Luís Neves era até fevereiro diretor da PJ - foto: Rodrigo Antunes/Lusa
Luís Neves era até fevereiro diretor da PJ - foto: Rodrigo Antunes/Lusa

Ministro da Administração Interna lança alerta: «O verão vai ser terrível»

Luís Neves está preocupado com os eventuais incêndios florestais, após as tempestades e chuva intensa de janeiro e fevereiro

Luís Neves, ministro da Administração Interna, lançou um alerta sério à população portuguesa, prevendo um verão «terrível» e «muito difícil» no que diz respeito aos incêndios florestais. O governante sublinhou a existência de «fatores novos, extraordinários e negativos» que potenciam o risco, apelando à colaboração de todos na limpeza de terrenos.

«O verão vai ser terrível, pode ser muito difícil», afirmou Luís Neves aos jornalistas na Guarda, após a inauguração da sede do Comando Sub-regional de Emergência e Proteção Civil das Beiras e Serra da Estrela. O ministro destacou que as chuvas recentes resultaram em mais vegetação para limpar e que as tempestades de janeiro e fevereiro deixaram «milhões de árvores caídas» e estradas obstruídas, aumentando a quantidade de combustível disponível.

Face a este cenário, o governante fez um apelo direto aos proprietários de terrenos agroflorestais para que «façam a sua parte». «Limpem em redor das casas, em redor das edificações e, sobretudo, que nos sinalizem aquilo que é necessário fazer», pediu, lembrando as limitações legais à intervenção em propriedade privada. «Nós, como sabem, não podemos entrar nas propriedades privadas para fazer o trabalho que gostaríamos de fazer, que é a limpeza», explicou, embora tenha mencionado que a legislação recente confere «alguma margem de manobra».

Luís Neves insistiu que a prevenção é crucial e que o momento para agir é agora. «O tempo de preparação, de limpeza, de identificação de dificuldades é agora, este é o momento oportuno», reforçou, citado pela Lusa, sublinhando que «é preciso cortar, limpar, desobstruir» para antecipar o período mais crítico.

Apesar dos desafios, o ministro garantiu que este ano haverá mais meios disponíveis para o combate, destacando o «apoio absolutamente singular, e que virá para ficar, das Forças Armadas, sobretudo nos equipamentos pesados». A colaboração dos municípios e das Juntas de Freguesia foi também descrita como «inestimável e inigualável».

Como exemplo de cooperação eficaz, Luís Neves mencionou o Comando Integrado de Prevenção e Operações (CIPO), criado para lidar com os estragos das tempestades. «Nos 22 concelhos foram identificados 10 mil quilómetros de estradas, de caminhos rurais, aceiros e terrenos para limpar e numa semana já foram limpos três mil quilómetros, praticamente um terço», revelou, mostrando-se «muito otimista e satisfeito» com os resultados.

O ministro concluiu, reiterando que a proteção civil é uma responsabilidade partilhada. «O trabalho de proteção civil, a questão dos incêndios, é um combate de todos. Todos têm que estar alertas, todos têm que contribuir», completou.