João Henriques, treinador do Aves SAD - Foto: Aves SAD
João Henriques, treinador do Aves SAD - Foto: Aves SAD

João Henriques: «Em contrariedades estamos iguais ao Sporting»

A semana foi dura na Vila das Aves. A equipa teve de preparar o jogo com o Sporting sabendo que a descida à Liga 2 estava definida, com a equipa fora de campo, pela vitória do Nacional. João Henriques, treinador do Aves SAD, disse que o que resta do calendário está a ser encarado com seriedade, até porque depois do Sporting ainda defronta o FC Porto - passando, assim, pelas decisões do título.

— O Aves viveu esta semana a realidade de descida, mudou algo na prática? A deslocação a Alvalade na Taça foi tema?

— Em termos matemáticos, é um marco. Já tínhamos definido, apesar de não estar matematicamente fechada essa questão  — e até vos posso dizer que foi a seguir ao jogo que perdemos em Gil Vicente [no início de março à 28.ª jornada]— que seria uma missão praticamente impossível e tínhamos que ser dignos durante os jogos seguintes. E foi essa resposta que demos perante o Vitória e o Rio Ave [dois empates]. Temos um papel importante neste campeonato, que é defrontar os dois primeiros classificados [agora o Sporting, na penúltima o FC Porto], portanto vamos ter que ser a equipa que fomos até hoje: competitiva, digna, a defrontar um adversário muito melhor do que nós, a tabela classificativa mostra exatamente isso. Mas o Aves já teve duas situações distintas contra o Sporting esta época: o 6-0 em Alvalade e um jogo para a Taça onde, em 90 minutos, conseguimos um empate e levar a equipa a prolongamento, num jogo bem disputado. Portanto, experimentámos uma derrota pesada e um empate, queremos ver se conseguimos experimentar uma coisa diferente.

— Sente a equipa motivada?

— Não temos dúvidas de que a nossa responsabilidade é para que, no final do jogo, os dedos que nos apontem sejam apenas a indicar os jogadores que fizeram boas exibições, que foram competentes, que, ao contrário daquilo que a tabela classificativa demonstra, teriam capacidade para estar noutro momento. Assumimos antes do jogo com o Vitória que não estaríamos presentes na Liga na próxima época, mas os jogadores sabem que temos micro-objetivos que queremos ainda cumprir. Temos muito mais a ganhar do que a perder, ao contrário do Sporting, que está a disputar um título.

— Como foi a semana de trabalho? Tem várias lesões...

— É natural o foco no Sporting, que se fale que vem desfalcado para este jogo, porque tem baixas e tem jogadores condicionados, etc., e não se fala absolutamente nada do Aves. Na nossa convocatória vamos ter no banco dois guarda-redes e um júnior, porque também nos últimos dias perdemos vários jogadores, para além daqueles que já tínhamos de fora desde o jogo da Taça. Portanto, em termos de contrariedades, se calhar estamos iguais ao Sporting nesse aspeto.

— Jogo pode ajudar a valorizar ativos?

— Valorizar ativos é um dos nossos objetivos da época mesmo, não só deste momento. Temos descompressão não em termos da responsabilidade, mas agora queremos pontos por várias razões. Como já disse anteriormente, temos 13 pontos, queremos superar os 15, a pior marca de sempre numa época. Não queremos ficar marcados também na história negativamente com essa marca. Queremos resolver isso o mais rapidamente possível, mas agora vamos defrontar só o melhor ataque da prova, é só uma das oito melhores equipas da Europa porque esteve na Champions até essa altura, é uma equipa que está na final da Taça de Portugal, está a disputar um título... estamos perante um adversário, para mim, dos mais difíceis da época.

— Haver vários lesionados no Sporting pode ser vantagem para o Aves?

— Faltar um jogador ao Sporting, faltar um jogador ao Aves, o peso é completamente diferente. As alternativas são completamente diferentes. O Aves não tem uma equipa B a jogar na Liga 2 que possa proporcionar jogadores de qualidade a chegarem ao plantel quando há casos extremos de fadiga e lesões. Não tenho dúvida nenhuma que uma equipa como o Sporting preparou uma época para estar em todas as frentes até o mais tarde possível, preparou exatamente essa fadiga natural que tem.  Agora, é natural, não vamos aqui ser hipócritas e dizer que eles não vêm fresquinhos... eles vêm frescos até ao momento que a fadiga vai começar a pesar, tanto mental como física, desta sequência de jogos que têm tido. Mas o Sporting não vai ter desvantagem nenhuma relativamente ao Aves sobre isso, porque sabe o que vem aqui fazer: quer continuar a lutar pelo título, não quer perder esta luta também do segundo lugar para o Benfica que está mais apertada. Obviamente que não temos um calendário igual, temos semanas limpas, é completamente diferente, mas não temos os mesmos argumentos que o adversário tem.