Lei Wenger do fora de jogo chumbada, mas VAR pode rever cantos
Arsène Wenger, antigo treinador do Arsenal e atual responsável pelo desenvolvimento global do futebol na FIFA, tinha um plano ambicioso para a lei do fora de jogo: o avançado só seria considerado em posição ilegal se estivesse com o corpo inteiro à frente do último defesa.
Admitia-se que a ideia fosse discutida na reunião de terça-feira do International Board (IFAB), organismo responsável pelas leis do jogo, mas as federações britânicas, que têm assento no IFAB, vetaram essa discussão. «Consideram a regra demasiado radical e temiam que pudesse causar o caos nas defesas», garantiu o jornal AS.
Mas houve decisões com tremendo impacto, nomeadamente no que diz respeito ao uso de videoarbitragem. O IFAB recusou alterar o protocolo, e as quatro circunstâncias em que o VAR deve intervir, mas admite exceções.
«Em relação ao protocolo do VAR, [o International Board] recomenda que a intervenção deve continuar limitada às quatro situação factuais que mudam o jogo (golos, penáltis, cartões vermelhos diretos e identidades erradas), mas com três extensões específicas que não abrandem o ritmo do jogo. Onde haja clara evidência factual, propõe-se que os videoárbitros possam rever cartões vermelhos que resultem de amarelos factualmente incorretos, assim como casos em que a equipa errada é punida com vermelho ou amarelo. Também se propõe permitir que as competições tenham a opção de deixar os videoárbitros rever se um pontapé de canto foi erradamente atribuído, desde que isso possa ser feito imediatamente e sem atrasar o reinício do jogo», lê-se no comunicado do IFAB.
Esta alteração ainda tem de ser aprovada na assembleia geral do International Board, a 28 de fevereiro, mas isso é praticamente uma formalidade. Fica assim aberta a porta para que no Mundial 2026 o VAR já possa corrigir a marcação errada de cantos, como era desejo de Pierliuigi Collina, chefe de arbitragem da FIFA.
Outro objetivo é agilizar o desenrolar dos jogos e reduzir as interrupções desnecessárias. Uma das soluções propostas é, por exemplo, um controlo mais rigoroso do tempo nos lançamentos laterais e na posse de bola pelo guarda-redes. «Se o tempo estabelecido for excedido e a bola não for colocada em jogo, a equipa adversária ganha a posse da bola» é uma das propostas da IFAB.