Assalto a casa de Donnarumma: julgamento em setembro e dois adolescentes condenados
Três homens, incluindo Ilyas Kherbouch, conhecido como Ganito, serão julgados em setembro pelo violento assalto à residência de Gianluigi Donnarumma. O julgamento está agendado para os dias 10 e 11 de setembro no tribunal de Paris, segundo a AFP.
O crime ocorreu na madrugada de 21 de julho de 2023, quando um grupo de assaltantes invadiu a casa do futebolista italiano, situada na luxuosa Avenue Montaigne, em Paris. O ex-guarda-redes do PSG, atualmente no Manchester City, e a sua companheira foram surpreendidos durante o sono por quatro homens encapuzados. Donnarumma foi agredido no rosto, ameaçado com uma faca e amarrado.
A sua companheira, que estava grávida de dois meses, também foi amarrada com cabos de carregadores de telemóvel e, segundo o Ministério Público, foi «violentada para obter a combinação do cofre». O casal sofreu um profundo trauma, agravado pelo facto de a companheira do jogador ter sofrido um aborto espontâneo após o incidente. O valor do roubo foi estimado em dois milhões de euros.
«Estes atos de uma violência inaudita são, até hoje, incompreensíveis para os nossos clientes, que permanecem profundamente chocados», declararam à AFP os advogados do casal, Pierre Louis Dauzier, Annabelle Faci e Thomas Klotz.
A investigação aponta que o assalto foi ordenado a partir da prisão por Khyan M. e Ilyas Kherbouch, de 21 anos, através da rede social Snapchat. Kherbouch, apelidado de «Ganito», é um recluso de alta periculosidade, conhecido por uma evasão espetacular em março, quando cúmplices se fizeram passar por polícias para o libertar da prisão de Villepinte. Foi recapturado 13 dias depois.
Considerado um perfil violento, «Ganito» tem um longo historial criminal, incluindo uma condenação a sete anos de prisão pelo sequestro do chefe de cozinha italiano Simone Zanoni, crime que cometeu antes de atingir a maioridade. Os investigadores acreditam que recrutava jovens para executar os seus planos.
Um dos suspeitos detidos, que confessou a sua participação e forneceu informações sobre os mandantes, foi encontrado morto na sua cela em Fresnes, tendo-se enforcado. O homem tinha expressado aos investigadores um grande receio de represálias.
Numa outra vertente do caso, um dos executantes do assalto, que será julgado em setembro, foi sequestrado após um desentendimento com os mandantes. Fotografias suas, nu e ensanguentado, foram encontradas no telemóvel de «Ganito». «O nosso cliente é sintomático de uma juventude vulnerável e sacrificada, usada como carne para canhão para servir projetos criminosos que a ultrapassam», lamentaram os seus advogados, Sipan Ohanians e Jeanne Audéon.
Entretanto, um primeiro processo relacionado com o caso já foi concluído no tribunal de menores. Dois jovens, adolescentes à data dos factos, foram condenados a penas de quatro e três anos de prisão, respetivamente, com um ano de pena suspensa. O Ministério Público, no entanto, recorreu da decisão.