Champions in Loures, uma experiência para toda a vida. Foto: Champions in Loures
Champions in Loures, uma experiência para toda a vida. Foto: Champions in Loures

Loures, o berço da Champions

Torneio juvenil coloca o hino da prova milionária para jovens há 13 edições. João Neves e Nuno Mendes participaram e depois conquistaram a verdadeira

Já se perguntou onde craques da Seleção Nacional como João Neves, Nuno Mendes, Gonçalo Inácio ou João Palhinha terão ouvido pela primeira vez o hino da Champions enquanto jogadores? Poderia ter sido na Luz, Alvalade ou em qualquer outro grande palco internacional, mas não: foi em Loures.

A ‘Champions in Loures’ tem como particularidade o facto de entoar, no início de cada partida, o carismático hino da prova milionária e serviu de preview às carreiras de sucesso destes jogadores – hoje, João Neves e Nuno Mendes não apenas já jogaram a verdadeira Champions… como até já conquistaram a competição, em 2024/25, pelo PSG.

O torneio juvenil, que tem cimentado o seu espaço no calendário de competições em Portugal, cumpriu no passado fim de semana a sua 13.ª edição, foi um êxito organizativo e o responsável pela ideia, João Morais, fala a A BOLA sobre esta rampa de lançamento de figuras de primeiro plano do futebol nacional.

«Só de Benfica e Sporting, pela nossa conta, foram vários, porque todos os anos as suas equipas do Benfica de formação participam. Portanto, pelos anos de nascimento de há 13 anos para trás, tivemos Gonçalo Inácio, João Neves… imensos jogadores de Benfica e do Sporting participaram no torneio e são, hoje, profissionais», assinala, orgulhoso, explicando como esta ideia chegou até aqui.

«O torneio Champions tem crescido e tem-se afirmado no futebol de formação, principalmente no distrito de Lisboa e esta 13ª edição decorreu entre os dias 31 de Março e 4 de Abril, e utilizámos vários complexos desportivos. Iniciámos com apenas um complexo e 32 equipas em quatro escalões, hoje tivemos 130 equipas distribuídas por 5 complexos desportivos de dois municípios, Loures e Vila Franca de Xira.

A Champions in Loures disputou-se nos campos de Póvoa de Santa Iria, Zambujal, Camarate, Bobadela e Catujal, todos eles localizados na autarquia de Loures com um «crescimento sustentável», define, com orgulho, o seu organizador.

«Nos últimos 10 anos temos tido sempre mais de 100 equipas, esta edição com 130, 39 clubes envolvidos, mais de 3 mil atletas e, com certeza, entre pais e mães, irmãos e avós, muito mais de 10 mil pessoas circularam pelos campos do torneio. É um espaço que tem sido também de envolvimento e convívio e também oportunidade para os jovens jogadores mostrarem o seu talento», destaca.

O Sporting é participante habitual da 'Champions in Loures'. Foto: Champions in Loures

Filão inesgotável no campo e na bancada

Com os quatro internacionais AA por Portugal como referência, já são vários os atletas que passaram pelas treze edições deste torneio e evoluem no futebol profissional: Wagner Pina pode disputar o Mundial 2026 por Cabo Verde, João Marques e André Lacximicant representam Casa Pia e Estoril, respetivamente, no escalão maior do futebol português e Eduardo Quaresma joga a Champions dos graúdos pelo Sporting.

«São muitos os que já estão num outro patamar, no estrangeiro, que não chegaram à Seleção Nacional mas são profissionais, que ganham muitos milhares de euros, e fazem carreira profissional no futebol que, se calhar, tiveram aqui a sua primeira grande experiência. Penso que também é marcante para eles», assinala João Morais, ligado ao torneio desde a sua fundação.

O responsável recorda que todos estes atletas, hoje na alta-roda do futebol, eram muito jovens e ainda sem notoriedade - «sendo muito sincero, não tenho na minha mente em memória viva nenhum momento específico destes jogadores, mas lembro-me perfeitamente deles e alguns até ganharam prémios no torneio pelas suas equipas» - mas salienta uma passagem particularmente marcante.

«Lembro-me, por exemplo, que o Romário Baró nesse ano foi transferido para o Sporting. Ganhou o prémio de melhor jogador do torneio no seu escalão e foi transferido do UA Povoense para o Sporting», lembrou, relativamente ao médio que representaria mais tarde o FC Porto como profissional e conquistou uma Liga, uma Taça de Portugal, uma Supertaça e uma Youth League pelos dragões.

Uma verdadeira chuva de estrelas que se prolonga fora dos relvados - com entusiasmo, João Morais destaca que a edição 2026 da Champions in Loures teve dois visitantes especiais na bancada. «O Nuno Santos esteve no complexo desportivo da Póvoa de Santa Iria, a acompanhar o filho, também ele chamado Nuno Santos e atleta dos sub7 do Sporting, e o Ruben Amorim esteve este sábado no complexo do Águias de Camarate a acompanhar um familiar, circulam várias fotografias dele no campo», conta, feliz pela notoriedade alcançada.

O Benfica é um 'habitué' no torneio, que este ano juntou 130 equipas, distribuídas por cinco complexos de Loures e Vila Franca de Xira. Foto: Champions in Loures

«Era como se estivesse mesmo a jogar a Champions»

André Lacximicant destaca-se hoje pelo Estoril, na Liga, é um dos casos de sucesso desta competição e olha para ela de forma muito especial, visto ter participado em várias edições por ser natural do município de Loures – na sua formação, o avançado representou clubes como Ponte Frielas, Loures e Sacavenense.

«Lembro-me de que na minha altura a Champions in Loures era uma competição de bastante qualidade, com grandes equipas, e poder participar nela pela seleção dos melhores jogadores de Loures era muito bom», recorda Lacximicant, que nessa competição até marcou ao FC Porto, que irá reencontrar este domingo,

«Tenho algumas memórias mas, de todas, lembro-me de um bom golo de livre que marquei na fase de grupos e um chapéu de fora da área que fiz ao guarda-redes do FC Porto, numa bola lançada na profundidade e o guarda-redes saiu da baliza. Penso que fizemos, na altura, o 2-1 e eu festejei de joelhos em direção à bancada, num sintético», recorda.

João Neves, Nuno Mendes, Gonçalo Inácio ou Eduardo Quaresma já disputaram a prova e André Lacximicant lembra-se de ter defrontado outros dois jogadores que também atingiram o profissionalismo, como Ronaldo Camara e Félix Correia.

«Acredito que todo o percurso que fiz durante a formação contribuiu para o meu desenvolvimento e esse trabalho que foi feito fez com que hoje pudesse jogar a um nível alto, como é a Liga», realça, avaliando torneios deste tipo como importantes patamares de evolução, especialmente porque, nesta prova, escutou o hino da Champions… e não esquece a sensação.

«Na altura, ouvir o hino era como se estivesse mesmo a jogar a Champions. Era um momento especial, pois sabia que ali estavam os grandes jogadores da altura e só queria desfrutar e fazer golos. Tenho esse sonho, de um dia ouvir o hino da Champions, agora como profissional», admite.

André Lacximicant brilha agora no Estoril. (Foto: IMAGO)