Kiwior na ala ou no eixo? Debate está animado entre portistas
Kiwior não saiu do banco em Rio Maior e prepara a sua reentrada no onze para a receção ao Sporting. Contratado para ser um dos indiscutíveis do eixo defensivo, o polaco tem sido adaptado à lateral-esquerda nos últimos jogos, solução que resolve um problema imediato, mas abre outros, tanto táticos como de perceção entre os adeptos.
O internacional polaco chegou ao Dragão rodeado por enorme expectativa. Estreou-se a 13 de setembro, após uma negociação dura e paciente da SAD portista: empréstimo do Arsenal até final da época, com compra fixada nos 17 milhões de euros, podendo chegar aos 22 milhões mediante objetivos — cláusula que pode ser exercida tanto pelos dragões como pelos ingleses. A ideia era clara: formar com Bednarek uma dupla sólida e de futuro.
Nos 18 jogos em que atuaram juntos esta época, o FC Porto marcou 33 golos e sofreu apenas oito, com 15 vitórias, uma derrota e dois empates, frente a Viktoria Plzen e Benfica. Kiwior foi suplente utilizado só uma vez e ficou no banco em cinco encontros: Estrela Vermelha, Utrecht, Sintrense, Vitória de Guimarães (Taça da Liga) e agora Casa Pia — precisamente o jogo da primeira derrota na Liga, claramente poupado por Francesco Farioli para o clássico com o Sporting, no Dragão.
Com a afirmação de Thiago Silva, que se estreou ao lado de Bednarek no FC Porto-Benfica (1-0) da Taça de Portugal e repetiu a dupla no triunfo por 1-0 em Guimarães para a Liga, Farioli passou a mexer na defesa. Para encaixar o brasileiro, o treinador recorreu à polivalência de Kiwior na lateral-esquerda, posição onde o polaco também joga pela seleção com alguma frequência.
Muitos adeptos portistas temem estar a reviver o cenário do início de 2019, quando Pepe regressou do Besiktas. Sérgio Conceição utilizou Militão várias vezes como lateral-direito para acomodar o internacional português e Felipe no centro — solução que deu frutos mais tarde, mas ficou sempre com a sensação de estar a desperdiçar um dos melhores centrais do campeonato. Há, ainda assim, uma diferença: o FC Porto sabia que Militão ia partir e preparou o futuro. Em março desse ano o Real Madrid apresentou proposta de €50 milhões, o valor da cláusula, e Militão sairia no final da época.
A realidade é que Thiago Silva tem um nível superlativo e não será por um jogo menos conseguido (toda a equipa esteve uns furos abaixo em Rio Maior) que a confiança do italiano no internacional brasileiro sairá comprometida. Ainda assim, à porta de um clássico decisivo com o Sporting, a forma como o treinador vai gerir o setor que tem apenas seis golos sofridos na Liga irá dizer muito sobre o rumo da época portista.