Sporting: o 'aliado' invisível na jornada histórica rumo aos quartos da Champions
A caminhada do Sporting nesta edição da UEFA Champions League já entrou para a história, culminando com a reviravolta épica frente ao Bodo/Glimt (5-0, depois do 0-3 na primeira mão) que valeu o apuramento para os quartos de final. Ainda assim, o percurso europeu dos leões podia ter sido bem diferente — e, quem sabe, mais curto — sem a intervenção, em momentos-chave, do... VAR.
Logo no duelo com o Marselha (2-1), na terceira jornada da fase de liga, o videoárbitro teve um papel determinante. Aos 44 minutos, foi assinalado um penálti inexistente por alegada falta de Maxi Araújo sobre Emerson, mas as imagens mostraram simulação do jogador do conjunto francês. O VAR chamou o árbitro, que reverteu a decisão e exibiu o segundo amarelo a Emerson, deixando os marselheses reduzidos a 10, numa altura em que estavam a vencer por 1-0. Já aos 89’, nova correção importante: Maxi foi inicialmente expulso num lance com Pavard, mas após revisão percebeu-se que houve apenas empurrões mútuos, levando à exibição de amarelo para ambos.
Frente ao Club Brugge (3-0), o VAR voltou a intervir cedo. Aos 9 minutos, Morten Hjulmand viu cartão vermelho direto por uma entrada sobre Stankovic, mas as repetições mostraram que o médio tocou primeiro na bola e depois, de forma negligente, no adversário. A decisão foi corretamente alterada para cartão amarelo, o que permitiu aos leões embalarem para um triunfo seguro, que seria, certamente, mais difícil se tivessesm ficado reduzidos a 10 unidades e, ainda por cima, sem o capitão.
Num outro capítulo brilhante da caminhada europeia leonina - o jogo com o PSG (2-1) -, houve mais duas situações decisivas. Aos 31’, um golo de Zaire-Emery foi anulado após o VAR identificar uma falta de Senny Mayulu sobre Geny Catamo na recuperação da bola. Já aos 42’, um golo de Nuno Mendes foi invalidado por uma sequência de infrações de Ousmane Dembélé: fora de jogo, carga sobre Rui Silva e mão na bola.
Por fim, na noite decisiva frente ao Bodo/Glimt, o VAR voltou a ser chamado. Ao minuto 75, após cruzamento de Iván Fresneda, a bola embateu no braço de Fredrik Bjorkan, em posição não natural. Numa primeira instância, o árbitro nada assinalou, mas o lance foi revisto pelo VAR, que chamou o suíço Sandro Scharer ao monitor, o que resultou na marcação da grande penalidade que, depois de Suárez a converter, empatou a eliminatória.
No conjunto, as decisões do videoárbitro tiveram impacto direto no percurso dos leões. Sem essas correções, o Sporting poderia nem ter ultrapassado a fase de liga ou, no mínimo, ter sido empurrado para o play-off. Em Alvalade, onde soma já cinco vitórias nesta edição da prova milionária, não foi só a equipa de Rui Borges a realizar exibições de encher o olho: também o VAR tem mostrado assertividade, contribuindo, de forma silenciosa, para uma campanha europeia memorável.