Victor Froholdt - Foto: Catarina Morais/Kapta+
Victor Froholdt - Foto: Catarina Morais/Kapta+

Será demasiado cedo para o considerar o melhor jogador do campeonato?

Intensidade de Victor Froholdt obriga os colegas a subir o nível. FC Porto bem precisava dele assim para a fase crucial da época

Depois de dois clássicos numa semana, sem ter vencido nenhum mas melhorando a qualidade de jogo, o FC Porto ganhou novo fôlego e apresentou-se em Estugarda e no Dragão (frente ao Moreirense) na versão mais aproximada daquele início de época fulminante.

Só Francesco Farioli saberá exatamente qual o segredo, dentro do grupo, para tamanha reviravolta na postura da equipa. Mas, de fora, foi bem visível que a personalidade que os dragões demonstraram nas casas dos principais rivais deu uma dose de confiança muito necessária nesta fase. Rodar oito jogadores de uma partida para a outra não parece afetar o conjunto azul e branco porque, acima de tudo, há uma ideia do treinador que está a ser aplicada em campo, com muita... intensidade.

Para que isso aconteça há decerto muito trabalho a ser feito no Olival, para que ninguém se sinta de fora e todos queiram contribuir quando a sua vez chegar (sendo Zaidu, neste momento, o melhor exemplo disso). O mercado de verão já tinha trazido as peças essenciais e o de inverno ainda acrescentou (Oskar Pietuszewski marcou nas duas últimas jornadas, e que jeito isso tem dado quando não há Samu...). Mas ainda que haja muitas explicações coletivas, há, sobretudo, um jovem dinamarquês de 20 anos que leva para o terreno de jogo toda a intensidade que Farioli exige.

Victor Froholdt corre muito, e recentemente voltou à forma física que lhe permite fazer isso durante 90 ou mais minutos. Não é por acaso que, nos encontros em que andou mais escondido, o jogo ofensivo do FC Porto não fluiu, para não dizer algo menos simpático, e que agora a equipa parece outra. Mas não é só a fisicalidade que lhe dá vantagem sobre os adversários e que obriga os colegas a subir o nível. É a forma como, correndo mais, decide quase sempre bem quando recupera ou recebe a bola.

Quem vê o futebol por estatísticas talvez não se aperceba tão bem da influência do médio dinamarquês (ainda que, entre golos e assistências, seja dele o segundo maior contributo para a equipa na Liga, só atrás de Samu), mas quem estiver realmente atento aos jogos do FC Porto sabe bem o que vale Froholdt e o quão difícil seria imaginar este líder tão intenso sem o jogador que o obriga a jogar assim.

A cerca de dois meses do fim, será demasiado cedo para considerar Froholdt o melhor jogador do campeonato? Os golos e a qualidade de Luis Suárez têm certamente uma palavra a dizer e nisto das distinções individuais já se sabe que os títulos coletivos ajudam muito. Aguardemos por isso, então, ainda que o meu voto já esteja dado.