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Jogadores do Irão sorriem e a 'culpa' é do México (mas nota de balneário promete polémica)
A seleção do Irão expressou profundo agradecimento pela hospitalidade do México, país que acolheu a equipa no Mundial 2026 após esta ter sido forçada a mudar o seu centro de treinos de Tucson, no Arizona. Atualmente, a equipa está sediada em Tijuana, no México, deslocando-se aos Estados Unidos apenas para os jogos. Depois de dois jogos em Los Angeles, o terceiro do grupo será em Seattle.
No meio de tantas tensões com vistos e viagens controladas, o médio Alireza Jahanbakhsh fez questão de agradecer ao povo mexicano, destacando o acolhimento caloroso recebido. «Adoramos o povo mexicano. Penso que todos partilham do mesmo sentimento», afirmou o jogador após o empate sem golos frente à Bélgica, resultado que mantém vivas as esperanças do Irão de passar à fase a eliminar.
O apoio mexicano tem sido notório, com alguns adeptos de Tijuana a viajarem até Los Angeles para apoiar a equipa. Nas bancadas, durante o jogo com a Bélgica, era possível ver adeptos com camisolas e bonés do Club Tijuana, onde a seleção iraniana treina. Muitos mexicanos parecem ter adotado o Irão como a sua segunda equipa no torneio.
“We love Mexican people. Since we are there we keep hearing ‘IRAN HERMANO, YA ERES MEXICANO’, that shows enough. ❤️
— All Fútbol MX 🇲🇽 (@AllFutbolMX) June 22, 2026
For every one of us it feels like home in Tijuana.”
Alireza Jahanbakhsh. 🇮🇷🤝🏼🇲🇽 pic.twitter.com/oJlj6hd2Gz
«É inacreditável o quão bem nos receberam, a hospitalidade é fantástica e penso que existe agora um sentimento muito sincero entre os jogadores, a equipa e o povo mexicano», acrescentou Jahanbakhsh, que joga do Dender, precisamente da Bélgica, e concluiu com um sorriso: «Gostaria de dizer “muchas gracias”».
O jogador iraniano sublinhou ainda a importância deste apoio. «Sentimo-nos quase em casa quando estamos em Tijuana e o facto de eles virem até aqui para nos apoiar significa muito para nós», disse. «Pelo menos, estaremos lá mais quatro ou cinco dias. Esperemos que seja por mais tempo. Agradecemos-lhes imenso e esperamos poder partilhar mais bons momentos com eles».
No entanto, difícil esquecer o que se passa no Irão, por isso deixarem no estádio em Los Angeles, uma mensagem escrita à mão no balneário: «Desde a antiga Pérsia de há milhares de anos até ao Irão civilizado de hoje, o espírito do Irão permanece vivo e inabalável», lê-se na abertura da mensagem, que contém as hashtags #168 e #minab – uma referência ao número de mortos reportado após o ataque americano a uma escola na cidade de Minab, no final de fevereiro, dia do primeiro ataque americano e israelita. «Viemos a Los Angeles com orgulho, competimos com honra e partimos com dignidade. Agradecemos, Los Angeles, pela hospitalidade. E agradecemos a cada iraniano que deu o seu coração, voz e alma pelo Irão ao longo destes 180 minutos. Que a paz, o respeito e a amizade reinem entre todas as nações.»
A note from the Iran national football team in SoFi Stadium's locker room. These athletes have faced discrimination by their World Cup hosts for representing a nation that was attacked in an unprovoked war. Imagine how they'd have been treated if they had invaded another country pic.twitter.com/xfwxM8cQid
— Kourosh Ziabari (@KZiabari) June 22, 2026
No primeiro jogo, contra a Nova Zelândia, os iranianos voaram para Los Angeles na véspera da partida e foram forçados a partir imediatamente após o apito final. E no aeroporto, as autoridades americanas atrasaram-nos com várias formalidades e verificações. O treinador do Irão, Amir Ghalenoei, afirmou que a sua equipa é «a mais oprimida no Campeonato do Mundo», devido a estas restrições.
O próximo desafio do Irão será contra o Egito, no jogo que encerra a fase de grupos, agendado para sexta-feira, em Seattle.