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De empate em empate, Cabo Verde vai escrevendo história (crónica)
Mais uma vez, fez-se história! Depois de somar o primeiro ponto na estreia em Campeonatos do Mundo diante da campeã europeia Espanha (0-0) e de fazer o primeiro golo de sempre em fases finais perante o Uruguai (2-2), Cabo Verde conseguiu o impossível e qualificou-se para a fase a eliminar.
Os cabo-verdianos aguentaram mais um nulo perante a Arábia Saudita na madrugada deste sábado e terminaram em segundo lugar do grupo H, recebendo a ajuda dos espanhóis, que derrotaram e eliminaram os uruguaios (1-0). Sauditas também de fora, em último. Assim, segue-se nem mais nem menos do que a campeã mundial Argentina, de Lionel Messi, nos 16 avos. Não é proibido continuar a sonhar.
Sabendo que o pontinho poderia bastar, a formação orientada por Bubista, que fez cinco alterações no onze inicial (duas de forma forçada pela suspensão de Sidny Lopes Cabral e a lesão de Telmo Arcanjo), entrou ligeiramente melhor e com o objetivo claro de ganhar. Porém, a primeira parte foi bastante equilibrada e sem grandes oportunidades de golo, embora sim com muita intensidade e, por vezes, agressividade a mais em duelos.
Não foi uma dessas situações, mas Al Tambakti foi obrigado a sair de maca aos 33 minutos ao cair mal no relvado. Esse foi o grande momento dos primeiros 45 minutos, infelizmente, a destacar-se apenas uma defesa de Vozinha perto do intervalo e um remate perigoso de Willy Semedo antes da pausa para hidratação.
A sorte dos cabo-verdianos é que a Espanha estava a cumprir a sua tarefa e uma vitória significava que o empate era suficiente para Cabo Verde festejar no final do encontro. Mesmo assim, os Tubarões Azuis não se deixaram contentar com o nulo e foram atrás do golo que lhes daria mais tranquilidade.
Monteiro ditou o tom nos primeiros segundos da segunda parte ao ficar perto de marcar, mas a verdade é que os sauditas também foram perigosos em alguns momentos e o jogo poderia ter dado para qualquer lado. As melhores ocasiões chegaram perto do final e a favor dos cabo-verdianos: primeiro, num contra-ataque perfeito e com uma assistência deliciosa de Nuno da Costa, Deroy Duarte, na cara a cara com o guarda-redes, desperdiçou, embora tenhamos de dar também muito mérito a Al Owais. Depois, foi a vez de Nuno da Costa falhar praticamente de baliza aberta no último lance do jogo.
Os cabo-verdianos podiam mesmo ter celebrado a primeira vitória no torneio, mas isso não aconteceu e foi um sofrimento infernal até ao fim, dependendo do outro jogo. Após o apito final, os jogadores ficaram agarrados ao telemóvel para receberem a notificação mais importante das suas vidas e a verdade é que acabou por correr bem. Três empates em três jogos, uma receita que Portugal usou para fazer história no Euro 2016, e Cabo Verde mantém o estatuto de invencível a chegar a esta fase final. Sonhar é gratuito.
O momento da confirmação do apuramento 😍🇨🇻#sporttvportugal #MUNDIALnaSPORTTV #MundialFIFA2026 #CaboVerde #ArábiaSaudita pic.twitter.com/CbPU11suvU
— sport tv (@sporttvportugal) June 27, 2026
Depois de fazer o primeiro golo de sempre de Cabo Verde em Campeonatos do Mundo (e que golo!), o ex-Chaves voltou a destacar-se no Mundial 2026, mas desta vez não tanto pelo jogo ofensivo. Coordenou o meio-campo dos cabo-verdianos, ajudou na defesa e transmitiu a calma necessária para os colegas manterem o equilíbrio em campo até ao fim, resultando em mais um apuramento histórico.
O defesa do Al Nassr liderou a defesa perante a lesão do colega Al Tambakti no eixo defensivo e cortou inúmeros lances perigosos na área da Arábia Saudita. Acabou por ser um dos pontos menos negativos nos sauditas, num jogo manchado por bastantes passes falhados, erros que podiam ter sido aproveitados e desperdício ofensivo. Valeu a baliza a zeros.