«Mourinho foi contratado para ganhar um troféu e foi despedido antes de uma final»
Gus Poyet, antigo jogador e treinador adjunto do Tottenham, recordou a natureza imprevisível de Daniel Levy, ex-presidente do clube, afirmando que é impossível saber se a sua presença teria evitado a atual crise que a equipa atravessa na Premier League.
O Tottenham encontra-se em risco de despromoção a sete jornadas do fim, e Poyet acredita que os problemas do clube não são apenas desta época. «Isto não é um acidente, o Tottenham terminou em 17.º na época passada e hoje está em 17.º», afirmou o uruguaio, em declarações ao Football London, mostrando-se preocupado com o futuro do seu antigo clube, que está apenas um ponto acima da zona de descida, ocupada pelo West Ham, orientado por Nuno Espírito Santo.
Levy deixou a presidência do clube londrino no ano passado, após quase 25 anos no cargo, na sequência de uma análise interna promovida pelos proprietários, a família Lewis. Contudo, a situação desportiva não melhorou. Poyet, que foi adjunto de Juande Ramos quando o Tottenham conquistou o seu último troféu antes da Liga Europa vencida por Ange Postecoglou, foi despedido por Levy, tal como o treinador principal.
Questionado sobre se Levy teria agido mais rapidamente para travar a queda da equipa esta temporada, sob o comando de Thomas Frank e agora de Igor Tudor, Poyet foi claro: «É difícil saber, porque o Daniel era sempre, sempre — e quero mesmo dizer sempre —, imprevisível».
Para ilustrar a sua imprevisibilidade, Poyet recordou um episódio marcante. «Despediu Mourinho uma semana antes da final, sendo que a ideia de contratar Mourinho era ganhar um troféu. Então, o que posso dizer? Ele era um presidente muito imprevisível. Fomos despedidos na noite anterior a um jogo, quando estávamos no hotel», contou. «O Tottenham jogava no domingo em casa, fomos para o hotel pernoitar com todo o plantel. Eu, o Juande Ramos e o Marcos Alvarez fomos despedidos às 22 horas. Mais imprevisível do que isto? Nem sequer havia rumores».
O antigo médio detalhou o momento: «Estive grande parte do dia à espera no meu quarto e recebi um telefonema a dizer para descer. Desci e fomos despedidos. Saímos do hotel com a bagagem e apanhámos um táxi para casa.»
Poyet também mencionou a forma como Levy geriu a saída de Dimitar Berbatov, que se arrastou até ao último minuto do mercado de transferências, prejudicando o arranque da equipa: «O Berbatov acabou por sair, mas não jogou connosco em agosto, não conseguimos ganhar um jogo e depois fomos despedidos. Que parte da culpa foi essa? Não sei, não vou culpar ninguém, mas não ajudou.»
Na opinião do uruguaio, a saída de Levy do clube foi perfeitamente calculada. «Ele é muito inteligente em sair na altura certa. Talvez tenha previsto o que aí vinha», sugeriu Poyet. «Este tipo de pessoas ao mais alto nível, acho que sabem qual é o momento certo para sair. Não ficam quando tudo está a desmoronar-se. Saem mesmo a tempo, e isso é uma qualidade, porque ele saiu no pior ano do Tottenham na Premier League em muito tempo, em 17.º, mas conquistou um troféu. Saiu como um vencedor», referiu.
Poyet acredita que o plantel atual do Tottenham está mais adaptado às competições europeias do que à Premier League, que se tornou «mais física, de duelos individuais e de lances de bola parada». O uruguaio confessou a sua preocupação crescente, especialmente após assistir a jogos recentes contra o Arsenal e o Forest, e alertou para a perigosa deslocação ao terreno do Sunderland.
«Desejo-lhes o melhor ao irem para o Stadium of Light neste momento, depois de terem vencido o dérbi», afirmou, destacando a complexidade da partida. «Não se trata apenas de jogar futebol; trata-se de correr, de lutar, de competir, de lidar com a pressão quando uma equipa ataca sem parar e os adeptos apoiam».
A exigência para o jogo é máxima, sendo necessário estar no ponto para um desafio que se perspetiva «duro». A responsabilidade pela permanência está, no entanto, totalmente do lado da sua equipa, uma situação diferente da que viveu no Sunderland.
«O mais importante, a única coisa em que consigo pensar, e que não me aconteceu quando estava no Sunderland, é que está nas vossas mãos. Depende de vocês. Se ganharem o mesmo número de jogos que o West Ham, então mantêm-se. Depois, veremos o que acontece nos próximos jogos.»