Mundial 2026: as mudanças nas leis de jogo confirmadas pela FIFA
Estavam anunciadas, agora estão confirmadas. A FIFA explicou esta segunda-feira, três dias antes do início do Mundial 2026, todas as alterações às leis de jogo que serão postas em prática já a partir do Campeonato do Mundo. Desde os castigos aos jogadores que tapam a boca em discussões às alterações ao VAR, que agora intervirá em segundos amarelos mal mostrados e em cantos, passando pelas medidas contra as perdas de tempo, diversas mudanças entrarão em vigor, de forma oficial, já neste Campeonato do Mundo.
Duas novas formas de ver vermelho
A 'Lei Prestianni', que foi amplamente discutida após os alegados insultos racistas do argentino do Benfica a Vinícius Jr., do Real Madrid, é uma das que já fará parte do código seguido pelos 170 árbitros, assistentes e membros do VAR que estarão em ação na prova. Agora, um jogador que tape a boca para falar com outro pode ver o cartão vermelho. Tal só se aplica, destaca a FIFA, em «situação de confronto», ou seja, dois companheiros de equipa podem continuar a falar com a boca coberta, por exemplo, no momento em que discutem a estratégia de uma bola parada.
A cartolina vermelha também pode agora ser mostrada a todos os que abandonem o relvado em protesto com decisões de arbitragem, assim como aos que os incentivem a fazê-lo (treinadores, dirigentes, etc.). A regra chega meses depois da polémica final da CAN, na qual os jogadores do Senegal deixaram o terreno de jogo após ser assinalada uma grande penalidade para Marrocos, já na compensação. Estes acabaram por regressar, Brahim Díaz falhou o penálti e, na compensação, a equipa senegalesa ganhou a competição, ainda que esta lhe tenha sido retirada 'na secretaria' devido a este abandono.
Medidas contra as perdas de tempo
Há várias novas medidas contra as tentativas de perder tempo. Nos lançamentos, o árbitro fará, com as mãos, uma contagem regressiva de cinco segundos. Se o jogador não colocar a bola em jogo ao fim desse tempo, será lançamento para a equipa adversária. O mesmo acontece nos pontapés de baliza, com a diferença de, ultrapassado esse período, ser canto para o conjunto oponente.
As substituições são uma das áreas que maior remodelação sofrem. Assim que a placa for exibida pelo quarto árbitro (ou, no caso de múltiplas alterações, assim que for identificada a última), o jogador que vai sair tem 10 segundos para abandonar o campo pelo ponto da linha, lateral ou final, do qual esteja mais próximo
Se não o fizer em 10 segundos, o substituído deixará na mesma o relvado, mas o atleta que ia entrar terá de esperar. A equipa ficará em inferioridade numérica durante, pelo menos, um minuto, podendo o substituto entrar, após autorização do árbitro, na primeira pausa depois de terminar esse período. Há exceções a esta regra, no caso de lesão de um jogador ou se a mudança for atrasada por razões de segurança. Esta lei já foi posta em prática num jogo particular do Japão, que, frente à Islândia, aproveitou o facto de Hlynsson demorar muito a deixar o relvado para, em superioridade numérica, fazer golo.
Também ficará um minuto fora de campo um jogador que necessite de assistência médica, mas também esta regra contempla várias exceções: tal não acontecerá em caso de lesão do guarda-redes, colisão entre guarda-redes e jogador de campo, problema físico considerado grave, especialmente se for na cabeça, uma lesão que resulte de ofensa física em que o adversário é sancionado ou expulso ou no caso de o jogador lesionado ser o batedor de uma grande penalidade.
Mudanças no VAR
Há três novos momentos em que o VAR poderá ser utilizado. Agora, o videoárbitro pode intervir em casos de um jogador ver o segundo amarelo, e consequente vermelho, de forma incorreta. O mesmo não acontece em situações inversas: o protocolo não prevê que haja correção caso o juiz da partida não mostre o segundo cartão quando tal podia acontecer.
O VAR também poderá ser chamado caso seja mostrado um cartão, amarelo ou vermelho, ao jogador errado, prevendo que se faça a correção para quem tenha cometido a infração. Finalmente, o videoárbitro pode corrigir a marcação de um canto, isto se, diz a FIFA, «a decisão puder ser imediatamente corrigida e sem atrasar o reinício do jogo». A organização deixa mais um esclarecimento: o videoárbitro pode ser utilizado para assinalar faltas antes do reinício do jogo em bolas paradas, se estas antecederem momentos de grande penalidade ou golo.
Está também confirmado que haverá, em todos os jogos, duas pausas para hidratação, aos 22 minutos de cada parte, cada uma com a duração de três minutos.
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