Jason Steele: o guarda-redes que quase nunca joga e pode ir ao Mundial
Aos 35 anos e sem disputar um jogo na Premier League desde agosto de 2024, Jason Steele, o eterno segundo guarda-redes do Brighton, foi a grande surpresa na convocatória de 35 jogadores de Thomas Tuchel para os jogos particulares de Inglaterra contra o Uruguai (dia 27) e o Japão (dia 28).
Esta é a primeira chamada de Steele à seleção principal, colocando-o inesperadamente como um candidato a integrar a comitiva para o Mundial nos Estados Unidos, Canadá e México, ainda que numa função muito específica — selecionador alemão admitiu a possibilidade de levar um quarto guarda-redes apenas para os treinos, uma prática com tradição em Inglaterra.
«A Inglaterra tem um historial de levar um quarto guarda-redes para os treinos», afirmou Tuchel aos jornalistas. «Identificámos o Jason como candidato. Ele está no estágio de março e tem esta oportunidade».
Em declarações aos meios de comunicação da Federação Inglesa, o selecionador detalhou o plano para Steele:
É um caso um pouco particular porque planeamos levar quatro guarda-redes para o Mundial, e o quarto guarda-redes tem um papel especial. Os três primeiros guarda-redes irão competir e apoiar-se mutuamente para os jogos, mas também competirão, claro, por um lugar na baliza.
Tuchel acrescentou que o papel do quarto elemento será mais de apoio especializado. «Ele apoiará o grupo de guarda-redes, o treinador de guarda-redes, o grupo de marcação de penáltis e aliviará grande parte da carga de trabalho dos outros. Precisamos de um jogador com qualidade, experiência e com a energia e atitude certas, e acreditamos que o Jason é esse jogador».
Pouco utilizado, mas admirado
A possível chamada já tinha sido sugerida por Fabian Hurzeler, treinador de Steele no Brighton. Questionado sobre um eventual regresso de Danny Welbeck à seleção, Hurzeler desviou o foco para o experiente jogador: «Não é só o Danny, quero também sublinhar que temos um excelente segundo guarda-redes, o Jason Steele, que, embora não jogue, está numa forma incrível. É impressionante vê-lo treinar todos os dias. Quando preciso dele, ele está lá. Teve um desempenho muito bom na Taça de Inglaterra. Por isso, é também um ótimo candidato».
A carreira de Steele tem sido marcada por longos períodos no banco de suplentes. A sua última aparição na Premier League data de agosto de 2024, com Bart Verbruggen, titular da seleção dos Países Baixos, a assumir a baliza do Brighton. Desde o início da época passada, a utilização de Steele limitou-se a oito jogos nas taças internas.
A sua carreira sofreu um revés com duas despromoções consecutivas do Championship para a 3.ª divisão, primeiro com o Blackburn (2016/17) e depois com o Sunderland (2017/18). A passagem pelo Sunderland, marcada por exibições desastrosas e críticas dos adeptos, foi um ponto baixo para Steele, documentado na série da Netflix Sunderland Til I Die.
Nunca vi o documentário e acho que nunca o farei. No final, pensava: "Não sei se isto ainda é para mim". Tinha três filhos pequenos, era casado, vivia na zona e havia alturas em que nem queria levar os miúdos à escola. Era horrível. Perder todas as semanas, não queria olhar para o telemóvel, não queria sair de casa.
Contratado a custo zero pelo Brighton em 2018, Steele reinventou-se como um membro respeitado do plantel, sendo suplente de Maty Ryan, Robert Sanchez e agora de Verbruggen. Um ponto de viragem ocorreu em março de 2023, quando o então treinador Roberto De Zerbi o promoveu a titular em detrimento de Sanchez. Steele agarrou a oportunidade e foi fundamental para a equipa alcançar um histórico sexto lugar na Premier League, que valeu a primeira qualificação europeia do clube.
Jason Steele, apesar de não ser a primeira escolha na baliza, é visto como uma peça fundamental no balneário, uma visão partilhada por vários treinadores, incluindo De Zerbi, Hurzeler e, aparentemente, Tuchel. E em competições de seleções, problemas como a formação de grupos no plantel têm sido apontados como causas para alguns dos fracassos de Inglaterra. Neste contexto, Steele é visto em Inglaterra como uma figura unificadora, cuja importância transcende a necessidade de usar as luvas.
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