Manzambi deu a volta ao jogo de Los Angeles - Foto: IMAGO

Mundial 2026: filão Manzambi estava escondido no banco suíço (crónica)

Jogo estava sem rasgo, mas tudo mudou aos 70 minutos. Murat Yakin lançou Manzambi e o jovem médio resolveu a questão contra a Bósnia de Dedic: bisou e ainda gizou outro golo. João Pinheiro mostrou vermelho e assinalou grande penalidade na vitória helvética, por 4-1

Quem diria que um jogo outrora enfadonho, que parecia correr na direção de novo empate no Grupo B, acabaria em goleada? Os que viram a primeira parte dificilmente adivinhariam tal desfecho, mas, à boa maneira helvética, o ouro estava guardado no banco. Murat Yakin foi sagaz ao vê-lo luzir, sob a forma de Ruben Vargas e, principalmente, Johan Manzambi. O médio do Friburgo, de apenas 20 anos, tem aquele lado selvagem de que o futebol atual tanto precisa e levou-o para dentro de campo para... resolver.

Contra uma Bósnia sofrível em ataque organizado — Dedic, lateral do Benfica, voltou a ser titular —, a Suíça teve (quase) sempre mais bola, mas daí a desatar o nó ia uma longa distância. Tudo mudou aos 71 minutos, ainda com o nulo no placar. De uma só vez, Yakin mudou três peças. Três minutos volvidos, surgiu o 1-0. Após lance de insistência, Manzambi nem deixou a bola cair e, em vólei, atirou para o 1-0. Vasilj ainda tocou, mas deve ter ficado com a mão em brasa...

Tudo ficaria pior para a turma de Sergej Barbarez aos 80': Muharemovic travou a marcha de Embolo, que ia isolar-se, e João Pinheiro — em estreia no Mundial — expulsou o central bósnio. Logo depois, Manzambi arrancou, deu para Embolo e o avançado endossou para o remate colocado de Ruben Vargas, outra cartada acertada do selecionador suíço. O extremo voltaria a brilhar aos 90'. Solicitado por Xhaka, sempre certeiro no passe, penetrou pela canhota e serviu, de bandeja, Manzambi. Três golos em 16 minutos e tudo resolvido em Los Angeles.

Mas não estava acabado. Num derradeiro grito, Mahmic, à bomba e na ressaca de um canto, anotou o tento de honra da Bósnia e Herzegovina. Só que a Suíça ainda voltaria a marcar. Pinheiro apontou para a marca de penálti; na conversão, Xhaka não perdoou. Os helvéticos têm pé e meio nos 16 avos. Os balcânicos estão em apuros, mas vivos. Ainda vão defrontar o Qatar...

Melhor em campo: Johan Manzambi (8)

Que entrada de leão! Num jogo amarrado, pedia-se alguém capaz de pegar na bola e de dar um abanão. O médio do Friburgo, de apenas 20 anos, nem pensou duas vezes: além dos dois golos que marcou, participou noutro e provou que esta Suíça ganha outra dimensão com ele em campo. Murat Yakin terá (finalmente) percebido isso...

A figura da Bósnia e Herzegovina: Alajbegovic (6)

Numa seleção que vive do contragolpe e do perigo criado através de bolas paradas, só o jovem extremo foi capaz de dar alguma criatividade a partir da esquerda, ainda que sem efeitos de maior. Tem apenas 18 anos e quem esfrega as mãos é o Bayer Leverkusen, que foi resgatá-lo ao Salzburgo. Promete!

As notas da Suíça

Kobel (6); Widmer (5), Akanji (6), Elvedi (6) e Ricardo Rodríguez (6); Granit Xhaka (7), Remo Freuler (6) e Aebischer (5); Dan Ndoye (6), Embolo (6) e Fabian Rieder (4)

Suplentes utilizados: Manzambi (8), Ruben Vargas (7), Djibril Sow (6), Jaquez (5) e Cédric Itten (5)

As notas da Bósnia e Herzegovina

Vasilj (5); Dedic (4), Katic (4), Muharemovic (3) e Kolasinac (5); Alajbegovic (6), Tahirovic (4), Sunjic (4) e Memic (5); Demirovic (5) e Edin Dzeko (5)

Suplentes utilizados: Basic (4), Bajraktarevic (5), Jovo Lukic (4), Hadziahmetovic (4) e Mahmic (5)

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