A dimensão que faltava ao Sporting
Frederico Varandas tomou ontem posse para um terceiro mandato como presidente do Sporting, clube que transformou profundamente. Quando em setembro de 2018 assumiu funções, os verdes e brancos viviam uma das crises mais profundas da sua história, traumática, ferida difícil de sarar que deixava cicatriz para a vida devido ao ambiente tóxico promovido por Bruno de Carvalho e que culminou com a invasão à Academia e posteriormente à destituição dum presidente de cariz populista outrora venerado mas que, como seria de esperar de alguém com aquelas características, será lembrado como um dos piores numa das piores fases do clube.
Frederico Varandas tomou posse ontem, depois duma das mais gloriosas noites europeias que Alvalade, novo e velho, já viveu. Um feito que transporta o Sporting para uma dimensão europeia que lhe faltava. Passaram 43 anos sobre a anterior presença leonina nos quartos de final da UEFA Champions Legue, então ainda Taça dos Clubes Campeões Europeus, e de lá para cá algumas boas, excelentes até, caminhadas europeias mas nunca na Champions e é pela Champions que se medem os melhores e que se ganha essa dimensão…
O que o Sporting fez, e está a fazer, esta temporada na maior prova de clubes da Europa, e do Mundo, não pode ser visto pela rama. Porque o Sporting está no leque dos oito melhores da Europa! E não o fez por acaso, porque também na fase de liga lá esteve, único outsider entre clubes das big-5 (sem italianos e franceses) numa classificação que não me parece que tenha sido destacada como merecia — talvez injustamente ofuscada pelo golo de Trubin no último minuto ao Real Madrid ao mesmo tempo que Alisson faziam o 3-2 em Bilbau e metia o Sporting no 7.º lugar.
Frederico Varandas tomou ontem posse para um terceiro mandato que começa com a maior proeza do clube na Champions, maior do que a ida aos quartos de 1982/1983, altura em que se chegava a essa fase da prova, que na verdade era a 3.ª eliminatória, após quatro jogos. Agora, para lá chegar, o Sporting de Rui Borges (sim, de Rui Borges, podem os saudosistas de Ruben Amorim dar mérito inteiro ao transmontano) fez 10 jogos e não foram 12 porque o tal 7.º lugar lhe possibilitou saltar um play-off. E por tudo isto a dimensão europeia do leão deu um salto, ou o leão saltou, ainda por cima de forma época depois da espetacular reviravolta com o Bodo/Glimt, para uma dimensão que se lhe exigia depois das conquistas nacionais que já o metiam numa dimensão superior internamente, depois de décadas a olhar para cima para ver os rivais.
Não podia começar de melhor forma o terceiro mandato de Frederico Varandas, depois de uma reeleição em que foi ainda mais legitimado pelos sócios, com 89,45 por cento dos votos contra os 6,28 de Bruno Sá, resultado que previ aqui neste espaço no início de fevereiro. Ir a votos com concorrência foi bom, é sempre bom para a democracia, mas merecia Varandas, e sobretudo o Sporting, que o concorrente fosse de outra dimensão, como ficou à vista no debate eleitoral em que o presidente incumbente acabou por ser entrevistado não apenas pelo moderador, que bem se esforçou para moderar, mas também pelo adversário nas eleições…
Vitória na Champions, presidente empossado, Sporting em altas. Mas a precisar descer à terra porque se não ganhar em Alverca depressa também desce a outra dimensão…
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