Depú - Foto: Petro de Luanda
Depú - Foto: Petro de Luanda

Mercado oficial: Depú regressa a Angola e ao Petro de Luanda

Depú volta a vestir a camisola do Petro de Luanda — o clube onde, há três anos, viveu um dos capítulos mais curtos e mais dolorosos da carreira, e ao qual agora regressa com o estatuto, a maturidade e os golos que só o futebol lá fora conseguiu dar-lhe

Antes de ser notícia nacional, Depú era apenas um rapaz talentoso nas escolinhas do Electro do Lobito. Foi ali que nasceu o gosto pela bola, e foi a partir daí que o percurso ganhou forma: a Académica do Lobito ajudou-o a crescer, mas foi no Sagrada Esperança que o nome de Depú começou a circular com mais força fora de Benguela. Foi também pelo emblema da Lunda-Norte que o avançado conheceu pela primeira vez o sabor da vitória diante do próprio Petro de Luanda, ao conquistar uma Supertaça de Angola contra os tricolores.

Poucos meses depois, o destino trocou-lhe as voltas: Depú trocou de lado e vestiu o dorsal do Petro. E fê-lo em grande estilo, sagrando-se campeão nacional já na época da sua chegada. A passagem por Luanda, no entanto, não foi fácil. Uma lesão prolongada tirou-lhe minutos e ritmo, e a sua meia temporada como jogador do Petro ficou marcada mais pela recuperação física do que pelos golos. Foi nesse contexto, ainda com o corpo a pedir tempo, que surgiu a oportunidade de sair de Angola.

Foi no Gil Vicente, em Portugal, que o avançado encontrou espaço para se reconstruir. Ali ficou duas épocas e meia, tempo suficiente para se afirmar no futebol europeu e despertar o interesse de outros campeonatos. Seguiram-se experiências na Sérvia e na Polónia, paragens que, cada uma à sua maneira, foram polindo o craque.

A mais recente etapa, na Tanzânia, foi também a mais determinante para o momento em que Depú se encontra hoje. Foi ali que o avançado se tornou, definitivamente, uma referência da seleção nacional. Sagrou-se vencedor da COSAFA em duas ocasiões pelos Palancas Negras, sendo o melhor marcador da competição numa delas — um feito que, por si só, já justificaria as manchetes. Os números falam também por ele... 20 internacionalizações e 16 golos por Angola são a prova de que Depú deixou de ser promessa para se tornar garantia.

Agora, aos 26 anos, Depú fecha o círculo. Volta ao Petro de Luanda não como o jovem que partiu a recuperar de uma lesão, mas como um internacional angolano feito e reconhecido, com títulos, golos e uma bagagem europeia e africana que dificilmente qualquer outro reforço tricolor pode apresentar. Para os adeptos do Petro, é a confirmação de que a casa nunca deixou de ser sua. Para Depú, é a oportunidade de escrever, finalmente, o final que a lesão de 2023 lhe recusou.

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