Man. City tropeça e o Arsenal é campeão da Premier League 22 anos depois! (crónica)
Foi longa a espera, mais precisamente 22 anos, mas terminou esta terça-feira, dia 19 de maio de 2026: o Arsenal é campeão de Inglaterra! A equipa de Mikel Arteta precisava que o Manchester City não vencesse no terreno do Bournemouth e uma das equipas-sensação da temporada impôs empate a um golo aos citizens, confirmando a festa dos gunners, que entram para a última jornada do campeonato com três pontos de avanço sobre o Man. City.
Desde 2004, na altura os famosos Invencibles, onde pontificavam nomes como David Seaman, Sol Campbell, Patrick Vieira, Robert Pirès, Dennis Bergkamp ou Thierry Henry, que o Arsenal não vencia a Premier League.
A formação de Pep Guardiola entrou em campo um dia depois da vitória dos londrinos sobre o Burnley, sabendo, portanto, que só uma vitória empurraria a decisão para a última jornada, na qual o City recebe o Aston Villa e o Arsenal vai a casa do Crystal Palace.
Mas à exceção de um primeiro lance de perigo protagonizado por Semenyo e Doku, foi a equipa da casa a ter mais objetividade, criando muitas jogadas de assinatura, fruto de uma excelente ligação entre setores. Nada que surpreenda face ao bom futebol que a formação de Iraola nos habituou ao longo da época.
Em circunstâncias normais, o Bournemouth estaria em vantagem logo aos 15', na sequência de uma boa jogada coletiva à qual só faltou o mais fácil: o encosto na pequena área já com a baliza aberta, mas Evanilson fez o mais difícil, abordando mal o lance e atirando por cima. Um momento Bryan Ruiz.
Ainda assim, nem o ex-avançado do FC Porto se ressentiu do erro, nem o resto da equipa. Os cherries cresceram e depois de algumas ameaças, Kroupi fez o 1-0, numa jogada muito bem pensada: lançamento largo na profundidade, cruzamento rasteiro atrasado do lado esquerdo para o avançado francês receber com algum espaço e rematar em arco, sem hipóteses para Donnarumma. Talvez desse jeito a Portugal se o jovem jogador não preferisse jogar por França, tal como explicou hoje o selecionador nacional, Roberto Martínez.
Logo após o intervalo o City esteve muito perto do empate, mas Petrovic fez uma grande mancha aos pés de O'Reilly, que apareceu isolado a passe de Haaland (uma característica de jogo que foi comum, com o norueguês a entrar mais na construção).
Talvez o jogo pudesse ter sido outro, mas a falta de concretização foi pesando na cabeça dos jogadores do segundo classificado e a tripla substituição que mais tarde se seguiria não trouxe melhoras para os skyblues, entre as quais a saída de Bernardo Silva. O Man. City perdeu critério, Rodri passou a ter mais responsabilidade na criação, mas não tem as pernas de outras épocas, o que perante uma excelente equipa como o Bournemouth foi insuficiente: a equipa do Sul de Inglaterra esteve muito mais perto do 2-0, mas Donnarumma e o poste impediram o avolumar do marcador.
E foi só mesmo à beira do fim, e na sequência de muitas bolas bombeadas para a área, que Haaland fez o empate, numa jogada de insistência, mas já era muito tarde para uma reação digna de campeão. Veio o apito final e a constatação de que o título estava perdido.
O Arsenal podia festejar em Londres no dia em que quase se tornou oficial a saída de Pep Guardiola. É o fim de um ciclo. Outro espanhol pode agora festejar, curiosamente um ex-discípulo do catalão: Mikel Arteta é o the man.
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