, após uma surpreendente titularidade no meio-campo.

16. AMIR AL-AMMARI


Data de nascimento: 27 de julho de 1997

Clube: Cracovia (Polónia)

Posição: Médio

Líder

Um verdadeiro líder, este médio poliglota fala árabe, inglês e sueco, servindo de ponte para quebrar as barreiras linguísticas num grupo que conta com um forte contingente oriundo da Escandinávia, região onde muitos iraquianos se estabeleceram após décadas de conflito. Al-Ammari é um desses exemplos. Os seus pais conheceram-se no Kuwait e deixaram o país após a Guerra do Golfo de 1991 para se fixarem na Suécia, onde o jogador nasceu. Após abdicar do futebol durante um ano, Al-Ammari encontrou estabilidade no Halmstad, do escalão principal sueco. Nesse mesmo ano, Dick Advocaat convocou-o para um jogo crucial de qualificação para o Mundial contra a Coreia do Sul, assinando uma grande exibição no empate a zeros que valeu um ponto precioso em Seul. Desde então, o jogador de 28 anos tornou-se indiscutível no Iraque, convertendo a dramática grande penalidade aos 17 minutos de compensação frente aos EAU, que carimbou o acesso ao play-off intercontinental em Monterrey. O atleta revelou que não teve tempo para festejos, uma vez que tinha um voo de regresso à Polónia, onde alinha pelo Cracovia: «Estava a caminho do aeroporto, no banco de trás do carro, sentado a comer gifflar [pequenos bolos de canela suecos].»

20. AIMAR SHER


Data de nascimento: 20 de dezembro de 2002

Clube: Sarpsborg

Posição: Médio

Quando Sher se estreou na seleção iraquiana, foi a concretização de um momento há muito ansiado pelo médio: representar o país onde nasceu. Batizado em homenagem a Pablo Aimar, antigo internacional argentino e jogador do Valência, Sher nasceu em Kirkuk mas mudou-se para a Suécia com apenas quatro anos, tornando-se mais tarde o mais jovem de sempre a estrear-se pelo Hammarby na Allsvenskan, com 16 anos e nove meses. Com apenas 20 anos, garantiu uma transferência de 1,5 milhões de euros para os italianos do Spezia, mas a sua carreira estagnou em Itália, vivendo longe da família pela primeira vez na vida e sem dominar a língua. Não conseguiu ambientar-se à Ligúria, somando apenas uma presença na Serie A. No final da época 2022/23, rescindiu com o Spezia por mútuo acordo. Passou quase quatro meses sem clube, um período que considerou o mais importante da sua carreira. «Foi uma excelente lição, porque o futebol é mesmo assim, tem altos e baixos. Cresci imenso, não só como futebolista mas também como ser humano.»

19. KEVIN YAKOB


Data de nascimento: 10 de outubro de 2002

Clube: AGF

Posição: Médio

Espírito positivo

Yakob, cujo segundo nome é Enkido — uma figura da antiga mitologia mesopotâmica —, manteve sempre fortes ligações ao país de onde o seu avô emigrou em 1971. Começou no Assyriska (clube sueco fundado em 1974 por imigrantes assírios) e depois no Häcken, equipa que a lenda do futebol iraquiano Youra Eshaya chegou a orientar. Yakob estreou-se finalmente pelo Iraque contra a Colômbia em 2023, mas esteve apenas 15 minutos em campo, sofrendo uma rotura de ligamentos cruzados que o afastou dos relvados durante meses, mantendo-se ainda assim otimista. «Um sonho tornado realidade terminou da pior maneira. Infelizmente, sofri uma lesão nos ligamentos cruzados, mas farei tudo o que estiver ao meu alcance para regressar com a graça de Deus». O jogador já passara pelo mesmo cenário, tendo rompido os ligamentos cruzados do mesmo joelho aos 18 anos. Esse infortúnio acontecera escassos nove meses após uma estreia com golo na Allsvenskan. Yakob era considerado uma das maiores promessas da Suécia, mas a lesão travou a sua progressão. Aos 22 anos, teve de passar por tudo novamente e, 643 dias depois, regressou à competição, estando em campo em Monterrey para guiar o Iraque ao Mundial e coroar um regresso extraordinário ao futebol.

24. ZAID ISMAIL


Data de nascimento: 3 de janeiro de 2002

Clube: Al-Talaba

Posição: Médio

Um dos novos rostos integrados na estrutura da seleção por Graham Arnold. O técnico australiano precisou de apenas 15 minutos para se decidir em relação ao médio-defensivo de 24 anos, após observá-lo num jogo da Iraq Stars League, questionando de imediato o diretor da equipa pelo nome do número 6 do Al-Talaba. Conquistou a primeira chamada na Taça Árabe no final do ano passado. Após a estreia na vitória por 2-1 sobre o Bahrein, Arnold chamou o jogador em privado e garantiu-lhe que integraria a comitiva para o jogo do play-off em Monterrey. Fiel à sua palavra, Ismail viajou para o México e entrou para os últimos 38 minutos, assinando interceções cruciais no triunfo sobre a Bolívia. Ao apito final, o jogador dedicou o apuramento do Iraque para o Mundial ao seu falecido pai, um suboficial dos serviços de informação que foi assassinado em 2006 durante a violência sectária que eclodiu no país após a invasão liderada pelos EUA, deixando uma jovem viúva e três filhos, dos quais Zaid era o mais novo, com apenas quatro anos na altura.

8. IBRAHIM BAYESH


Data de nascimento: 1 de maio de 2000

Clube: Al-Dhafra

Posição: Médio

Divide opiniões

Ibrahim Bayesh é uma espécie de enigma. Foi outrora descrito pelo antigo selecionador do Iraque, Srecko Katanec, como o jogador com melhor condição física de toda a liga iraquiana, e todos os técnicos que assumiram o comando do Iraque o escolheram como titular indiscutível. Contudo, talvez devido ao seu estilo de jogo muito vertical (mais pragmático do que propriamente criativo) e à forma como se comporta fora das quatro linhas, Bayesh não colhe a simpatia unânime dos adeptos. É um operário incansável e combativo que já desempenhou quase todas as funções pelo Iraque desde a sua estreia em 2017, com exceção das de guarda-redes, lateral-esquerdo e defesa-central. O atleta, com 74 internacionalizações à data em que este texto foi escrito, continua a ser uma escolha regular, apesar dos clamores públicos para a sua exclusão, sendo que as suas recentes declarações sobre a chamada de jogadores naturalizados ou nascidos no estrangeiro sob o comando de Jesús Casas não terão caído bem junto dos adeptos. Bayesh afirmou que existiam «jogadores vindos de fora do Iraque que chegam e não querem saber da seleção nacional», acrescentando que alguns gozavam de tratamento preferencial, apontando esse facto como o motivo para falharem o apuramento direto no seu grupo de qualificação, com a chamada de atletas que nunca vira antes na vida.

14. ZIDANE IQBAL


Data de nascimento: 27 de abril de 2003

Clube: Utrecht

Posição: Médio

Formado no Manchester United

Antes da estreia de Iqbal, um jornalista ouviu do adjunto de Dick Advocaat que o técnico neerlandês entendia que, de todos os jovens jogadores, apenas Iqbal, na altura nos quadros do Manchester United, estava preparado para a seleção AA. É uma frase que resume perfeitamente o futebolista. Com o nome de Zidane, sempre carregou uma enorme expectativa de corresponder ao legado, progredindo nas escolas de formação do United desde os oito anos até se estrear na equipa principal em Old Trafford, num jogo da Liga dos Campeões em 2021. Nascido em Manchester, filho de pai paquistanês e mãe iraquiana natural da cidade de Samawah, Iqbal tornou-se o mais jovem de sempre a representar o Iraque numa qualificação para o Mundial, com 18 anos, ao saltar do banco nos minutos finais de um desaire por 1-0 frente ao Irão, sob o comando do sucessor de Advocaat, Zeljko Petrovic. Está finalmente a afirmar-se no grupo, somando 22 jogos e dois golos à data em que este texto foi escrito, incluindo o golo solitário da vitória sobre a Indonésia nos play-offs em Jidá. «Foi uma loucura quando marquei, estava toda a gente a gritar, mas não estou a mentir: consegui ouvir o grito da minha mãe.»

21. MARKO FARJI


Data de nascimento: 16 de março de 2004

Clube: Venezia

Posição: Extremo

Criança prodígio

Em outubro de 2025, quando questionado sobre o que tinha feito durante a paragem para os compromissos internacionais, Farji deu uma resposta algo desinteressada: «Comi até ficar gordo... e dormi que nem um morto». Foi uma demonstração de frustração por parte do extremo nascido em Grimstad, cujas oportunidades na seleção do Iraque escasseavam. Mas Farji, ou Faraj como é conhecido em árabe, manteve-se paciente e acabou por assistir para o golo da vitória do Iraque no decisivo play-off de apuramento para o Mundial, escassos 68 segundos após saltar do banco de suplentes. «É uma loucura. É uma sensação fantástica», confessou à estação norueguesa TV2. «É um sonho. É completamente absurdo, mas parece estranho cruzar-me com a Noruega [no Grupo I], o local onde cresci e de onde venho. Estou entusiasmado», acrescentou o antigo jogador do Strømsgodset, agora ao serviço do Venezia, emblema pelo qual alinhará na Serie A na próxima temporada. Farji foi uma espécie de criança prodígio que, aos 11 anos, realizou uma semana de testes no Manchester City e, dois anos mais tarde, treinou num estágio do Ajax. Por trás do seu percurso esteve sempre um pai ambicioso, engenheiro civil originário da cidade de Sulaymaniyah que, desde cedo, vislumbrou o verdadeiro potencial do filho.

17. ALI JASSIM


Data de nascimento: 20 de janeiro de 2004

Clube: Como

Posição: Extremo

Pode decidir um jogo

Um dos talentos mais brilhantes de toda a Ásia, Jassim tem a capacidade de iluminar uma partida com um momento de magia, algo que contudo não tem rubricado nos tempos mais recentes. O seu talento em bruto foi evidente desde muito cedo, estreando-se pelo Al-Karkh com apenas 14 anos. Pouco depois o pai faleceu, deixando Jassim e o irmão mais velho, Abbas — também futebolista — como os principais sustentáculos financeiros da família. Um diamante por lapidar, cresceu sob a orientação de Luay Salah no Al-Kahrabaa. Aos 19 anos, guiou o Iraque à fase final do Mundial de Sub-20 de 2023 e foi de imediato promovido à seleção principal, apontando mais tarde o golo da vitória que apurou o Iraque para os Jogos Olímpicos de 2024. No mesmo dia em que Jassim marcou o golo do triunfo no jogo de estreia do Iraque nos Jogos Olímpicos, frente à Ucrânia, assinou pelo Como. «Acreditamos que o Jassim pode evoluir connosco», destacou Cesc Fàbregas. Contudo, após apresentar-se tarde na pré-época devido aos Jogos Olímpicos, disputou apenas oito minutos na Serie A e, frustrado pela falta de tempo de jogo, rumou por empréstimo aos neerlandeses do Almere City em 2024/25 e, posteriormente, aos sauditas do Al-Najma.

7. YOUSSEF AMYN


Data de nascimento: 21 de agosto de 2003

Clube: AEK Larnaca

Posição: Extremo

Aos 16 anos o extremo nascido em Essen viajou até Bagdade para realizar testes na seleção sub-19 do Iraque, mas o técnico optou por não o selecionar por entendê-lo demasiado jovem. O jogador, cuja mãe costumava contar que ele pontapeava uma bola antes mesmo de conseguir caminhar direito, não se deixou abater, isto após passar por uma rejeição semelhante por parte de um dos seus treinadores na formação do Borussia Dortmund, que considerou o extremo demasiado baixo. Amyn respondeu da única forma que sabia: no relvado. Ingressou no Viktoria Köln, tornando-se o mais jovem de sempre a alinhar pelo clube, aos 17 anos, e representou os sub-19 da Alemanha, faturando logo no jogo de estreia. Com a Federação Iraquiana focada em recrutar talento na Europa, foi um dos novos rostos selecionados. Doze minutos após saltar do banco para se estrear no primeiro jogo do Iraque na qualificação para o Mundial de 2026, em Basra frente à Indonésia, Amyn marcou. «É uma sensação tão especial jogar pelo teu país e depois marcar um golo — ainda para mais num jogo de qualificação para o Mundial.»

11. AHMED QASIM


Data de nascimento: 12 de julho de 2003

Clube: Nashville

Posição: Médio-ofensivo/Extremo

No ano passado, o extremo-direito de pé esquerdo mudou-se para a MLS para representar o Nashville numa transferência de 4,2 milhões de dólares, medindo forças com Luis Suárez, Thomas Müller e o seu herói de infância, Lionel Messi. «Se me dissessem isto há 10 anos, não teria acreditado. Ele é o meu ídolo», confessa. O nome de Qasim era associado à seleção do Iraque há já algum tempo, após confirmar-se a sua elegibilidade através da mãe, natural da cidade de Mossul. O pai nasceu no Kuwait, ao passo que os avós paternos eram de origens jordanas e palestinianas. Nascido na Suécia, estreou-se na equipa principal do clube local Motala com apenas 15 anos. Aos 17 transferiu-se para o Elfsborg, no escalão principal, merecendo chamadas às seleções jovens da Suécia, pelas quais representou os sub-17, sub-19 e sub-21. Foi recentemente questionado sobre as ambições internacionais. «Estive no México e senti o carinho dos adeptos iraquianos. Quer jogue muito, quer jogue pouco, eles apoiam-me sempre. Sinto o amor do povo e espero um dia conseguir retribuir». Duas semanas mais tarde, recebeu o seu passaporte iraquiano em Detroit.

18. AYMEN HUSSEIN


Data de nascimento: 22 de março de 1996

Clube: Al-Karma

Posição: Avançado

Superou a tragédia

Hussein é um futebolista notável com uma história de vida impressionante. É natural de Hawija, que se transformou numa das regiões mais instáveis do mundo após a invasão do Iraque liderada pelos EUA, em 2003. O pai foi assassinado pela Al-Qaeda em 2008 e, em 2014, o irmão foi raptado pelo Daesh, sendo dado como morto uma vez que o seu paradeiro permanece desconhecido. Foi sob este cenário dramático que o avançado iniciou a sua carreira nos relvados. Desde a estreia na seleção principal em 2015, o trajeto de Hussein no Iraque tem sido pautado pela instabilidade. Enfrentou duras críticas dos adeptos e da comunicação social pela escassez de golos. Numa determinada ocasião, o seu treinador invadiu o relvado para dar ordens expressas ao avançado para não cobrar um penálti. Contudo, figura agora como um dos cinco melhores marcadores de sempre do Iraque com 33 golos apontados à data em que este texto foi escrito, sendo o mais recente o golo da vitória sobre a Bolívia que qualificou o Iraque para o seu primeiro Mundial em 40 anos.

10. MOHANAD ALI


Data de nascimento: 20 de junho de 2000

Clube: Dibba

Posição: Avançado

Quando Ali, também conhecido por «Mimi», despontou na Taça da Ásia de 2019, muitos vaticinaram que se tornaria o maior avançado de sempre do Iraque, mas o trajeto não correu conforme as expectativas. Após guiar o Al-Shorta ao seu primeiro título da liga iraquiana em seis anos, recolheu abordagens da Juventus, Manchester City e Benfica, mas o clube optou por negociar uma transferência de 2 milhões de dólares para os cataris do Al-Duhail, recebendo inclusivamente um autocarro novo para a equipa como parte do negócio. Embora a transferência lhe tenha permitido adquirir habitação para a família, não conseguiu fixar-se no Qatar, somando passagens por empréstimo pelo Al-Sailiya, Portimonense e Aris de Salónica. Jogou muito pouco futebol durante esta etapa devido a duas roturas de ligamentos cruzados, que o afastaram dos relvados por dois anos. Regressou ao Iraque reencontrando o faro pelo golo no Al-Shorta, antes de se transferir na última temporada para o Dibba, nos Emirados Árabes Unidos.

9. ALI AL-HAMADI


Data de nascimento: 1 de março de 2002

Clube: Ipswich

Posição: Avançado

Histórico

Quando Al-Hamadi se estreou pelo Iraque, num jogo de qualificação para o Mundial, aos 19 anos, o avançado nascido em Maysan e criado em Liverpool tomara a decisão mais audaz da carreira ao deixar o Swansea em busca de jogar com regularidade no escalão sénior. A aposta revelou-se certeira, uma vez que ingressou mais tarde no Ipswich e transformou-se no primeiro jogador iraquiano a atuar na Premier League. O seu trajeto rumo ao topo do futebol inglês, passando pelo Wimbledon e pelo Wycombe, demonstrou o seu faro pelo golo, mentalidade, ambição e caráter. A sua carreira na seleção conheceu até ao momento vários altos e baixos. Após conquistar finalmente a titularidade, foi substituído decorridos apenas dois minutos de jogo devido à expulsão de um colega de equipa. Al-Hamadi enfrentou depois um período de paragem por lesão e viu o cartão vermelho direto no jogo de estreia de Graham Arnold. Entrando e saindo das opções devido a problemas físicos, assinou um regresso emotivo com golo em Monterrey, cabeceando para o fundo das redes o golo inaugural no triunfo do play-off frente à Bolívia.

13. ALI YOUSEF


Data de nascimento: 19 de janeiro de 1996

Clube: Al-Talaba

Posição: Avançado

Um dos raros jogadores que já representou os quatro grandes clubes de Bagdade, Yousef alinha atualmente pelo Al-Talaba, conhecido como o «clube dos estudantes». O avançado de 30 anos lutou para regressar aos relvados após uma cirurgia ao joelho no ano passado, merecendo uma nova chamada à seleção sob a orientação de Graham Arnold. Sofrera a grave lesão escassos quatro dias após saltar do banco no desaire por 2-1 frente à Palestina, em Amã, na qualificação para o Mundial, travando uma sequência encorajadora de internacionalizações. O avançado fora um dos novos rostos integrados na equipa após um arranque desastroso na campanha de apuramento para o Mundial de 2022. Formou-se nas escolas jovens do Al-Quwa Al-Jawiya, chegando à equipa principal com 18 anos. Os adeptos colocaram-lhe a alcunha de «The Don» devido a uma ligeira parecença física com Cristiano Ronaldo, isto antes de rumar ao Al-Zawraa e ao Al-Shorta. Um avançado calmo e frio na finalização, Yousef tem a capacidade de atuar como referência central do ataque ou descaído para os corredores.

Textos de Hassanin Mubarak. Estes textos foram escritos no âmbito da Guardian Experts' Network, a rede de troca de conteúdos para o Mundial 2026, liderada pelo jornal inglês The Guardian e que tem A BOLA como representante português, e foram traduzidos com recurso a Inteligência Artificial.

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