Dirigentes desportivos defendem reforma institucional e rigor na gestão dos recursos
A modernização e a transparência no desporto angolano voltaram a estar no centro das atenções durante um debate que reuniu figuras de destaque da gestão desportiva nacional. O foco das intervenções incidiu sobre a urgência de criar estruturas administrativas mais sólidas, capazes de garantir a continuidade das políticas desportivas independentemente do ciclo eleitoral ou da mudança de dirigentes.
Durante o debate, o dirigente desportivo Tony Sofrimento expressou preocupação em relação à forma como os processos eleitorais são conduzidos no país, apontando que o modelo atual muitas vezes resulta na rutura total do trabalho quando há mudança de liderança. «É importante que existam estruturas semiprofissionais ou profissionais que permitam à máquina continuar a funcionar, independentemente de quem esteja na presidência», sustentou.
Como termo de comparação, apontou o caso da Confederação Brasileira de Basquetebol, onde a votação direta se restringe apenas ao presidente e ao Conselho Jurisdicional, mantendo-se o corpo técnico e administrativo em funções para garantir a operacionalidade contínua das competências da instituição. O dirigente ilustrou a realidade nacional com episódios em que a saída de uma direção resulta na desestruturação completa do património e da memória das federações.
«Em Angola, já vi casos em que a eleição termina e até a mobília sai com quem sai. Isso não pode acontecer. A instituição tem de prevalecer sobre os indivíduos, e os projetos aprovados devem ter continuidade até ao seu termo, além do mandato de quem os iniciou», defendeu.
A par da vertente organizacional, a sustentabilidade financeira e a prestação de contas no desporto angolano também foram abordadas com firmeza. sublinhou-se também a importância de garantir que as verbas disponibilizadas pelo Estado através dos contratos-programa sejam aplicadas exclusivamente na sua finalidade original.
Salientou-se ainda a necessidade de profissionalizar as federações com quadros administrativos permanentes.Atualmente, com corpos diretivos maioritariamente eleitos e compostos por voluntários, criam-se lacunas na gestão diária, o que compromete o acompanhamento técnico e financeiro dos projetos desportivos ao longo do tempo.