Ombro a ombro entre Santi García e Borevkovic exemplifica bem o equilíbrio registado em Barcelos — Foto: HUGO DELGADO/LUSA
Ombro a ombro entre Santi García e Borevkovic exemplifica bem o equilíbrio registado em Barcelos — Foto: HUGO DELGADO/LUSA

Mais vale um pássaro na mão do que... três a voar (crónica)

Gil Vicente interrompe série de duas derrotas consecutivas e V. Guimarães pontua pela primeira vez fora. Duas oportunidades em 90 minutos explicam tudo...

Do mal o menos. Assim pode sintetizar-se o jogo do Cidade de Barcelos. O medo de perder ganhou à ambição de vencer, de aí que o encontro se tenha arrastado, arrastado... até terminar tal como começou. Sem golos, claro, e com pouquíssimos lances de perigo.

O Gil Vicente vinha de duas derrotas, diante de FC Porto (Liga) e Benfica (Taça da Liga). Os adversários foram de peso, mas não deixaram de ser duas derrotas, que provocam sempre alguma mossa, nem que seja apenas no estado anímico. O Vitória também não respira propriamente confiança, mesmo que os dois jogos anteriores se saldassem por triunfos (Lamelas, Taça de Portugal) e Marítimo (Liga), muito por a equipa contabilizar por derrotas as quatro deslocações realizadas até então para o campeonato.

O jogo começou muito fechado, com as equipas a prolongarem a fase de estudo e ninguém deu sinais de querer arriscar declaradamente na procura do golo. Os conquistadores começaram a querer controlar e tiveram mais posse de bola, os galos não se incomodaram por ter as linhas ligeiramente mais baixas — Ricardo Esgaio foi adaptado, com sucesso, a central, face às baixas de Elimbi (lesionado) e Espigares (castigado), com José Silva a surgir como lateral-direito —, antes pelo contrário, já que a estratégia passava por tentar explorar as transições.

E foi mesmo a equipa de Luís Pinto a primeira a estar perto do golo, já... perto do intervalo. Santi García libertou-se na direita, cruzou rasteiro para Lausen, que, de calcanhar, atirou ao poste.

Jogo sempre morno até ao descanso, equipas sempre encaixadas na segunda parte. Ninguém arriscou, ninguém ousou. As substituições foram basicamente troca por troca, pelo que apenas um lance fortuito ou uma bola parada poderia desequilibrar os pratos da balança. Nenhum deles surgiu.

Cedo se percebeu que ambos os treinadores preferiam um pássaro na mão que... três a voar e tal veio mesmo a verificar-se apesar de na ponta final, com o sangue novo saído dos bancos e o natural desgaste dos restantes jogadores o jogo tenha ficado mais partido na ponta final, o que é sempre suscetível de originar mais lances perigosos.

Não foi propriamente o que aconteceu, embora tenha sido já bem perto do final que surgiu a melhor oportunidade do Vitória, com Camara a não aproveitar uma defesa incompleta de Lucão — remate ao lado em boa posição — após lance de insistência de Ndoye na área. Foi a segunda verdadeira oportunidade de todo o jogo. Diz quase tudo, não diz?...

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