Líder parlamentar do Chega falou depois de audiência ao presidente do Benfica

Chega admite adiamento da venda centralizada dos direitos televisivos

Pedro Pinto, líder parlamentar do partido, assinala que «o País e o mundo mudaram». Defende licenciamento da Benfica FM e anunciou que vai chamar a ERC à Comissão de Cultura, Comunicação, Juventude e Desporto

O líder parlamentar do Chega, Pedro Pinto, admitiu a possibilidade de adiamento da aplicação do decreto-lei que determina a comercialização centralizada dos direitos de transmissão televisiva e multimédia dos conteúdos associados aos jogos de futebol das I e II Ligas a partir de 2028. O Chega entende que «o País e o mundo mudaram muito desde que essa lei foi feita», em 2021, e, por isso, irá discutir o assunto, segundo Pedro Pinto, com Liga e Federação Portuguesa de Futebol.

O Benfica, como se sabe, retirou-se da Liga Centralização, empresa que conduz o processo da centralização e que já submeteu à Autoridade da Concorrência um modelo de comercialização, e continua empenhado na suspensão do processo.

Rui Costa, em carta enviada ao presidente da Liga, Reinaldo Teixeira, com conhecimento de todos os presidentes das sociedades que compõem a entidade que tutela o futebol profissional, assinalou, em julho do ano passado, que o processo corre o risco de falhar os objetivos e está desatualizado, assinalando, ainda, que «será impossível atingir o objetivo dos €300 milhões de receitas anuais», objetivo anunciado, na qualidade de presidente da Liga, por Pedro Proença, agora presidente da Federação Portuguesa de Futebol.

O assunto foi debatido, esta manhã, em audiência do Chega — representado por Pedro Pinto, líder parlamentar, Jorge Galveias, deputado da liderança de bancada e representante do partido na Comissão de Cultura, Comunicação, Juventude e Desporto, e Eduardo Teixeira, deputado e coordenador na comissão de Orçamento e Finanças — a comitiva do Benfica, liderada por Rui Costa, e composta também pelos vice-presidentes José Gandarez e Nuno Catarino.

Pedro Pinto, no final do encontro, deu conta de que a reunião foi «muito importante» e que o partido está «disponível para ouvir todos os agentes desportivos». Considerou o Benfica — como Sporting e FC Porto — «uma grande instituição desportiva nacional» e levantou o véu sobre o que foi discutido sobre a centralização da venda dos direitos desportivos.

«É uma das coisas que estão em cima da mesa», começou por dizer aos jornalistas, na Assembleia da República, para acrescentar: «Desde que essa lei foi feita, o País e o mundo mudaram muito. Temos de ver se poderá entrar em vigor em 2028. Poderá ter de haver ou não um adiamento. Vamos estudar, é um dossier em cima da mesa. Foi importante falarmos sobre isso.»

Pedro Pinto revelou que o partido vai «obviamente» falar «com outras entidades, como a Liga e a Federação Portuguesa de Futebol».

Chega apoia Benfica FM

O chumbo do licenciamento da Benfica FM pela Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC), contestado pelos encarnados, foi também discutido na audiência. O Chega posiciona-se ao lado do Benfica e anunciou que vai chamar a ERC com «caráter de urgência» à Comissão de Cultura, Comunicação, Juventude e Desporto, como é desejo dos encarnados.

Para o Chega, a Benfica FM é um «projeto importante» que deve avançar. «Não nos parece que as razões elencadas pela ERC sejam plausíveis para evitar que essa rádio vá para a frente. Até porque não permitirá que outros clubes, outras marcas importantes do nosso País, tenham também uma rádio. Achamos que a pluralidade de opiniões nas rádios é importante, achamos que os clubes devem também ter rádios, é a evolução do futebol português que está em jogo», argumentou o líder parlamentar do Chega.

«Vamos chamar a ERC com caráter de urgência à Comissão de Cultura e Desporto. Queremos saber por que é que a ERC impede a Benfica FM de ir para a frente», rematou Pedro Pinto.