Sporting: «Tenho de continuar a ser desafiado», diz Diego Callai
Com o passaporte português em mãos, Diego Callai já pode alimentar o sonho de jogar pela Seleção Nacional mas tem todo o futuro no Sporting pela frente. Depois de uma temporada inteira a trabalhar na equipa A e a jogar pela B, o guarda-redes de 21 anos prepara o regresso a Alvalade com várias possibilidades para definir, mas sempre para se desafiar, crescer e evoluir.
— Entretanto há um passo a dar primeiramente: como vai ser a próxima época? Continuar a trabalhar com a equipa A e jogar na B?
— Tenho que continuar a ser desafiado. Ainda não sei o que vai acontecer, não tenho nenhuma notícia sobre isso, mas o importante é que dê um passo em frente e num contexto que vá desafiar-me. Primeiro vou aproveitar as férias para relaxar, para descansar, e depois logo vamos ver.
— Pergunto isso porque se fala muito também na possibilidade de empréstimo…
— Sim, com certeza. Mas é uma questão que vamos ver com calma, vamos ver também quais são os planos do Sporting.
— Como tem sido a vivência de trabalhar com a equipa A e jogar pela B?
— Já há algumas épocas que isso acontece. É um processo fundamental para qualquer jogador da formação do Sporting. Acho que isso acontece não só comigo, mas com muitos outros miúdos ali dentro que estão sempre a treinar e a serem inseridos em contextos mais acima, o que é muito importante para a evolução do jogador. É um processo que acaba por ser normalíssimo no Sporting.
— Mas agora com a equipa B na Liga 2 é melhor? Sente que isso é favorável ao seu desenvolvimento?
— Claro que sim. Se não me engano, acho que foram três ou quatro épocas em que cheguei a jogar no terceiro escalão… Obviamente que tive também um empréstimo em que pude sentir um bocadinho o que era a Liga 2, quando fui para o Feirense no mercado de inverno. Foi uma etapa profissional muito importante para mim.
— Mesmo tendo participado apenas em 11 jogos?
— A estreia foi um jogo que me correu muito bem mas depois acabei por descer um bocadinho o nível e o mister optou por tirar-me e rodar a equipa. Mas nunca deixei de acreditar, continuei a querer trabalhar sempre muito, a querer crescer. Era um miúdo de 19 anos e foi uma etapa muito importante para mim, para o meu crescimento.
As referências
— Como é trabalhar com Rui Silva e João Virgínia, como tem sido essa aprendizagem?
— É fantástico poder trabalhar todos os dias com guarda-redes deste calibre. Tanto o Rui como o Virgínia, como também os meus colegas que estão ali também inseridos no contexto da equipa A e fizeram alguns jogos na equipa B, como o Francisco [Silva], o [Guilherme] Pires. São todos guarda-redes de excelência, consegue-se tirar sempre um bocadinho de cada um. O grupo de guarda-redes é incrível! Lembro-me que a primeira vez em que me ligaram à noite e disseram que ia treinar na equipa principal só dormi uma hora! Por isso também procuro ajudar, com a minha pequena experiência, os meus colegas que são chamados.
— E como é o 'mister' Rui Borges?
— Não deixa ninguém de lado. Procura passar muito bem as ideias, fala individualmente. Gosta muito também de acompanhar os jogos da equipa B e também de outros escalões. Procura sempre estar envolvido nesse processo.
— Antes trabalhou na equipa A com o Adán.
— Ajudou-me muito, ainda falo com ele. É um guarda-rede que vai ficar sempre no meu coração. Vou levá-lo para a vida. Porque ajudou-me imenso, principalmente naqueles momentos iniciais que ainda não estava integrado na equipa A. Adán vai sempre ser uma referência para a vida toda.
— Que outros guarda-redes tem como referências?
— Sempre gostei muito do Buffon e o melhor guarda-redes de sempre para mim vai ser o Neuer, é completamente diferenciado. Foi um guarda-redes que inovou na nossa posição e aos 40 anos continua a estar ao mais alto nível, é impressionante!
— Esta temporada na Champions esteve com ele em Munique…
— Estava no banco e levei praticamente o jogo todo atento a ele. No final consegui cumprimentá-lo. Por acaso queria ter-lhe pedido a camisola mas fiquei com vergonha [risos]. Estava a viver um sonho.
— Em casa sempre teve um guarda-redes, o pai Diego que se destacou no Brasil no Atlético Paranaense e Fluminense e em Portugal no V. Setúbal?
— Queria terminar mesmo com o meu pai, o meu maior ídolo, vai ser sempre ele. Fez uma carreira de grande nível, de grande prestígio, considerado melhor guarda-redes tanto no Brasil como em Portugal.
— Quando era miúdo já era guarda-redes que queria ser?
— Nem por isso. Só uma vez nas escolinhas do V. Setúbal, quando passámos a jogar com balizas maiores e o mister reuniu toda a gente para encontrar o guarda-redes, para ver quem se candidatava… Todos olharam logo para mim. E eu: vai ter de ser, não é? Resolvi experimentar e fiquei para sempre. Calcei as luvas e nunca mais as quis tirar.