David Dwinger tem objetivos claros a atingir com o Cascais ao longo dos próximos anos. Foto: GDS Cascais SAD

«Alcançar Ligas profissionais por volta de 2030 e as competições europeias em 10 anos»

David Dwinger é o presidente da SAD do Cascais e definiu metas muito ambiciosa

A ambição deste modernizado Cascais vem dos Países Baixos – David Dwinger é o presidente da SAD e define os «objetivos claros, mas também ambiciosos» de atingir as Ligas profissionais em 2026, ambicionar a qualificação para uma competição europeia dentro de uma década, criar «cooperação e respeito mútuo» com o vizinho Estoril e ainda disputar um jogo amigável com a «referência» Benfica.

Onde pretende ver o Cascais nos próximos anos e quais são as ambições desportivas deste projeto?

- Definimos objetivos claros, mas também ambiciosos: alcançar as divisões de topo em Portugal por volta de 2030 e apontar a competições europeias em aproximadamente dez anos, sempre passo a passo e de forma sustentável. Para lá chegar, vamos focar-nos em três pilares: uma academia forte, a desenvolver talento local, uma equipa principal competitiva que possa escalar divisões e uma organização profissional que use dados, tecnologia e métodos modernos para ganhar vantagem.

Se em poucos anos as pessoas em Portugal falarem sobre o Cascais como um clube que pratique um futebol atrativo, desenvolva jovens jogadores e represente o melhor de Cascais nacional e internacionalmente, então saberemos que o projeto está no caminho certo.

Já manifestou publicamente o desejo de disputar um jogo amigável contra o Benfica. É o seu role model no futebol português?

- O Benfica é, naturalmente, uma referência no futebol português: a história, o estádio, as noites europeias…  – todos os adeptos de futebol na Europa sabem o que o Benfica representa, tal como acontece com o Sporting e outros grandes de Portugal!

Para um clube como o Cascais, disputar um particular com o Benfica seria um sonho para os jogadores e adeptos e um símbolo do quão longe o clube progrediu, mas também uma inspiração para os jovens da formação.Ao mesmo tempo, a nossa verdadeira referência é o rastro de clubes ambiciosos que escalaram de divisões inferiores para posições estáveis nas ligas profissionais por associar bom scouting, gestão moderna e uma academia forte. É essa a jornada que queremos seguir, mas vamos dar tempo, o fosso ainda é, de momento, demasiado grande.

O município de Cascais está representado por uma equipa na primeira Liga, o Estoril. Vê-lo como uma referência ou um futuro rival?

O Estoril já é um exemplo fantástico neste município de como um clube pode praticar um futebol atrativo e operar profissionalmente na divisão mais alta, por isso são, nesse sentido, claramente uma referência. Para já, estamos em patamares diferentes da pirâmide por isso vejo mais oportunidades de cooperação e respeito mútuo que rivalidade; juntos, Cascais e Estoril podem ajudar-se a colocar ainda mais toda esta região no mapa do futebol.

Se um dia o Cascais alcançar o nível em que compita com o Estoril em jogos oficiais, tal significaria que o nosso projeto foi extremamente bem-sucedido e, se esse dia chegar, a rivalidade irá de mãos dadas com uma colaboração saudável à margem dela.

«Demos um step up muito grande na profissionalização»

Daniel Simões, de 36 anos, e Cristiano Vicente, de 29, são dois jovens técnicos, responsáveis pelas equipas principal e sub-19 do Cascais respetivamente, e não têm dúvidas sobre o potencial do projeto no qual são parte integrante – ambos comungam da ideia do passo em frente que o clube conheceu e da competência que se reconhece a um clube que compete no distrital mas que já começa a cimentar o seu espaço no «mapa» futebolístico português.

Já estava no clube antes de entrar esta gerência. Que diferenças encontra?

Daniel Simões - Com a entrada da SAD notámos uma clara diferença, não só eu enquanto treinador mas toda a gente que está aqui à volta no nosso dia-a-dia, desde o pessoal da manutenção ao da secretaria porque há muito mais seriedade, profissionalismo, as coisas são feitas com um sentido e não por acaso, não porque é giro ter uma SAD, ter equipamentos diferentes e trazer 20 jogadores.As coisas são muito mais profissionalizadas e é isso que eu, enquanto adepto e funcionário do clube há muitos anos, sinto que é uma profissionalização muito grande, desde o primeiro momento em que a SAD entrou em 2021 e depois obviamente com a alteração em novembro de 2024 com a entrada da Ve2Ventures [grupo liderado por David Dwinger], aí sim, demos um step up muito grande na qualidade da profissionalização que já tínhamos.

O Cascais é neste momento um clube da moda e basta seguirmos as suas redes sociais: a presença de Valen Scarsini, um conhecido influencer argentino, num jogo oficial, um patrocínio da conhecida marca Santini na sua camisola e jogadores internacionais num contexto de distrital - algo raro, praticamente único em Portugal. Sente essa responsabilidade por parte de quem administra o clube? A formação deve trabalhar ao nível de campeonato nacional?

Cristiano Vicente - Não diria que temos pressão. O que temos de fazer é: se nos dão tudo, é cumprirmos com o que nos dão e continuar a fazer o nosso trabalho da melhor maneira possível, o mais profissionais possível, porque o contexto assim o exige.Tudo o que envolve o projeto e que é falado, tudo o que aconteceu com o Valen, a parceria com o Santini, acabam por pôr ainda mais o projeto no mapa e a ser falado e como há este plano todo muito bem estruturado e uma direcção muito certa do que queremos, os sub-19 têm um local onde se trabalha com todas as condições e um espaço de crescimento mesmo muito bom. Estamos em primeiro lugar, isolados, a fazer um bom trabalho e muito à imagem do que os seniores estão a conseguir.