Mora-Gabri, o mercado de janeiro e o exemplo de Alarcón: tudo o que disse Farioli
O FC Porto defronta esta quinta-feira (20h45) o Famalicão, no Estádio do Dragão, em partida dos oitavos de final da Taça de Portugal. Na conferência de Imprensa de antevisão do encontro, Francesco Farioli não deu grandes pistas sobre o onze que vai apresentar no reencontro com os minhotos, mas vincou a importância de fazer uma gestão cuidada do plantel... e o desejo de chegar longe na prova-rainha do futebol português.
O FC Porto volta a medir forças com o Famalicão, agora para uma competição diferente, a eliminar. O que espera deste adversário, que já conhece?
—Mencionou o jogo que tivemos na Liga, mas também jogámos contra eles no verão, foi um dos nossos últimos jogos de preparação. Por isso, conhecemo-los bem e eles também nos conhecem bastante bem. Como disse, corretamente, vai ser um jogo de a eliminar, por isso tem, de certa forma, um sabor diferente. Sobre a minha expectativa em relação ao Famalicão, estou à espera que sejam um pouco mais agressivos do que foram no jogo do campeonato. Também porque é uma das equipas com maior percentagem de recuperação de bola no meio-campo adversário, estão em quinto lugar na Liga nesse parâmetro. Por isso, espero que venham fazer o que costumam fazer habitualmente. Acredito que vá ser um jogo bastante aberto, com duas equipas que querem passar à próxima fase.
Há hipótese de o Rodrigo Mora e o Gabri Veiga serem titulares no meio-campo?
—É uma possibilidade. Não lhe vou dizer a percentagem [risos]. O Rodrigo já jogou na posição entre 8 e 10, jogou como extremo e fez cerca de 30 minutos como falso 9. Portanto, há a possibilidade de vê-los juntos em campo. De início, ou talvez durante o jogo. Temos de estar abertos a todos os cenários.
Vai ser preciso dar mais neste jogo do que no duelo do campeonato?
—Consigo imaginar que, para eles, tal como para nós, é um objetivo chegar à final e ganhar a competição. É uma equipa que, como referi antes de jogar contra eles em novembro, aprecio verdadeiramente pela forma como são taticamente organizados, graças ao trabalho do treinador. Acho que têm muito claro o que querem fazer, tanto em posse como sem bola. Sobre este jogo, dependerá muito da abordagem deles. Como virão jogar ao Dragão, se serão um pouco mais corajosos na forma como virão pressionar um pouco mais alto, ou se farão outro jogo mais recolhidos. De acordo com o plano que eles colocarem em prática, cabe-nos encontrar a solução certa e estarmos sempre ligados. Também pela forma como o jogo pode começar e, especialmente, como o jogo pode decorrer nos 90 minutos ou até mais, se necessário.
Gerir a equipa neste jogo é uma dificuldade acrescida, por ser a eliminar? E, já agora, podemos contar com Cláudio Ramos na baliza?
—Não vou entrar em casos individuais. Vou focar-me mais na primeira parte da sua pergunta, que é sobre a gestão de uma época longa. Repito-me no facto de que, para nós, sendo um clube desta dimensão, entramos em todas as competições com o desejo de chegar ao fim das mesmas e de competir por títulos. E se esse for o caso, como podem imaginar, significa que é preciso ganhar jogos. A realidade é que tens de gerir, porque a época é longa, mas não podes gerir demasiado, porque precisas de ter um onze muito competitivo e jogadores prontos para começar e para entrar no jogo. A realidade é que temos um plantel que, na minha opinião, é bastante equilibrado. À parte, claro, das posições onde, devido a duas lesões de contacto, perdemos dois jogadores muito importantes como o Nehuén e o Luuk. Todos os outros, até agora, não tiveram grandes problemas. Claro que, numa época longa, pode acontecer haver uma contusão ou um pequeno problema muscular, mas, no geral, a capacidade do jogador para estar pronto para jogar é muito alta. Pelos números que estava a verificar há uns dias, está acima dos 92%. E é um dado louco se compararmos com o calendário que temos e também com o facto de o FC Porto ter jogado o Mundial de Clubes, que é um fator pesado no que está a acontecer. Por isso, nesta parte, é muito boa a oportunidade de poder alternar jogadores, de gerir o grupo desta forma, de fazer algumas mudanças ou muitas mudanças, de acordo com as necessidades. Mas, no fim de contas, vai dar ao mesmo: como os jogadores estão a trabalhar durante a semana, o tipo de confiança que me estão a dar para tomar certas decisões, para dar oportunidade aos jogadores constantemente, para mudar o onze inicial ou para manter os que lá estão. Acho que isso é ótimo e se quisermos continuar e melhorar no nosso caminho. Acredito verdadeiramente que vai ser um dos principais fatores.
Ainda não vimos Kiwior e Prpic atuarem em simultâneo. Não é adepto de ter dois centrais esquerdinos?
—Honestamente, não sou um grande fã de ter dois pés esquerdos na defesa, mas talvez seja mais uma ideia que tenho na minha cabeça. É uma possibilidade que estamos a considerar, porque para o próximo jogo teremos o Bednarek suspenso. Por isso, é o momento de todos estarem prontos. Já mencionei diferentes possibilidades: o Pablo [Rosario] poder jogar a central, a opção de jogar com dois centrais de pé esquerdo... E deixem-me dizer, o Dominik [Prpic] é um jogador que está a jogar menos do que o Kiwior, mas sempre que esteve em campo fez grandes exibições. É um jogador que é adorado pelos adeptos pelo seu caráter, pela sua forma de se expressar em campo. É um soldado. Por isso, tenho a certeza de que ele vai ter as suas oportunidades muito em breve e estará pronto para defender a equipa da forma que precisamos.
Tem chamado o João Teixeira com frequência aos treinos da equipa principal. É o jogador da equipa B mais próximo de ter uma oportunidade?
—Estou sempre aberto a ver o que acontece na equipa B e até abaixo [sub-19]. Desenvolver talento é vital para o clube, é um fator-chave. Estamos muito ligados nesse aspeto, seguimos todas as atividades, temos elementos no staff técnico a fazer a ligação entre os patamares, a recolher e a partilhar informação. Sobre o João [Teixeira] estou impressionado, tem um perfil interessante. Joga no meio-campo, tem capacidade técnica e até algumas caraterísticas físicas de jogador de corredor, é muito explosivo. E tem uma boa dimensão física. Ele, o Bernardo [Lima] e os outros que estão a sonhar com a equipa principal, têm de ter algo bem presente: todos têm de trabalhar. E, quando voltam ao nível abaixo, têm de ser exemplos. Tenho de mencionar a evolução do Ángel Alarcón, que chegou e, na pré-época, não estava pronto para o nosso ritmo. Voltou à equipa B ao fim de um dia e, a dada altura, senti que a oportunidade que estava lá. Numa semana, não imaginam como a mentalidade dele melhorou, o clique que teve. Pode ajudar-nos, sem dúvida, com grande impacto de início ou a entrar no jogo. Tudo está alinhado para que possa ter uma carreira brilhante.
É obrigatório ir ao mercado em janeiro?
—Repito números que já disse antes: termos os jogadores preparados para jogar acima dos 90% é incrível. Tem a ver sobretudo com o profissionalismo dos jogadores e como o departamento médico os está a recuperar. São fatores-chave para um possível sucesso. Tivemos a lesão de De Jong, que foi dramática, do Nehuén Pérez, do Gabri Veiga há dias... Hoje em dia, uma pequena lesão pode fazer perder dois ou três jogos, porque quase não há tempo entre partidas. Com o clube estamos a trabalhar de perto para perceber, de acordo com as possibilidades, o que podemos fazer. Temos a ambição de fortalecer a equipa e torná-la mais equilibrada em algumas posições. Estamos onde estamos com estes jogadores. É algo que não devemos esquecer. Também é uma mensagem. Quem vier tem de vir com três coisas: a mentalidade certa, o desejo de ajudar e colocar o interesse do clube acima do pessoal. Se tudo se conjugar, teremos as características ideais para ajudar o clube.
O sorteio ditou que o FC Porto pode defrontar o Benfica nos quartos de final da Taça. É uma motivação extra?
—Não, a motivação é passar. Como eu disse, se queremos chegar a maio e celebrar a conquista da Taça, temos de ganhar jogos. E, para chegar ao fim da competição, vamos enfrentar, muito provavelmente, a melhor equipa da competição. E acho que este jogo é definitivamente o mais competitivo [nesta eliminatória]. Por isso, vamos colocar o foco no jogo de amanhã [quinta-feira], que merece muita atenção e a atitude certa.
Parece levar já as substituições planeadas para o jogo. É um treinador que pensa realmente nessa projeção?
—Nesse aspeto, todos nós temos o nosso mundo ideal. Uma das minhas responsabilidades é ter uma visão que vá um pouco mais além do que apenas o jogo seguinte. Em geral, gosto de ter a projeção dos próximos 4 ou 5 jogos, qual o cenário possível, para gerir a fadiga física e também mental. Gosto de ter jogadores frescos nas pernas e na mente, e com a fome certa para competir. É um fator-chave. Depois, precisas de ter um grupo de jogadores que entenda o que estamos a fazer, que aceite algumas das minhas decisões. E um grupo que me deixe confortável para poder pensar a longo prazo. Depois, fazes o plano A, plano B, plano C... Normalmente, o que acontece é sempre o plano D, porque há uma suspensão, uma lesão, uma febre ou o que quer que seja... Quando mudas uma peça do puzzle, tudo vai mudar. Nesta parte, acho melhor ter mais do que um plano e depois, se precisarmos de adaptar, adaptamos. Mas o foco está no jogo seguinte e em colocar o máximo de esforço nele. Ganhar jogos a este nível requer muita atenção aos detalhes e temos de estar prontos e realmente afinados em cada decisão.