O novo fora de jogo seria assim definido segundo a Lei Wenger (D.R)
O novo fora de jogo seria assim definido segundo a Lei Wenger (D.R)

Mesmo rejeitada pelo IFAB, Lei Wenger do fora do jogo começa a ser testada dentro de um mês

Proposta do treinador francês entra em ação na liga canadiana

Depois do chumbo por parte do International Board (IFAB) e da UEFA, a Lei Wenger relativa ao fora de jogo vai mesmo sair da gaveta para ser testada dentro de apenas um mês, já a partir de abril, no Canadá.

A proposta de Arsène Wenger tinha sido considerada demasiado radical pelo International Football Association Board, mas ganhou agora uma nova vida: será experimentada na Canadian Premier League, cujo campeonato arranca em abril. Desde que assumiu o cargo de chefe de desenvolvimento global na FIFA, em 2019, o treinador francês tem insistido numa mudança estrutural: devolver a vantagem ao atacante através da chamada regra da luz do dia. Na prática, o fora de jogo deixaria de ser assinalado em lances milimétricos — determinados por linhas traçadas pelo VAR — e só existiria quando houvesse espaço visível entre avançado e último defesa.

Wenger defende o regresso ao princípio de 1990, quando se decidiu que, em caso de dúvida, o benefício seria do avançado. «Quando há uma fração, o avançado deve ter vantagem. Com o VAR, essa vantagem desapareceu e isso é frustrante para muitos», argumentou. A ideia é simples: desde que qualquer parte do corpo atacante esteja alinhada com o defensor, não há fora de jogo.

A decisão surge também como reação ao impacto da tecnologia semiautomática de fora de jogo, que tem produzido decisões por centímetros e interrupções longas — por vezes de vários minutos — nos principais campeonatos. Ainda este fim de semana, no jogo entre Burnley e Brentford, um golo foi anulado a Jaidon Anthony por alegado fora de jogo no limite do ombro, reacendendo o debate sobre a interpretação atual da regra.

Sem VAR atualmente, a liga canadiana pode tornar-se o primeiro laboratório sénior de alto perfil para a experiência. Longe da pressão mediática europeia, mas suficientemente competitiva, foi considerada o contexto ideal para testar a mudança.

O veredito final caberá novamente ao IFAB dentro de um ano. Até lá, a lei Wenger deixa de ser apenas teoria e entra oficialmente e literalmente em campo.