Treinador do Benfica diz que colombiano vai com equipa para os Açores

Meninos bonitos, fúria, futebol aos 12 anos e muito mais — tudo o que disse Marco Silva

Treinador do Benfica anunciou equipa confiante antes do duelo com o Santa Clara, amanhã, nos Açores. Revelou que Durán está recuperado. E tocou em muitos outros assuntos

— Como está a equipa do Benfica neste curto intervalo de tempo entre jogos e que pontos fortes identifica no Santa Clara, que ainda não perdeu esta época para o campeonato nacional?
— A equipa está bem e confiante depois de mais uma boa vitória na Liga Europa. Após a paragem, três boas vitórias. Dois jogos em casa muito bons e fora que é sempre importante ganhar, com a segunda parte muito melhor do que alguns períodos da primeira. Mas foi mais um resultado positivo. Bons resultados e jogos positivos dão-nos confiança. Há pouco tempo entre um jogo e outro e temos mais uma viagem. Não nos serve de desculpa, sabemos o que é o calendário e temos de ser capazes de dar respostas. O Santa Clara é adversário forte, o trabalho de Petit é excelente, a equipa que obteve muitos bons resultados e chega a esta jornada sem qualquer derrota. Percebe-se que tenta sempre ter uma organização muito boa, criar problemas ao adversário, não faz o jogo só por para ver o que é que vai dar. Em casa até tenta ter alguma iniciativa. Tem jogadores bons, com qualidade na frente de ataque, bons rápidos e ágeis nos corredores e o avançado também que tem bastante experiência. Irá criar-nos problemas e exigir um Benfica ao máximo das suas possibilidades para obter os três pontos, que é o nosso objetivo.

— Poderia esclarecer o tempo de recuperação de Leandro Barreiro e Durán? Vão efetivamente ficar de fora até ao próximo ano?
— Até ao próximo ano? Olhe, vou já dar-lhe uma novidade. Durán vai viajar connosco para os Açores. Se era até ao próximo ano, recuperou rapidamente. De três meses, recuperou para três dias, o que é fantástico. Vamos por partes. Banjaqui, Leandro, Enzo e Kaminski estarão fora. Durán estará convocado e se necessitarmos estará pronto para jogar.

— Leandro Barreiro só volta no próximo ano?
— Não lhe vou dar uma data, até porque neste tipo de lesões há jogadores a recuperar num mês ou algumas semanas antes. Não é assim tão fácil dar esse limite. Não querendo ser muito positivo, parece-me poderá estar antes [do fim do ano]. Não querendo pôr aqui pressão, parece-me que estará antes.

— Se Rui Costa, presidente do Benfica, chegasse agora ao pé de Marco Silva e dissesse ‘Marco, vamos acionar a cláusula de compra do Echeverri se quiseres’, o que diria, sim ou não?
— Diria que temos muito tempo para analisar, para o integrar. E não estou a falar de qualidade. Porque tem muita qualidade. Se não tivesse, não tínhamos feito aquele movimento já bem perto do final do mercado. Senti que precisávamos de um jogador com aquele perfil para aquela posição e pedi à Direção para encontrar o jogador certo. Estava referenciado no Benfica e conhecia-o bem do pouco tempo que esteve em Inglaterra. Não há aqui que acelerar o processo nem tomar uma decisão a correr. O jogador sabe que estamos satisfeitos com ele, sabemos o talento que temos dentro de casa para trabalhar. Tem de continuar a trabalhar e muito. Não costumamos tomar decisões baseadas só num ou dois meses, em dois ou três jogos. Tenho a certeza de que o jogador irá dar muito e que irá melhorar. Dentro dos limites e das datas que estão previstas, teremos todo o tempo para o fazer. Não há aqui que ter alguma precipitação. Temos muito em que nos focar e trabalhar. No momento certo, tomaremos as decisões que serão sempre as melhores para para o Benfica.

— Depois da vitória do FC Porto, o Benfica não tem margem para errar?
— Compete-nos olhar para nós. Não é agradável olhar para a classificação. É o que é. Quem não gostar muito de olhar, não olhe. Quem não sentir absolutamente nada, pode olhar. Se não tiver influência alguma no rendimento, pode olhar. Já disse aos jogadores que temos de olhar para nós e ganhar os nossos jogos, semana após semana e continuar a ganhar. Sabíamos que a maioria das vezes iríamos jogar depois da grande maioria dos nossos adversários, quando se compete na Liga Europa é isso que acontece. Se estivéssemos taco a taco, iriam fazer se calhar a mesma questão da pressão, blá, blá, blá. Falou-me só de um adversário, hoje jogará outro e não sabemos qual será o resultado. Não controlamos, não adianta estar a gastar energia nisso. Quem não se importar muito, olhe para a classificação; quem se importar, tem bom remédio e não olha.Temos é de fazer bem o nosso trabalho.

— Benfica é a equipa que pratica melhor futebol? Já disse que Portugal vende mal o campeonato. Expressões como bomba e sangue, utilizadas pelo treinador do FC Porto, também prejudicam o futebol português?
— Já me tinha perguntado quem é que joga melhor em Portugal. Às vezes gosto de fugir um bocadinho às perguntas. Vou responder mais ou menos da mesma forma: há várias formas de ganhar. Cada clube e cada treinador têm a sua forma de jogar e de pensar. Se quiserem olhar para a classificação, não é isso que a classificação diz. Temos o nosso caminho, queremos ganhar. Não estamos no clube para sermos os mais bonitos da festa, não queremos ser aqueles que vestem melhor, aqueles que fazem tudo mais bonito. Queremos, sim, progredir como equipa e estar aqui para ganhar jogos e conquistar títulos, é esse o nosso objetivo claramente. Em relação à outra questão, nem sequer vou entrar. Não quero bater muito no futebol português porque sou português com orgulho, gosto de estar onde estou e não estou aqui obrigado. Não fui obrigado a voltar ao futebol português, voltei porque quis muito voltar, quis muito estar aqui e não vou estar aqui sistematicamente a falar daquilo que é bem vendido ou não. Falei dos relvados, não fomos só nós a falar. Quero é  falar bem e proteger o máximo que possa proteger, porque é o meu país, temos muita qualidade e por isso é que vendemos tão bem. Em relação ao resto, não vou entrar por aí.

— É o teste mais difícil do Benfica, em Portugal, depois do jogo no Dragão?
— É difícil prever. A classificação diz-nos que sim, teremos que concordar. O Santa Clara vai criar-nos problemas, num campo que normalmente é difícil, pelas características e condições climatéricas. Normalmente, também é um relvado que não é muito fácil. O feedback que temos neste momento é que o relvado estará em condições para que se possa praticar um bom futebol.

— Há 37 anos que o Benfica não marca tantos golos nos primeiros 17 jogos. Convidava-o a recuar no tempo, Marco Silva tinha 12 anos. Na altura já gostava de futebol? Lembra-se de Magnusson ou Vata? E, já agora, o que é que isso lhe diz atualmente da equipa?
— É um bom sinal. Sabem que independentemente dos golos marcados, gosto muito, muito de não sofrer. Fui-me habituando ao longo da minha carreira como treinador a incutir isto nos jogadores. Não há alguém que consiga atacar bem se não tiver a capacidade de estar preparado para defender bem. Não há alguem que seja uma equipa sólida o suficiente se não tiver a capacidade de não sofrer golos. Posso dizer-vos que fiquei muito satisfeito com o nosso resultado fora de casa com o Omonia, mas fiquei furioso com o golo que sofremos.  Tem que haver equilíbrio em tudo. Respondendo diretamente à sua questão: sim, é um sinal muito bom. É um sinal muito bom porque mesmo com este número de golos marcados temos tido a capacidade de criar mais. E quando se recua tantos anos num clube da dimensão do Benfica, que normalmente é um clube dominador, normalmente é um clube que tem grande capacidade ofensiva e jogadores de grande qualidade… é um sinal positivo e que estamos a fazer as coisas as coisas bem, a ter uma identidade clara que não muda muito de um jogo para o outro. As pessoas sentirem que é o Benfica que está a jogar sempre foi o meu objetivo, independentemente de não fazermos tudo bem, de não sermos perfeitos, porque estamos muito longe disso. Mesmo equipas que normalmente são chamadas de perfeitas têm muito a melhorar, imaginem nós que temos muito que percorrer um caminho longo. Os jogadores também sentem isso. Mas é bom sinal eles sentirem que há muito a melhorar e que estamos no caminho certo.

— Aos 12 anos gostava de futebol?
— Sim, adorava, adorava, até porque tinha a possibilidade de ir a muitos estádios na zona onde vivia. Lembro-me perfeitamente de alguns jogadores de que falou, não quero entrar muito em pormenores. Lembro-me perfeitamente, independentemente de já ter passado algum tempo, porque já não caminhamos para novos. Lembro-me perfeitamente do que está a falar.

— Rafa parece estar num momento de menor fulgor e Schjelderup, por outro lado, foi titular agora, mas tem estado mais jogos fora do onze e não tem tanta influência como no ano passado. Poderia explicar a situação desses jogadores?
— Não querendo entrar em explicações muito profundas e tentando ser o mais honesto possível… Rafa teve um começo de época tremendo, em termos de números e de qualidade. Quando os números nos últimos jogos não são tão fortes, é óbvio que se fala. Rafa está mais do que preparado para isso. Compete-nos continuar a trabalhar com ele e dar-lhe a confiança, ele tem para capacidade de potenciar o futebol dele, tão simples como isso. Rafa continua a dar o máximo em todos os jogos. Ainda no último, independentemente de não ter sido um jogo em termos de qualidade, tentou sempre ajudar. Em relação ao Andreas, percebo a questão, mas depois da paragem fez três jogos e não jogou um. Por exemplo, Prestianni também não jogou um. Se olharmos para o Prestianni e para o Andreas desde a última paragem jogaram o mesmo número de jogos a titular. Mas eu sei que está a falar mais para trás e sei que está a falar da influência. Há aqui uma questão que tem a ver com o rendimento que o Prestianni à esquerda, tem sido fenomenal. Temos usado Prestianni muito à esquerda, porque sinceramente é onde ele rende mais. Andreas também é um jogador que adoro, um talento. Há competição muito grande entre os dois. Quero muito que os dois estejam no onze, não vos vou esconder, gostaria muito de conseguir conciliar os dois ao mais alto nível no onze, é esse o meu objetivo porque estamos a falar de dois grandes talentos. Mas quero tirar o maior rendimento dos dois e, portanto, é esta a questão que tenho na minha cabeça — a melhor forma de tirar o melhor rendimento dos dois, sabendo que a melhor posição dos dois à esquerda. Depois não me posso esquecer de Rafa, Lukebakio, Sudakov, Claudio, do que é melhor para a equipa.

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