Nice viveu época de pesadelo - Foto: IMAGO

Defrontaram o Benfica na Champions, 'ajudaram' o FC Porto e estão à beira do abismo

Eliminado pelas águias da Champions, afundado na Liga Europa, marcado por ataques de adeptos aos próprios jogadores e agora em risco de despromoção: o histórico Nice vive uma temporada de pesadelo

O Nice está a viver uma época para esquecer. Um clube histórico do futebol francês, campeão nacional por quatro vezes e presença habitual nas competições europeias nos últimos anos, chega à última jornada da Ligue 1 em risco sério de cair à segunda divisão. A formação francesa ocupa atualmente o 16.º lugar, posição que dá acesso ao play-off de despromoção, depois de uma derrota decisiva frente ao Auxerre (1-2), rival direto na luta pela permanência.

A época começou logo com um duro golpe europeu. O Nice defrontou o Benfica na terceira pré-eliminatória da Liga dos Campeões e acabou eliminado pelos encarnados — derrotas por 0-2 nas duas mãos —, falhando desde cedo o principal objetivo internacional da temporada.

Pelo meio, o clube perdeu ainda duas peças importantes para o FC Porto. Pablo Rosario saiu no início da época e Terem Moffi rumou aos dragões em janeiro, acabando ambos por ter influência relevante na conquista do campeonato português pelos azuis e brancos.

Na Liga Europa, o percurso foi igualmente desastroso. O Nice terminou a fase de liga num dececionante 33.º lugar (em 36), tendo perdido precisamente frente a FC Porto e ainda SC Braga, somando sete derrotas nos oito jogos que disputou na competição.

Mas o ponto mais negro da temporada aconteceu fora das quatro linhas. A 30 de novembro, vários adeptos fizeram uma 'espera' à equipa, após a derrota frente ao Lorient, e atacaram jogadores e elementos da equipa técnica numa noite de enorme tensão que acabou por marcar a época. Segundo o jornal L’Équipe, Jérémie Boga e Moffi terão mesmo tentado rescindir contrato com o clube após o episódio. Os dois jogadores terão sido alvo de insultos, cuspidelas e agressões físicas, incluindo golpes nas costas e na zona da virilha, ficando profundamente marcados pelo sucedido ao ponto de não conseguirem regressar aos treinos durante algum tempo e nunca mais terem atuado pela equipa.

A partir daí, tudo mudou. O emblema da Côte d'Azur, que, não estando bem, até estava num respeitável 10.º lugar na altura do ataque, foi afundando-se nos resultados e na classificação. Nem a mudança de treinador — Claude Poel entrou à passagem da 17.ª jornada — ajudou. O clímax chegou no passado domingo, quando, num encontro de elevada importância, a equipa voltou a desiludir, caindo no terreno do Auxerre — o que levou a que fosse ultrapassado por essa mesma equipa na classificação e descesse à zona de play-off.

Meses depois daquele episódio traumático, o Nice está mergulhado numa crise profunda e prepara-se para disputar a última jornada, na qual defronta o Metz, com o fantasma da descida à Ligue 2 bem presente. No plantel permanece ainda o português Tiago Gouveia, numa equipa que passou da ambição europeia ao desespero pela sobrevivência em poucos meses.

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