O colombiano López já subiu ao pódio no Giro e na Vuelta. IMAGO
O colombiano López já subiu ao pódio no Giro e na Vuelta. IMAGO

Miguel Ángel López com nova esperança no caso de doping

O corredor cumpre uma suspensão de quatro anos ligada à Operação Ilex, uma investigação espanhola sobre o médico Marcos Maynar e uma alegada rede de substâncias proibidas. Enquanto espera dedica-se ao negócio de família: um talho.

Miguel Ángel López recebeu um novo fôlego na batalha legal que tem ensombrado os últimos anos da sua carreira, mas o ciclista colombiano ainda tem um longo caminho a percorrer para limpar o seu nome. Atualmente, o corredor cumpre uma suspensão de quatro anos ligada à Operação Ilex, uma investigação espanhola sobre o médico Marcos Maynar e uma alegada rede de substâncias proibidas.

Uma recente decisão de um tribunal penal em Cáceres, conforme noticiado pelo jornal Marca, trouxe uma reviravolta ao caso. O tribunal concluiu não ter ficado provado que a menotropina, enviada por Maynar em abril de 2022, tenha chegado a López, nem que o colombiano a tenha utilizado antes ou durante a Volta a Itália de 2022. A mesma sentença refere que não foi estabelecida qualquer ligação comprovada entre a substância e a inflamação na perna que forçou o abandono do ciclista nessa prova.

Esta conclusão é um trunfo significativo para a defesa de López, que sempre negou o uso de produtos proibidos e tem argumentado a ausência de um controlo antidoping positivo ou de provas científicas diretas do seu uso.

No entanto, as autoridades desportivas chegaram a um veredito diferente. A UCI suspendeu López por quatro anos, uma sanção posteriormente confirmada pelo Tribunal Arbitral do Desporto (TAD). No processo disciplinar, considerou-se que o ciclista, que já subiu ao pódio no Giro e na Vuelta, recebeu, possuiu e utilizou menotropina, inclusive através de um protocolo de microdosagem.

O contraste entre as decisões judicial e desportiva está agora no centro da luta de López. Enquanto no processo-crime as acusações não foram provadas, na esfera desportiva as provas foram consideradas suficientes para o manter afastado da competição até 2027.

O ciclista já contestou a decisão no Tribunal Federal Suíço e a sua defesa pondera levar o caso ao Tribunal Europeu dos Direitos Humanos, se necessário. Existe também uma vertente financeira, com possíveis reivindicações ligadas ao seu antigo contrato que, segundo relatos, podem atingir cerca de um milhão de euros.

Por agora, López permanece na Colômbia, longe do WorldTour. O ciclista, outrora conhecido como um dos trepadores mais explosivos do pelotão, tem mantido um perfil discreto durante a suspensão, dedicando-se aos negócios familiares, que incluem um talho.

A sua última competição foi a Volta ao Panamá em 2023. A menos que os recursos alterem o desfecho, López poderá voltar a competir a 24 de julho de 2027. Terá, nessa altura, 33 anos, uma idade em que um regresso é possível, mas, após anos longe da elite, está longe de ser garantido.

A iniciar sessão com Google...