Iraque acabou epopeia que passou por Portugal com a última vaga para o Mundial
O Iraque assegurou a 48.ª e última vaga para o Mundial 2026, ao derrotar a Bolívia por 2-1, na última madrugada, no play-off intercontinental disputado em Monterrey, no México.
A seleção iraquiana, orientada pelo australiano Graham Arnold, regressa assim a uma fase final de um Mundial quatro décadas depois — esteve na edição de 1986, curiosamente também no México, perdendo os três jogos da fase de grupos, perante Paraguai, Bélgica e México —, após viver epopeia só para se apresentar em condições de competir neste play-off.
O ataque dos Estados Unidos ao Irão fechou o espaço aéreo no Médio Oriente durante largos dias, deixando selecionador e jogadores sem possibilidade de se viajarem na data prevista ou, sequer, de se juntarem. Arnold foi apanhado em Fujairah, conseguiu chegar depois ao Dubai, mas não pôde unir-se à equipa, com os jogadores locais inicialmente sem possibilidades de saírem do Iraque.
A FIFA rejeitou os pedidos de adiamento do play-off, e a seleção lá conseguiu fretar um avião para rumar ao México — também teve problemas com vistos, porque não há embaixada mexicana do país, mas o ministério dos Negócios Estrangeiros azteca facilitou o processo. A viagem até Monterrey demorou 25 horas e teve paragem em Portugal.
Ainda assim, a seleção iraquiana chegou a tempo de recuperar e de adaptar-se, e no jogo com a Bolívia adiantou-se no marcador logo aos 18 minutos, por intermédio de Ali Almahadi. A Bolívia (que eliminara o Suriname na quinta-feira, na meia-final do play-off intercontinental, da qual o Iraque ficou isento), que procurava a sua segunda qualificação para um Mundial, ainda conseguiu empatar a partida aos 38 minutos, com um golo de Moises Paniagua. No entanto, na segunda parte, Aymen Hussein, aos 53 minutos, marcou o golo decisivo que selou a vitória e o apuramento para o Iraque.
O Iraque fica inserido no Grupo I da competição, juntamente com as seleções de França, Noruega e Senegal.