Froholdt em ação frente ao Torreense, na Supertaça - Foto: Manuel Fernando Araújo/LUSA
Froholdt em ação frente ao Torreense, na Supertaça - Foto: Manuel Fernando Araújo/LUSA

E se o lesionado fosse Froholdt?

Em vez de Bednarek, podia ter sido o dinamarquês a lesionar-se por causa do relvado. Que consequências teria este amadorismo? E assim começou a nova temporada…

A época 2026/27 começou da mesma maneira como terminou 2025/26: o FC Porto a vencer um título, Froholdt eleito o melhor jogador da equipa e o Torreense a mostrar que não é um epifenómeno. No plano meramente pertencente ao jogo, a Supertaça deu-nos uma partida interessante, muito por culpa de uma equipa que apesar de não ter o favoritismo do campeão nacional voltou a impor-se frente a um grande, tal como o fez brilhantemente diante do Sporting, com a consequente e histórica conquista da Taça de Portugal - vale muito a pena acompanhar de perto o trajeto da formação do Oeste não apenas na Liga 2, mas fundamentalmente na Liga Europa, não jogando no seu estádio (será em Leiria), é certo, mas pelo menos não tendo de passar pela aberração de ir para o Algarve, tal como chegou a ser equacionado.

Mas este foi também um encontro marcado por um contexto que nada dignifica o futebol português. A menos de 24 horas do pontapé de saída em Coimbra ainda não havia a certeza de que haveria árbitro, como consequência do boicote anunciado pela classe de juízes na sequência dos áudios de Pedro Proença, e o relvado deixava preocupações em todos os protagonistas.

Quanto ao primeiro caso, o presidente da Federação Portuguesa de Futebol lá apagou o incêndio numa reunião em Tomar com os árbitros (resta saber que novas frentes se vão abrir nos próximos tempos), mas no segundo nem a operação estética de pintar de verde as abertas no tapete do Municipal deu para disfarçar a imagem de amadorismo para dentro e para fora: um troféu que abre a época desportiva em Portugal foi disputado num relvado mau.

Como sempre ocorre nestas circunstâncias, a responsabilidade andará sempre a correr de um lado para o outro, qual limpa pára-brisas, mas não andou longe de ter produzido danos patrimoniais consideráveis. Bednarek teve de ser substituído depois de ter visto a perna prender-se na relva. Mas vamos agora imaginar que em vez de um estiramento muscular teria sido uma rotura num tendão do tornozelo ou do joelho. Ou melhor: vamos imaginar que uma lesão grave não teria o central polaco como protagonista, mas Froholdt, um médio que voltou a decidir um jogo na ausência do acerto dos seus pontas de lança. Em pleno agosto, Francesco Farioli deve ter temido tanto pela saúde do seu melhor jogador como pela ânsia do clubes mais ricos da Europa. Safou-se da primeira, quanto à cobiça de mercado resta-lhe rezar para os scouts andarem a fazer vista grossa.

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