Mundial
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Maxi contra a maré e Zalazar nem apareceu na catástrofe do Uruguai
Ficou definida na madrugada passada a grande desilusão desta fase de grupos do Mundial 2026. A seleção do Uruguai, duas vezes campeã do Mundo e sempre uma das mais renomeadas equipas do panorama internacional, não conseguiu passar para as rondas a eliminar. Terminou no terceiro lugar do grupo H do Campeonato do Mundo, atrás de Espanha e de Cabo Verde, que foi, por seu turno, uma das agradáveis surpresas da prova.
A equipa de Marcelo Bielsa apurou-se no quarto lugar da qualificação sul-americana, com 28 pontos, os mesmos que o Brasil, o Paraguai e a Colômbia, menos um do que o Equador e menos 11 que a líder Argentina. Realizou seis jogos de preparação e venceu dois, empatou três e perdeu um, com destaque para o empate frente à Inglaterra (1-1), em Wembley, e para a pesada derrota por 1-5 frente aos Estados Unidos.
Chegada ao Mundial, a turma celeste era a segunda favorita do grupo, que partilhava com a Espanha, campeã da Europa em título, Arábia Saudita e a estreante equipa de Cabo Verde.
Valeu Maxi Araújo, mas não houve Zalazar
O primeiro momento de grande desencanto do Uruguai chegou logo na primeira jornada. Frente aos sauditas, a turma sul-americana assinou uma primeira parte de pouca qualidade e chegou ao intervalo a perder por 0-1. Nem o golo de Maxi Araújo no segundo tempo, de domínio quase total (e de uma grande exibição do guarda-redes Al Owais), resultasse em vitória. 1-1 foi o resultado final do primeiro jogo.
O ala do Sporting, que foi o extremo titular da equipa de Marcelo Bielsa, foi uma das figuras que mais fez para evitar este desfecho. A seleção marcou três golos, dois apontados pelo atleta leonino e mais um assistido pelo esquerdino. Mas se, por um lado, o atleta verde e branco esteve em destaque, o mesmo não se pode dizer de Rodrigo Zalazar, contratado pela equipa de Rui Borges, que não somou qualquer minuto.
As restantes contribuições para golo surgiram na segunda jornada, frente à seleção de Cabo Verde. Moralizados pelo ponto conquistado frente à Espanha, após a fenomenal exibição de Vozinha, os tubarões azuis trataram de se estrear a marcar no Mundial graças a golo de Kevin Pina, num livre de longa distância aos 21'. Maxi Araújo reduziu aos 44' e ofereceu a Canobbio o 2-1 aos 45'+6, mas, no segundo tempo, os comandados de Bubista cresceram, foram mais perigosos e, aos 61', Hélio Varela fez o 2-2 final.
No final da segunda jornada, espanhóis e cabo-verdianos tinham quatro pontos e o Uruguai, que ia jogar com la roja, apenas dois.
«Nem preciso de descrever...»
A imprensa uruguaia deu conta de tensão no seio do plantel uruguaio dias antes do embate decisivo. Bielsa terá reunido com alguns dos líderes, incluindo Federico Valverde, o capitão, que terá questionado o método de treino e a estratégia para enfrentar a Espanha do argentino, que, por sua vez, terá acusado os jogadores de terem tentado despedi-lo antes da prova.
Já em campo, foi aos 42' que o resultado ficou definido. Baena rematou, Fernando Muslera deixou a bola passar por cima das mãos e esta entrou. Um enorme 'frango' do guardião de 40 anos, crónico titular da seleção uruguaia, resultou no 1-0. O que mais chamou a atenção foi que, depois do intervalo, Muslera já não regressou ao relvado e foi substituído por Rochet. De acordo com Bielsa, foi o próprio que pediu para sair.
O resultado não sofreu mais alterações. Federico Valverde também foi substituído e o jogo, que se tornou cada vez mais quezilento, terminou com a expulsão de Canobbio após entrada dura sobre Pau Cubarsí, num momento que espelhou o descontrolo emocional dos uruguaios nesta partida... e não só.
Igualmente duras foram as palavras de Bielsa na conferência de imprensa após o jogo. «Sou o responsável por esta deceção. Nem preciso de descrever esta exibição. Se me perguntam como é que acho que vão recordar o meu tempo aqui, é um passo na minha carreira em que não deixei nada para trás», referiu El Loco, que também se destacou no momento em que gritou com jornalistas na zona de entrevistas rápidas.
Chegou assim ao fim a prestação do Uruguai no Campeonato do Mundo. Dois empates contra equipas teoricamente mais fracas, nos quais não conseguiu colocar na prática as vantagens que tinham, lançaram a equipa para o desastre frente à Espanha, num jogo que, apesar de terminar com apenas 0-1 no marcador, também acabou com a presença da seleção na competição. Dois pontos, zero vitórias e um Mundial para esquecer.