Treinador leonino fez a análise da vitória do Sporting ao Casa Pia (3-0) em Alvalade e elogiou o reforço de inverno, mas também o médio

«As trincheiras foram atacadas e não há feridos»: tudo o que disse Rui Borges

Análise do treinador do Sporting à vitória (3-0) sobre o Casa Pia no arranque da segunda volta do campeonato

— Que análise faz à partida e como viu a estreia de Luís Guilherme no Sporting e o regresso de Daniel Bragança?

— Na 1.ª parte faltou-nos um pouco da energia na fase inicial, até porque normalmente em Alvalade entramos sempre muito bem, fortes, intensos, e hoje não tivemos essa intensidade na fase inicial. Os primeiros 10 minutos até foram melhores para o Casa Pia. Depois fomos equilibrando o jogo. À esquerda estávamos um pouco condicionados porque tínhamos o Fresneda, mas ele fez um bom jogo dentro do que dava à equipa por não ser canhoto. Fomos crescendo e o golo deu-nos confiança. Começamos a ser mais dinâmicos, mais agressivos a provocar a linha defensiva do Casa Pia, que é uma linha que se sente confortável de frente, agressiva e forte nos duelos. Na 2.ª parte controlámos o jogo do início ao fim. O Casa Pia procurou sempre bolas mais longas e ataques à profundidade, mas controlámos isso muito bem. Acho que acaba por ser um resultado justo pelo que foi o desenrolar do jogo. O Luís fez um jogo competente no que lhe foi pedido, vai melhorar com o tempo, é um menino muito inteligente. Estou feliz pelo Dani, está de volta de uma lesão difícil. Esteve sempre otimista, resiliente, respondeu bem ao longo do tempo, cresceu a todos os níveis, até atlético. Acrescentou muita qualidade e equilíbrio à equipa.

— O plantel está fechado?

— Para já, não vai sair ninguém, penso eu (risos). Estou feliz por ter todos os jogadores disponíveis. Temos andado sempre com adaptações e, por mais que tenhamos qualidade, perdem-se dinâmicas e intensidade. Não há muitos dias de treino para adquirir comportamentos, por isso, a equipa tem dado uma resposta enorme. Estou muito feliz por ser líder destes rapazes, pela entrega deles. Agora é tentar recuperar toda a gente o mais rapidamente possível.

— Estar atrás do FC Porto complica o dia a dia ao estar à espera que o adversário escorregue?

— Não dificulta em nada, sinceramente. Pelo espírito e ambição da equipa, estamos focados apenas em nós. Temos de fazer o nosso trabalho bem feito, porque senão não adianta pensar nos outros. Pensamos muito naquilo que controlamos, que são os nossos jogos. Fizemos uma primeira volta boa, mas o FC Porto fez uma primeira volta extraordinária. Nós temos de fazer uma segunda volta extraordinária, melhor do que a que fizemos na primeira, e perceber se quem vai à frente continuará a fazer o que tem feito. Se fizerem, é mérito deles. Mas estamos muito focados no nosso trabalho.

— Perdeu Diomande por lesão, mas Geny regressou com dois golos, como avalia esse regresso?

— Muito feliz por ter o Geny de volta. Estava a ser um jogador muito importante antes de ir para a CAN e veio com a mesma confiança. Em relação ao Diomande, espero que recupere o mais rápido possível.

— Frederico Varandas disse há uns tempos que o ruído em torno do futebol português era gasolina para o Sporting, revê-se nessas palavras?

— Já respondi a isso. O grupo já dá a resposta em campo. Tivemos uma vitória, um bom jogo e, dentro de todas as limitações que tivemos, ganhámos com todo o mérito.

— Não houve lesionados neste jogo, certo?

— As trincheiras foram atacadas e não há feridos (risos).

— Bernardo Palmeiro falou da contratação de Faye, o que nos pode adiantar?

— Não vou falar porque ainda não é jogador do Sporting, por mais que se diga que está por pouco tempo. Só acredito quando estiver assinado e apresentado.

— Já espera contar com Diomande, ou outro dos jogadores lesionados, para preparar o jogo com o PSG?

— O Pote acredito que possa voltar para o jogo com o Arouca, após o PSG. O Diomande não sei honestamente se será possível para o PSG, não consigo dizer com certeza. O Ioannidis também é muito no dia a dia, não temos uma data certa para o regresso.

— Como preparou o jogo com dois defeas-centrais esquerdinos?

— Não estamos habituados a que isso aconteça, mas não é nada de anormal, jogar com dois centrais de pé direito já é visto como normal. Ontem brinquei no treino, ao dizer que íamos jogar com defesas-centrais canhotos e dois laterais destros, e eu brincava a dizer que qualquer dia vamos jogar com laterais de pé contrário. E o futebol cada vez mais cresce nesse sentido, de criar alternativas para ultrapassar as equipas mais competitivas e organizadas. Mas não muda em nada termos dois centrais esquerdinos. A qualidade do passe de Inácio está lá quer seja a jogar à esquerda e à direita e ele fez um passe extraordinário para o Geny.

— Como tem acompanhado a evolução de Geny Catamo?

— Importância já ele tem. O resto é a confiança que damos, não só ao Geny mas a todos. Fico feliz por ver jogadores que são importantes estarem cada vez melhores. É sinal que acreditam no nosso trabalho e na nossa ideia. O Trincão está a fazer uma grande época, o Pote também estava, o Geny igual, o Hjulmand está ainda melhor que no ano passado. Individualmente estão a crescer e isso valoriza o clube e os jogadores. Eles têm a confiança da equipa técnica para errarem e para tentarem, isso faz parte do jogo. Às vezes os adeptos ficam chateados porque o Inácio falha um passe, mas ele também arrisca mais que os outros. Tem tudo a ver com confiança.