Da pressão de ganhar, ao 'caso' Suárez e elogios a Nel: tudo o que disse Rui Borges
- Que passos já foram dados na vossa consolidação de processos, tendo em conta que houve vários mexidas no plantel? Como é que a equipa está? Alguma ansiedade natural para o primeiro jogo na Reboleira, sabendo que é uma deslocação sempre complicada?
- A equipa deu uma resposta muito boa nesta pré-época, dadas as mudanças que tivemos ao longo do tempo, algumas que conseguimos antecipar. Estamos em crescimento. Por mais que as coisas tenham corrido bem neste mês, há um crescimento contínuo, individual e coletivo. Eles estão ligados, com vontade enorme de competir. Agora é perceber de que forma é que conseguimos lidar bem com a pressão e ansiedade dos jogos a sério, onde não temos margem de erro e queremos ganhar. Onde essa margem não existe. E este mês não há essa pressão: podem errar, fazer as coisas menos bem feitas. E é algo que amanhã também vai acontecer. Mas há a pressão de ter de ganhar. É perceber de que forma cada um vai sentir isso, dado que é uma equipa muito jovem, com miúdos que chegaram agora. Têm de perceber a realidade Sporting e ambientes difíceis, como é o do Estrela. A Reboleira é um campo particularmente sempre muito difícil para qualquer equipa grande. É um início de época onde o adversário vai estar super motivado para roubar pontos ao Sporting. A nossa exigência tem de ser máxima dentro do que tem sido, mas agora a sério. É perceber de que forma vamos sentir essa ansiedade e pressão boa.
- Houve relatos de alguma altercação de Luis Suárez no treino da passada quarta-feira, pode esclarecer o que aconteceu? Preocupa-o a fuga de informação?
- Não me preocupa. Acho em alguns momentos até ridículo algumas coisas... Não houve caso algum, se houvesse vocês saberiam porque iria entrar em alçada disciplinar. Ninguém estará acima do Sporting nem do respeito dos colegas ou equipa técnica... Não aconteceu absolutamente nada! Acabou o treino e ele estava frustrado com o que tinha acontecido, até porque está à procura da melhor forma. Tínhamos acabado de fazer um jogo de 10 para 10. Ele estava perto da saída e saiu diretamente para o balneário. Tinha apenas de fazer um treino complementar de um ou dois minutos. Fui chamá-lo, ele voltou, fez o que tinha a fazer com toda a calma e voltou para dentro. Não há caso nenhum. É ridículo o que se vai lendo e ouvindo, mas faz parte.
- Desde que chegou ao Sporting tem sido uma constante ter muitos ausentes. O Sporting volta a começar a época com vários jogadores ausentes, uns por lesão, outro castigado e até jogadores que estão ligados ao mercado e que têm sido resguardados nos jogos de preparação. Pode fazer um ponto de situação dos indisponíveis?
- A indisponibilidade está no Maxi, por castigo, no Zeno e no Ba, que estão a começar a treinar a cem por cento. Acredito que na próxima jornada já estarão disponíveis para darem o contributo. E o [João] Simões, o Nuno Santos e o Blopa estão os três de fora. Os dois miúdos com a lesão um bocadinho mais demorada e o Nuno está em crescimento, num trabalho muito específico para não voltar e quebrar novamente. Está num trajeto de alguma paciência e esperamos que volte na sua melhor forma. De resto, todos os outros estão disponíveis.
- Em que medida é que fica preocupado com a indefinição, por exemplo, se Diomande sai ou se não sai?
- Não estou preocupado, sinceramente, não estou preocupado com isso. É natural, no Sporting, até ao fecho do mercado, haver muito ruído naquilo que são entradas e saídas. O Sporting tem grandes jogadores e o Ousmane é um deles. Está convocado para amanhã.
- Vimos Doumbia a jogar numa posição mais adiantada (como interior esquerdo num 4x3x3) durante a pré-época e a dar boa resposta. Quando idealiza a equipa onde se encaixa o jogador?
- É um miúdo com um potencial enorme, que nós, bastante antecipadamente, tentámos. Sabíamos que no final da época não teríamos qualquer chance de o ter connosco. Tem um potencial enorme, mas dá-nos soluções. No Veneza jogava em 5x3x2 à esquerda, também... Adapta-se bastante bem, tem caraterísticas muito próprias e, de forma geral, boas. Não tenho dúvidas de que terá um futuro muito bom pela frente. Agora tem de se manter fiel à equipa que tem sido, gosta de ouvir, gosta de aprender, gosta de treinar, está feliz e isso é muito bom. E sabe da exigência e grandeza do Sporting, tal como os outros que chegaram. E isso sente-se diariamente.
- Ainda sobre Luis Suárez, O Rui Borges já esclareceu que tudo não passou de uma frustração, mas não teme que estas pequenas frustrações, mesmo que não tenha havido procedimento disciplinar, não possam abrir precedentes para outros casos?
- Não há aspeto disciplinar porque não faltou ao respeito a ninguém. Vi que tinha dado um pontapé numa bola e tinha batido num treinador... Por isso é que disse que há coisas ridículas. Já aconteceu no ano passado também. A malta sabe que quando apito no último exercício podem ir para dentro. Alguns mais competitivos como o Luis, o Maxi... O Viktor [Gyokeres] era muito assim. Desde que não passem o limite. Foi isso que se passou, simples.
- Ainda sobre a saída, ou não, de Diomande, O Sporting contratou o Ba e, assim, fica com cinco centrais. Não é demais e quando é que Ba pode jogar?
- O Ba, possivelmente, estará disponível para o próximo jogo, tal como o Zeno [Debast]. Se tudo correr com a naturalidade que queremos e esperamos. Investimento? Se contratarmos um miúdo de 17 anos, não quer dizer que venha jogar 50 jogos. Temos contratado para fazer crescer e no futuro vender e o Sporting tem feito isso muito bem. Independentemente de quem é contratado e do seu valor, o mercado está aí. Felizmente o Sporting é um clube equilibrado e consegue andar no mercado, também porque vende bem. Agora, independentemente do valor, não quer dizer que venha para jogar ou não. Para ser um titular indiscutível, tem de trabalhar para isso, de estar disponíveis para isso e fazer aquilo que quero.
- A SAD fez um investimento recorde superior a 116 milhões de euros em reforços. Isso altera a margem de erro? Sente-se mais pressionado em mostrar resultados?
- Olho para isso com satisfação porque o clube faz um trabalho excecional a nível financeiro. Não foram só as compras. Vendemos muito, temos de ir comprar senão não tínhamos jogadores. E o clube, nesse sentido, faz um trabalho extraordinário. De resto, a pressão é a mesma. Desde o primeiro dia em que aqui cheguei e desde que saí da barriga da minha mãe [risos]. A pressão é de ganhar e fazer o melhor pelo Sporting, de ganhar títulos. Não o conseguimos na época passada e queremos voltar a ganhar. O Sporting, nos últimos anos, tem sido a equipa que mais títulos tem ganho. O que ainda preciso para o planrel? Estamos a tentar perceber, com a saída do Mangas, à esquerda. Temos o Maxi e o miúdo, [Rodrigo] Dias, que também tem dado uma boa resposta. É perceber o que o mercado pode oferecer nesse sentido.
- Foi trabalhando nas últimas épocas com uma base de jogadores que ainda eram da era de Ruben Amorim. Com as entradas e saídas deste defeso pode dizer-se definitivamente que o Sporting vai ser cem por cento à imagem de Rui Borges?
- O cunho já estava na época passada, independentemente dos jogadores. A ideia é a mesma, não foge disso. Eles definem também algumas coisas em relação à nossa forma de estar e jogar. Dentro do que são, vamos fazendo a adaptação ao que nos dão. O Sporting da época passada já era a imagem de Rui Borges. Este ano com jogadores novos, mas a imagem mantém-se. Vamos ter caraterísticas melhores, outras menos boas, mas o futebol é isso, a capacidade de adaptação dos treinadores. Neste caso, minha e da minha equipa técnica, fazer um Sporting, ou manter, forte e capaz de lutar por todos os títulos.
- Sente que Suárez já está em condições físicas, pelo menos, de ser convocado e dar à equipa? Em relação ao ataque, Rafael Nel deu uma boa resposta na pré-época, considera ser benéfico para ele ficar ou sair por empréstimo? Daniel Bragança e Pedro Gonçalves estão convocados?
- O Pote e Dani não estão na convocatória. Em relação ao ataque, o Luis teve uma época bastante desgastante. Jogou 90 sobre 90 minutos, esteve no Mundial e o corpo paga. É natural que precisasse de mais um mês de férias, mas o futebol é isso. Às vezes ganhamos umas coisas, perdemos outras. Ganhou o privilégio de estar no Mundial, mas perdeu férias. É natural que o corpo não chegue no melhor, porque a época foi desgastante e fez muito por nós. Está convocado e disponível para jogo. Definimos que o Nel faria parte da equipa principal. Está no seu crescimento, à semelhança do que fizemos com o Rodrigo [Ribeiro]. É esse crescimento que queremos no Nel, que cresça com o Suárez e com o Fotis. E que no futuro seja também um Luis Suárez, um Fotis ou até melhor. Ele tem mostrado essa capacidade de aprendizagem e crescimento, percebe que em alguns momentos poderá dar contributo à equipa B para ter minutos e estar preparado, mas não quer dizer que baixe ou não da equipa. Ele é jogador da equipa principal, está em crescimento e muito focado nisso. Feliz por vê-lo crescer tão bem e rápido, mas que se mantenha humilde e continue a trabalhar.
- Considera que o Sporting ditou o mercado? É o fim de um ciclo? Contratou um meio-campo novo antes de deixar sair qualquer jogador, contratou o Ba antes de sair o Diomande. Vai ao encontro de uma afirmação do presidente Frederico Varandas após a final da Taça de Portugal, em que disse que faltavam jogadores com fome de vencer? Estes reforços dão-lhe garantias?
- Isso é em todos os clubes. Não é um fim de ciclo, mas são mudanças que têm de acontecer até por vontade mútua, digamos. O Pote e o Dani estão cá há muitos anos e querem um novo desafio. Eles não perderam a vontade de vencer, mas às vezes o acomodar acontece. E o que tínhamos enquanto equipa técnica e clube, com muito diálogo ao longo do tempo, fomos percebendo o que iríamos perder e antecipámos algumas coisas. Fizemos um trabalho muito bom nesse sentido e o clube tem feito um trabalho excelente entre compras e vendas. O Sporting faz crescer os jogadores e sabemos isso melhor do que ninguém. É sempre nessa perspetiva que sabemos quem poderá sair ou se teremos de ir ao mercado. O Ba foi uma oportunidade, dado aquilo que ele poderá ser no futuro e que acreditamos que possa ser. Conseguimos antecipar e ficar com ele. No ano passado perguntaram se não poderia ter mais um central, portanto, «cinco não são muitos, são poucos.