Alemanha pondera boicotar Mundial 2026 depois de ameaças de Trump
A tensão tem pautado o panorama geopolítico mundial na sequência do desejo de Donald Trump de anexar a Gronelândia. O presidente dos Estados Unidos ameaçou impor tarifas pesadas a países que se oponham à anexação norte-americana do território dinamarquês.
Na sequência das ameaças de Trump, a participação no Mundial 2026, organizado por Estados Unidos, México e Canadá, começa ser colocada em causa por nações já qualificadas. A secretária de estado do desporto, Christiane Schenderlein, frisou a posição do governo germânico em declarações à AFP: «O governo federal respeita a autonomia do desporto. Decisões sobre as participações em grandes competições recaem exclusivamente na influência das federações desportivas e não na esfera política.»
«Esta avanliação é da responsabilidade das federações interessadas, nomeadamente a DFB [Federação Alemã de Futebol] e a FIFA. O governo federal vai aceitar a decisão», reforçou Schenderlein, em resposta às vozes a favor de um boicote que começam a ecoar na esfera pública alemã. Vários atores políticos germânicos já colocaram em cima das vezes esta hipótese e até um eventual cancelamento da competição.
Uma sondagem publicada pelo jornal alemão BILD refletiu que o boice é uma possibilidade que ganha tração na opinião pública: 47% dos inquiridos mostraram-se a favor, enquanto 35% manifestaram-se contra. A eventual falta de comparência da seleção germânica no Mundial, ainda assim, será decidida de forma independente pela DFB.
Recorde-se que no Campeonato do Mundo de 2022, a Alemanha integrou um grupo de seleções europeias que se comprometeram a envergar braçadeiras relativas à campanha one love, contra a discriminação sexual, na competição disputada no Qatar, mesmo sem o aval da FIFA.
As sete seleções europeias recuaram dias antes do início da prova, mas os 11 jogadores alemães titulares diante do Japão, a 23 de novembro, posaram para a fotografia de grupo pré-jogo com a boca tapada.