Manuel Machado recorda jogo em que «o fiscal de linha confundiu a bola com a luva do guarda-redes» e deu golo ao Sporting
Manuel Machado esteve à conversa com A BOLA e recordou o último triunfo do Vitória de Guimarães em casa do Sporting, que aconteceu na temporada 2010/11, precisamente com o próprio técnico ao comando: «Foi caricato. Sofremos dois golos nos primeiros 45 minutos. Um com 10 metros de avanço do atacante em fora de jogo. Outro em que a bola não entrou na baliza e a justificação dos árbitros - a posteriori - foi que o fiscal de linha tinha confundido a luva do guarda-redes [Nilson] com a bola.»
A um quarto de hora do fim, os leões ainda venciam 2-0, mas a reta final - tal como no último encontro com o Tondela (2-2) - tudo levou. «O nosso segundo tempo foi fantástico. O Tiago Targino (77' e 78'), que vinha de uma lesão de longa duração, retomou a competição nesse jogo e fez dois golos. E depois o Bruno Teles (88') acabou por fazer o 3-2. Soube muito bem. Os jogadores estavam amargurados e enraivecidos pela injustiça que lhes haviam feito no primeiro tempo.»
Virando as atenções para o duelo da próxima segunda-feira (20h15), o mister, de 70 anos, antevê um «jogo de grande importância para ambas as equipas», em que, por um lado, «o Sporting, pela força daquilo que é a sua qualidade, mas também o seu momento [vem de dois empates com Aves SAD e Tondela]- está numa luta desesperada para alcançar o segundo lugar» e, por outro, «o Vitória de Guimarães dá-nos razões para fazer dele um candidato ao triunfo», porque «tem tido resultados muito interessantes quando joga em campos que à partida se adivinhava que não iria ter sucesso».
«O trajeto do Vitória nesta temporada é marcado por alguns desaires com equipas de média e pequena dimensão, e por grandes sucessos em jogos de nível de maior dificuldade. Do ponto de vista anímico, isso dá razões para que haja ambição no jogo de Alvalade», afirmou o experiente treinador, lembrando a vitória sobre os leões na meia-final da Taça da Liga (2-1), em janeiro. Ainda assim, Manuel Machado salientou que «cada jogo tem uma impressão digital diferente» e, por isso, «modelos» que levaram à vitória no passado são intransportáveis.
Sobre o atual bom momento dos minhotos, dentro de campo, o vimaranense considera que «a mudança no comando técnico [saiu Luís Pinto e entrou Gil Lameiras] pode ter produzido algum efeito». Fora das quatro linhas, referindo-se ao atual processo eleitoral, apelou a que, no meio de tantas «emoções e paixões que diferenciam» o clube, «terá de haver alguma racionalidade para que não se esteja a induzir seja quem for num caminho que não é possível ser trilhado, num momento particularmente difícil no plano económico-financeiro».
O treinador, que admitiu estar aberto a convites para voltar a orientar clubes da Liga, avaliou positivamente o trabalho da Direção demissionária: «Em quatro anos conseguiu três Europas e uma Taça da Liga. Criou um novo projeto: de aposta e valorização dos jovens para o mercado no sentido de haver equilíbrio financeiro.»