Mehdi Taremi, ex-FC Porto, a celebrar um golo pelo seu país, o Irão
Mehdi Taremi, ex-FC Porto, a celebrar um golo pelo seu país, o Irão - Foto: IMAGO

Irão admite falhar Mundial-2026: «Haverá certamente uma reação»

Mehdi Taj, presidente da Federação Iraniana de Futebol (FFIRI), afirmou que, nesta altura, não pode «encarar o próximo Campeonato do Mundo com esperança»

A participação do Irão no Mundial 2026 está envolta em incerteza após os ataques aéreos norte-americanos e israelitas em Teerão. O Presidente da Federação Iraniana de Futebol (FFIRI), Mehdi Taj, admitiu que a presença da seleção na competição é improvável, embora não tenha confirmado um boicote oficial.

A apenas 100 dias do jogo de abertura do Mundial, que será coorganizado pelos Estados Unidos, Canadá e México, a situação política gerada pelos bombardeamentos de sábado, que resultaram na morte do líder supremo Ali Khamenei, coloca em dúvida a viagem da equipa iraniana.

Mehdi Taj, em declarações a vários meios de comunicação, sublinhou que a decisão final não está tomada, mas que o cenário é pessimista. «O que é certo é que, depois deste atentado, não podemos encarar o Campeonato do Mundo com esperança», afirmou o dirigente ao portal desportivo Varzesh 3, citado pela Associated Press.

Apesar de não falar abertamente em boicote, o líder da federação iraniana garantiu que os ataques terão consequências. «É impossível dizê-lo com precisão, mas haverá certamente uma reação», disse Taj à cadeia televisiva IRIB 3, segundo a Reuters. «Os mais altos responsáveis desportivos do país irão certamente debruçar-se sobre a questão e será tomada uma decisão sobre os próximos passos.»

Recorde-se que, de acordo com o sorteio, o Irão tem previsto disputar todos os seus jogos da fase de grupos nos Estados Unidos, um dos países envolvidos nos ataques. A equipa de Mehdi Taremi, ex-FC Porto e agora no Olympiakos, ia defrontar a Bélgica, o Egito e a Nova Zelândia na fase final da competição.

Este cenário representa um enorme desafio para a FIFA. O artigo 6.7 do regulamento da competição estipula que, em caso de desistência ou exclusão de uma seleção, a FIFA «decide sobre a questão ao seu inteiro critério e toma as medidas que considerar necessárias», podendo «decidir substituir a associação membro em questão por outra associação».

As opções para a FIFA incluem a criação de um grupo com apenas três equipas ou a substituição do Irão por outra nação. A escolha de um substituto dependerá do momento da decisão iraniana. Se a desistência ocorrer antes dos play-offs de março, a vaga poderá ser preenchida por uma das equipas desse torneio. No entanto, uma retirada a poucas semanas do Mundial complicaria a logística, envolvendo vistos, contratos e segurança, tornando a substituição uma missão difícil. A solução mais lógica seria convidar outra seleção da Confederação Asiática de Futebol (AFC), à qual o Irão pertence.