Mário Lino: «Espero que o ano do Sporting termine como terminou o meu»
Quase que já se tinha perdido nos horizontes da memória a última temporada em que o Sporting tinha conseguido tantas vitórias consecutivas em casa. O recorde estava na posse da equipa de 1973/74 orientada por Mário Lino com 16 e foi batido numa sexta-feira à noite Santa para o conjunto de Rui Borges, diante do Santa… Clara (4-2), que assim perfez 17.
Há já longínquos 52 anos, o percurso começou com os galeses do Cardiff City na então Taça dos Vencedores das Taças e culminou com um 8-0 frente ao Oriental para o campeonato nacional. Agora, o trajeto incluiu triunfos sobre Marselha, Alverca (duas vezes), Marinhense, Club Brugge, E. Amadora, Aves SAD (duas vezes), Rio Ave, Casa Pia, PSG, Nacional, Famalicão, Bodo/Glimt e agora os açorianos.
Nesta sequência vitoriosa inédita, os leões somaram seis jogos a marcar, pelo menos, quatro golos, demonstrando que, no seu território, há muito poder de fogo.
A BOLA falou com Mário Lino, o então jovem técnico que conduziu uma equipa na qual pontificavam Vítor Damas, Nélson Fernandes, Dinis ou Yazalde ao cetro nacional nessa temporada. Aos 89 anos, o homem que se sagrou campeão nacional como jogador, adjunto e treinador principal, mantém uma lucidez assinalável e não tem uma ponta de mágoa por ter sido agora ultrapassado por Rui Borges.
«Um homem com quem convivi bastante e que também era chegado às coisas da bola mas com vastíssima experiência no atletismo, o senhor Mário Moniz Pereira, de quem guardo imensas saudades, dizia-me sempre o mesmo: os recordes são sempre para serem batidos. Nesse sentido, fico feliz por neste momento o Sporting estar no lugar em que está, num período em que há controlo na gestão e uma forma de estar condizente com os pergaminhos e historial de grande instituição que é. Fico satisfeito por todo o pelo seu staff e, obviamente, pelo treinador», diz.
Nessa temporada de 1973/74, pouco depois de rufarem os tambores da Revolução de Abril, o Sporting conquistou mais um campeonato nacional, o 14.º do seu historial, segundo a contabilidade da FPF — os leões alegam que foi o 18.º, pois somam os campeonatos de Portugal. Mas polémicas à parte, Mário Lino gostava que o desfecho da época fosse o mesmo que em 1974, naquela que foi a primeira do presidente João Rocha à frente do clube. «Espero que o ano termine como terminou o meu. Agora ainda há alguma folga, daqui a dois/três jogos o funil vai começar a apertar mais. Mas o Sporting está de parabéns pelo trajeto que tem percorrido», insiste.
Luis Suárez é de momento o máximo goleador dos leões, com 23 golos na Liga. Em 1974 era Hector Yazalde o destaque, culminando a temporada com 46, conquistado a Bota de Ouro que consagra o melhor marcador dos campeonatos europeus. Qual o melhor? «São épocas completamente diferentes mas parece-me que o Yazalde era mais móvel do que o Suárez mas também tinha o dom de estar sempre no sítio certo para finalizar», conclui o açoriano, natural do Faial.
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