Luís Pinto: «Temos de focar-nos no nosso trabalho, nas nossas tarefas»
O Gil Vicente prepara-se para visitar o Santa Clara, no próximo domingo, num duelo que Luís Pinto perspetiva de elevado grau de exigência. Na antevisão à partida, o treinador dos gilistas sublinhou o valor do conjunto açoriano, quarto classificado da tabela, garantindo que o plantel de Barcelos se encontra física e mentalmente pronto para responder à altura.
«Sinto o grupo bem, sinto o grupo feliz. Esta semana, apesar de não ter sido semana que tenha dado muito tempo para treinar, deu para ter duas folgas, que era algo que não tínhamos há algum tempo. Deu para mentalmente recuperar e sentimos que estão felizes, motivados e preparados para este desafio que vai ser muito interessante», começou por destacar.
Sobre as qualidades do adversário insular, o timoneiro dos galos não poupou elogios ao percurso do Santa Clara: «É um adversário que está na posição que merece estar, é merecido pelo que têm feito. Têm uma ideia muito interessante, têm uma forma de competir muito, muito rica.»
Analisando o embate anterior com o V. Guimarães, Luís Pinto traçou paralelismos e reforçou a necessidade de concentração interna: «Em relação ao último jogo, tem semelhanças no que diz respeito a características individuais dos jogadores. Há um ou outro aspeto que podemos tentar aproveitar de um jogo para o próximo, quer do ponto de vista defensivo, quer ofensivo. Nesse sentido, o último jogo pode dar alguns caminhos que nos podem tornar mais presentes no jogo desde mais cedo. Com o Vitória tivemos necessidade de perceber o que estava a acontecer. Do ponto de vista da disponibilidade sentimos que não era o jogo em que estávamos mais presentes, contudo, o jogo teve algumas nuances que vão aparecer neste próximo jogo e, se tivermos capacidade para identificar mais cedo o que está a acontecer, podemos ter isso como vantagem, focando muito no nosso trabalho e não tanto aquilo que é a equipa do Santa Clara. Temos de focar-nos no nosso trabalho, nas nossas tarefas.»
Margem de progressão e gestão individual
No que toca ao rendimento coletivo, o treinador gilista apontou a necessidade de afinar processos nos dois momentos do jogo: «Julgo que nós temos espaço de melhoria tanto defensivamente como ofensivamente. O que temos que perceber é que, do ponto de vista do processo, o que é que temos feito ofensivamente que nos permita desbloquear um pouco e aumentar o rendimento. Se formos a ver e analisarmos dados das oportunidades criadas e golos, temos uma diferença em que saímos prejudicados porque deveríamos, com as oportunidades criadas, ter mais golos efetuados. Contudo, temos também dados que nos ajudam a perceber que podemos criar ainda mais oportunidades. Foco deve ser a variabilidade e a forma de atacar que nos possa dar ainda mais oportunidades para estarmos mais vezes em frente à baliza para fazer golo.»
«Não quero tanto entrar pela parte da efetividade das ações. Devemos, sim, estar focados em tentar aumentar formas de atacar para ter mais oportunidades. Do ponto de vista defensivo, o rendimento tem sido interessante, mas acredito que temos espaço para sermos mais capazes, para passarmos de uma zona mais baixa para zona mais alta, de forma agressiva, de forma mais pressionante. Não acredito que sejam questões para o próximo jogo, são a médio prazo, vamos ter mais tempo de treino e são coisas em que temos que nos focar para melhorar», complementou.
Em plano individual, Luís Pinto abordou o momento de Gil Martins, desdramatizando a perda de espaço recente: «Acredito que tudo faz parte do processo, da adaptação. Estamos a falar de um jogador que jogou Liga 2, que quando veio para o Gil jogou nos sub-23, é um campeonato com muitas diferenças a nível de intensidade e intencionalidade das ações. Mentalmente, jogos dos sub-23 não têm exigência muito pesado, enquanto os da primeira têm exigência muito grande. É normal que haja uma quebra, por vezes, num jogador que está a jogar pela primeira vez numa Liga. Se jogadores com 10 anos têm... Contudo, o que me deixa mais satisfeito é que tem sido o que tem sido desde o início da época. Vai ter um futuro risonho. Joga, treina de forma fantástica. Não joga, treina de forma fantástica. Foi assim que conquistou espaço e é assim que vai continuar a ter espaço. É o que tem feito até aqui e é alguém que conta muito enquanto treinador. Não é por ter jogado menos que mudou o estatuto dele para mim.»
O técnico enalteceu a resiliência demonstrada por Lucão no seio do grupo de trabalho: «Quanto ao Lucão, já falei uma vez sobre este assunto. Muito mérito do Lucão, muito mérito do Jorge e do Pico e do Samu porque o obrigam a treinar todos os dias com uma intensidade muito alta. Sabe que tem que estar num nível alto. Concorrência é séria e quer dar respostas, tendo as oportunidades. Mas eu destaco a capacidade de resiliência do Lucão. Tem sido um exemplo do que a sociedade quer, que é pressa na afirmação. É pressa nas conquistas... o que mostrou é que, apesar de não ter começado ao nível que desejava e de não ter correspondido ao que o clube queria na época passada, este ano conseguiu começar aos poucos a ganhar a sua confiança, a conquistar a confiança de toda a gente e a ser um elemento a estar muito bem.»
Relativamente à paragem competitiva que se avizinha no calendário, Luís Pinto considerou que «vai ser importante», encarando essas pausas no planeamento anual como momentos chave para descanso da equipa.
A exigência do futebol atual e a pressão constante em torno dos resultados estiveram em destaque na análise ao momento da equipa antes da interrupção competitiva. Face ao desgaste provocado por um desporto onde impera o imediatismo, a paragem do campeonato surge como uma oportunidade crucial para recuperar energias.
«Vivemos num desporto em que ainda é mais enraizado o querermos tudo para ontem. O sistema que está à volta do nosso dia a dia enquanto desporto olha muito para o resultado e toda a preparação é uma preparação que tentamos que nos leve ao melhor resultado. E isso tem desgaste para todos. Independentemente do resultado, acredito que podemos tirar coisas benéficas da paragem», foi sublinhado, destacando-se a importância dos três dias de descanso previstos: «Serão três dias que vamos ter sem treinos, mas serão três dias em que toda a gente pode ser uma pessoa e ter liberdade para estar com a família e com amigos. Seja a ganhar ou a perder, é sempre importante. Deus queira que seja a ganhar porque vamos todos mais felizes.»
Boletim clínico e soluções para o corredor central
No que diz respeito às opções disponíveis, a situação clínica de Elimbi continua sob avaliação permanente. «Andamos dia após dia a perceber qual é que vai ser a realidade dele. Se não estiver disponível para este jogo, vamos aproveitar a paragem para não forçar nada. Se tiver de forçar e der para forçar, também o iremos fazer», clarificou-se.
Em contrapartida, há novidades e alternativas prontas a dar resposta: «Para este jogo já temos o Espi. O Esgaio tal como o Weverson são opções que temos válidas para o corredor central, que acreditamos que, por aquilo que é o conhecimento do jogo, a maturidade, a experiência, são opções que para nós têm sempre valor e que nos permitem olhar para o nosso plantel e para as nossas necessidades com olhar otimista.»
Convocatória de Diogo Prioste merece elogios
Outro dos temas em evidência foi a chamada de Diogo Prioste aos sub-21 de Portugal. A estreia do jovem jogador no principal escalão tem sido acompanhada de uma evolução consistente, que agora mereceu a devida recompensa internacional.
«Dar-lhe os parabéns. Algo que quando veio para aqui gostava de atingir. Atingiu a convocatória. Tem feito o trabalho dele para que isto seja possível, tem vindo a crescer e tem demonstrado capacidade maior para jogar na Liga. É a primeira vez que está na Liga e, se possível, que continue a ser chamado. Tem de dar ao chinelo para jogar no Gil e ser chamado à Seleção.»
Luís Pinto comentou, ainda, a saída de Cristiano Ronaldo da Seleção Nacional: «Como todos nós portugueses, olhamos para esta saída como algo que sabíamos que algum dia teria de acontecer. Contudo, vale o que vale, gostava, enquanto português, que a saída acontecesse de outra forma. Que o último jogo não fosse como foi. Foi um jogador que nos deu tanta coisa boa, que fez com que nós pudéssemos mais do que o futebol enquanto portugueses acreditar que era possível alcançar coisas bem maiores do que aquelas a que estávamos habituados a lutar. Gostava que esta não fosse a despedida dele e agradecer pelo que fez pela nossa Seleção.»