João Almeida: «Irei ao Giro com a mentalidade de lutar pela vitória»
João Almeida volta a ter o Giro como objetivo primordial. A UAE Emirates confirmou o que muitos já antecipavam: o português será o líder da equipa nas Voltas a Itália e Espanha em 2026, deixando o Tour entregue a outros companheiros na mais poderosa formação do WorldTour. Desde logo, o jovem mexicano Isaac del Toro, que se estreará na prova e será o substituto lógico de João Almeida no octeto que tentará ajudar Tadej Pogacar a conquistar o quinto maillot jaune da carreira, o terceiro consecutivo.
Depois de duas temporadas ao lado de Pogacar no Tour, onde foi o escudeiro de luxo do esloveno, em 2024 com o bónus de um quarto lugar à geral, mas na última edição com a amargura da desistência, na 9.ª etapa, devido a fratura de uma costela em consequência de queda dois dias antes -, João Almeida volta a trilhar o próprio caminho. No fundo, é um novo ciclo dentro da mesma casa. Desde 2022 na UAE Emirates, o corredor de 27 anos tornou-se peça-chave numa estrutura que confia nele, e essa confiança é mútua.
No Giro, João Almeida será o líder único da UAE Emirates. Na Vuelta, as suas ambições dependerão do campeão mundial: se Pogacar pretender vencer a única grande Volta que lhe falta no currículo.
« Adoro todas as corridas. Tentamos encontrar um bom equilíbrio para que todos fiquem satisfeitos e felizes. Ficaria satisfeito por correr qualquer prova, mas encontrámos este calendário, de que gosto muito, e estou muito ansioso por voltar ao Giro. É uma corrida magnífica e é bom ter uma mudança de ritmo de vez em quando», confessou, sempre tranquilo, o corredor de A dos Francos, em conferência de imprensa em Benidorm, Espanha, onde a equipa cumpre estágio de pré-temporada.
«Irei ao Giro com a mentalidade de lutar pela vitória. Falar é fácil, fazer é muito mais difícil. Vamos dar o nosso melhor e trabalhar arduamente. A competição também será renhida. No fim de contas, é uma corrida como outra qualquer, que exige muita preparação e concentração», frisou Almeida.
O plano da UAE é claro: dar a Pogacar o espaço para lutar pela história no Tour (pode igualar os cinco títulos de Merckx e Hinault), e a João Almeida a oportunidade de concretizar o sonho que o persegue desde 2020, quando vestiu de rosa durante 15 dias e acabou em quarto. Ou em 2023, o seu último Giro, em que alcançou o pódio (3.º).
A época do português começa pela Comunidade Valenciana, passa pelo Algarve e culmina com o grande teste de maio, a Volta a Itália. Depois disso, Campeonatos Nacionais e a Volta a Burgos para preparar a Vuelta.
«Não acho que o Tadej precise de mim para vencer uma grande Volta. Se dividirmos os objetivos, ambos podemos ganhar», explicou, com lucidez, mas com ambição implícita: João Almeida quer vencer uma grande Volta - e acredita que pode conquistá-la em 2026.
O percurso da corsa rosa não teve grande influência na decisão do corredor e da equipa, esclarece. «Considero-me um ciclista bastante completo. Se há mais montanhas ou mais contrarrelógios, não muda muito para mim. Queria uma mudança e voltar ao Giro. Falei com a direção da equipa, que me deu essa oportunidade. A decisão foi bastante simples».
Sobre a possibilidade de voltar a defrontar Jonas Vingegaard, depois da Vuelta de 2025 em que foi segundo classificado atrás do dinamarquês, agora no Giro do próximo ano, onde o líder da Visma-Lease a Bike poderá estrear-se, João Almeida relativiza a questão, como é seu timbre.
«No final, tudo depende das pernas. Se as pernas não responderem, não há nada que possa fazer. Ele muito inteligente e corre com a cabeça também. Quando ataca, ataca de verdade. A chave para o vencer é simplesmente ser... forte. Todos os corredores podem ser vencidos. Talvez não consiga batê-lo [a Vingegaard] neste preciso momento, mas penso que, em certas circunstâncias, qualquer um pode ser derrotado», referiu.
A concluir o encontro com os jornalistas, uma pergunta sacramental: João Almeida ficaria desapontado se nunca ganhasse uma grande Volta? «Não, não ficaria desiludido. Claro que adoraria ganhar uma, mas o nível atual é extremamente elevado. E nem sempre é o ciclista mais forte que ganha. Já tive algumas grandes vitórias na minha carreira e espero conquistar mais. Agora, encaramos cada corrida com o desejo de dar o nosso melhor.»