Treinador do FC Porto também fala das queixas de Victor Froholdt

Mau tempo, mercado, Moffi, Villas-Boas e o Sporting: tudo o que disse Farioli

Treinador do FC Porto fez a projeção do encontro de segunda-feira, às 20h45, em Rio Maior, diante do Casa Pia, mas não só...

— O que espera do encontro com o Casa Pia? O Estádio de Rio Maior sofreu alguns danos devido à tempestade. Tem alguma preocupação?

— O campo muito provavelmente não estará nas melhores condições, mas, na realidade, há algo que é um pouco mais do que apenas o relvado, porque, claro, o que o país está a viver nestes dias é definitivamente algo que nos deixa a todos preocupados e não é algo que possamos comparar com o estado do relvado. O que o país está a atravessar neste momento... vivi uma experiência semelhante há uns dias no meu país, especialmente na cidade da minha mulher, onde houve uma tempestade que destruiu tudo. Por isso, ver hoje na televisão muita gente sem casa, pessoas que perderam muitos bens, pessoas que perderam a vida, é, obviamente, muito doloroso. E, voltando ao jogo de amanhã, penso que se o relvado não estiver em condições ideais, não será um problema que possamos comparar com o resto das coisas que o país está a enfrentar neste momento.

— E concretamente do jogo com o Casa Pia?

— Aqui sou muito repetitivo e até aborrecido, no sentido em que a mentalidade "jogo a jogo" é o nosso mantra, é a nossa forma de abordar as coisas. Passámos muito tempo nos últimos dias a preparar bem o Casa Pia. Eles mudaram de treinador recentemente, por isso tivemos apenas dois jogos para analisar deste novo treinador no Casa Pia. Recuámos ao seu tempo no Vizela, onde ele fez um trabalho incrível desde a terceira divisão até à primeira. Fomos a jogos mais recentes no Vitória e também vimos alguns jogos no Brasil, para tentar ter uma imagem clara e estarmos preparados para uma possível adaptação. Embora a equipa do Casa Pia tenha sido construída para jogar com três [defesas], no historial do treinador também há experiências em que jogam com uma linha de quatro, por isso estamos preparados para possíveis variações. Penso que a reação ou a exibição que tiveram, especialmente no último jogo, onde marcaram três golos nos primeiros 60 minutos, diz muito sobre o impacto que tiveram recentemente. É uma equipa com velocidade na frente, jogadores rápidos, muito fortes na transição, muito físicos. Assim, as bolas paradas também serão um tema importante amanhã e, claro, a forma como vamos entrar e o tipo de energia que vamos levar será, com certeza, um fator.

— Relativamente ao mercado, o que Moffi pode acrescentar à equipa?

— Como sabem, as palavras do presidente há uns dias foram muito claras sobre o mercado: estamos e estávamos felizes com a equipa, mas também estávamos atentos para explorar diferentes possibilidades e a do Terem foi uma delas. É um jogador que conheço bastante bem, que jogou recentemente contra nós na Liga Europa, no nosso jogo contra o Nice. É definitivamente um jogador que pode acrescentar características diferentes à equipa. Tem algumas características que são bastante semelhantes às do Samu, mas também pode trazer variabilidade ao nosso jogo. Se for necessário, também pode jogar no flanco. Penso que foi bom ter mais uma opção na frente, considerando os próximos meses e as três competições em que estamos inseridos. E isto, mais uma vez, diz muito sobre o trabalho que o clube está a desenvolver, o trabalho que o presidente tem feito desde que cheguei, nestes dois mercados. Trata-se de manter tudo em equilíbrio e colocar os números no lugar certo, mas também avaliar bem e colocar a parte desportiva como prioridade, tentando trazer para aqui os melhores jogadores possíveis para nós, dentro das possibilidades financeiras, mas também em termos de mentalidade, talento e qualidades

— A chegada de Fofana fecha o plantel do FC Porto neste mercado?

— Bem, há coisas a acontecer, não posso negar que há movimentos em curso. Provavelmente haverá dois movimentos a concretizar-se: um jogador a entrar e outro a sair. Mas, lá está, é o último dia de mercado — ou um dos últimos dois — por isso compreendo a sua pergunta, mas para nós, na realidade, a verdadeira prioridade hoje é o dia antes de um jogo muito importante contra o Casa Pia. Penso que o meu foco deve manter-se no jogo de amanhã, que é a prioridade absoluta.

— Que influência podem ter os resultados europeus das equipas portuguesas na última semana?

— Isso não sei. O que sei, e o que vou repetir agora — e que honestamente não me surpreende — é que antes de vir para aqui sabia que vinha para uma liga muito competitiva. Eu e a equipa técnica tentámos fazer o nosso "trabalho de casa" para chegarmos aqui preparados e cientes do contexto. E, na realidade, encontrámos exatamente o que esperávamos: uma liga competitiva, com adversários fortes, com equipas que, como disseste, se têm portado muito bem recentemente na Liga dos Campeões, e as duas equipas na Liga Europa que se qualificaram diretamente para o top 8. Por isso, mais uma vez, penso que o facto de haver este reconhecimento internacional apenas reforça a mensagem de quão boa é esta liga, quão bons são os treinadores portugueses, a capacidade desta liga de desenvolver jovens talentos e de atrair jogadores importantes do estrangeiro. Como parte do futebol português, temos de estar felizes por estes resultados desportivos que, como disse, sublinham o nível de competitividade deste campeonatode estar felizes por estes resultados, que enaltecem o nível competitivo deste campeonato.

— O mês do fevereiro vai ser mais desanuviado em termos de calendário. Que mudanças de rotina pode ter a equipa neste período de semanas limpas?

—Sim, vai ser um mês um pouco estranho para nós, porque a última vez que tivemos apenas um jogo por semana foi em agosto. É definitivamente uma mudança de cenário e de rotina. No papel, parece muito bom, porque nos dará mais tempo para trabalhar e a capacidade de gerir casos individuais de forma diferente, colocando as coisas no sítio certo. Mas, por outro lado, temos de estar conscientes de que este abrandamento do ritmo de jogo exige um aumento da nossa consciência coletiva. Temos de ser muito cuidadosos, porque normalmente, quando se muda a rotina, o baixar dos níveis de adrenalina é algo que pode aparecer naturalmente. Por isso, temos de ser muito bons a combater esta reação natural e mantermo-nos muito focados para maximizar estes blocos de três semanas com apenas um jogo por semana. Vamos aproveitar para nos prepararmos bem, acrescentar trabalho tático e físico adequado, refrescar as mentes e estarmos prontos para os últimos meses que, claro, vão ser muito importantes e decisivos.

— A tomada de decisão dos jogadores no último terço é uma questão de trabalho ou de sobrecarga mental?

— Concordo bastante com o que disse na última parte da sua pergunta. Por exemplo, no outro dia marcámos três golos, mas provavelmente poderíamos ter resolvido o jogo mais cedo. Tenho em mente um lance do Pepê, um lance do William, dois lances do Pepê que, mais uma vez, às vezes por falta de precisão no último passe ou porque a finalização não está ao nível pretendido, acabamos por desperdiçar oportunidades. Na realidade, penso que o trabalho que estes rapazes na frente têm feito — especialmente os que estão cá desde o início da época — tem sido muito bom, massivo mesmo. Já disse anteriormente que no nosso registo defensivo há muito do suor e da energia que os avançados colocam em campo. Por isso, temos de estar gratos pelo trabalho que eles fizeram. Agora, com as entradas do Oskar e do Moffi, teremos a oportunidade de gerir melhor as energias na frente e, esperemos, isso trará também mais clareza mental e sangue frio perante a baliza para maximizar o número de oportunidades que a equipa tem gerado. No entanto, para mim, o mais importante é manter o nível de intensidade e a ligação que os jogadores demonstraram até agora com a equipa, e quão generosos foram nestes meses. Há coisas para manter, coisas para melhorar e, sem dúvida, muitos jogos pela frente.

— A média de golos por jogo (6 nos últimos dois) recente dá-lhe mais confiança para o que aí vem? E como viu as palavras do presidente André-Villas Boas a dizer que fevereiro será um mês decisivo?

— Obviamente, ter jogos com alguns golos extra é algo de que gostamos e que procuramos. Estamos sempre ansiosos por marcar o máximo possível. Na realidade, nos jogos anteriores marcámos apenas um golo, mas gerámos muito volume, tal como fizemos nos últimos dois. Nestes dois tivemos, talvez, uma melhor taxa de eficácia. No final, o que está realmente sob o nosso controlo, ou onde o nosso esforço está mais focado, é em realizar exibições que nos ajudem a criar oportunidades e a não permitir tanto ao adversário. Depois, o jogo decide-se nas duas áreas e é aí que, por vezes, a eficácia dita o resultado. Podemos e estamos a trabalhar nisso, mas tem muito a ver com o momento de cada jogador, com o nível de confiança e penso que os últimos dois jogos nos deram, mais uma vez, uma boa sensação com a baliza adversária. Estamos ansiosos por marcar mais golos, mas o fundamental para nós é manter o nosso ritmo, seguir o nosso percurso e continuar a obter os resultados que temos tido até agora, embora saiba que será difícil — e será difícil já a partir do jogo de amanhã. Quanto às palavras do Presidente, penso que é claro o que ele disse e eu concordo. Concordo que fevereiro será um mês importante, mas março, abril e maio também o serão. Por isso, é natural que a nossa energia tenha de estar sempre focada no jogo seguinte. Penso que o trabalho do Presidente, do clube e de todas as pessoas envolvidas neste mercado — e mais do que no mercado, no trabalho diário do clube para tentar reduzir a distância para os nossos rivais — tem sido fantástico. Tem sido um esforço de topo por parte de todos. Ainda estamos no processo de nos estabelecermos verdadeiramente ao nível que o Porto merece. Por isso, há ainda muitas coisas para fazer, mas a avaliação destes meses — e deste último mês em particular — tem sido muito positiva. Agora cabe-nos transformar a vontade do clube em exibições e, começando já amanhã, continuar a avançar no nosso trajeto.

— O quão importante será para o FC Porto chegar ao clássico com o Sporting com a atual almofada de sete pontos de vantagem?

— O que é importante é manter o ritmo e continuar a progredir. Compreendo perfeitamente a percepção externa de que toda a gente já está a olhar para o dia 9 de fevereiro, mas a realidade é que temos um passo gigante para dar no dia 2 de fevereiro. O Casa Pia vai ser um jogo difícil, num campo complicado e contra uma equipa que, com certeza, vai tentar jogar todas as suas cartadas. É aqui que está o nosso foco. Penso que, até agora, a nossa mentalidade de ir jogo a jogo deu-nos resultados interessantes, por isso não vamos mudar essa forma de pensar. Não vamos mudar nada em termos de escolha da equipa nem fazer cálculos sobre o futuro próximo porque, como sempre, o mais importante é o presente. E o presente é o Casa Pia — é aí que está toda a nossa atenção e consciência.