Marco Silva arrisca ao deixar a estabilidade do Fulham pela incerteza do Benfica - Foto: IMAGO

Marco Silva é a última vida de Rui Costa

Marco Silva não resistiu a novo apelo do Benfica e, no meio do caos que tem sido o clube, terá de fazer depressa e bem. Mercado terá de ser cirúrgico, coisa que tem sido rara para os lados da Luz

A sexta temporada preparada por Rui Costa como presidente do Benfica e a décima nova desde que terminou a carreira (2008) e de imediato se tornou diretor desportivo e, mais tarde, administrador da SAD, vai começar com mais um all in, depois de a proposta de renovação feita a José Mourinho apenas para espanhol ver ter obrigado o Benfica a abrir, e muito, os cordões à bolsa para convencer Marco Silva a abdicar da estabilidade do Fulham para um projeto de altíssimo risco na Luz.

O trabalho que deixa para trás nos londrinos é de alto nível, estabelecendo-se na (cada vez mais destacadamente) melhor liga do mundo com orçamentos não tão generosos como grande parte da concorrência, mas Marco Silva sabe que, a partir de agora, nada disso contará. O contexto, acima de tudo, será completamente diferente, e o treinador terá de devolver à Luz identidade e futebol de ataque e empolgante que só com Roger Schmidt, e num pequeno espaço temporal, se viu nos últimos anos.

Para reduzir distâncias para FC Porto e Sporting, aos de dias de hoje muito mais bem estruturados e a trabalhar na antecipação e não na reação, o Benfica terá de fazer um mercado praticamente irrepreensível e certeiro, como os dragões fizeram, há um ano, com Farioli. No Benfica, não tem havido critério a contratar e tem-se pago demasiado por jogadores que não acrescentam, exceção feita a 2022/23.

Então, de caras na equipa entraram Bah, Aursnes, Enzo Fernández e Neres, todos com tremendo impacto, e da formação brotariam António Silva e João Neves. No Seixal não falta talento para o replicar, desde Banjaqui a José Neto ou Gonçalo Moreira, e, se outros valores não se levantarem, nem sequer será necessário entrar em loucuras para cortar as gorduras e reformular o plantel à imagem do treinador.

A melhor notícia que o Benfica podia ter tido em toda esta novela foi o facto de o treinador ter feito finca-pé para ter nas mãos o controlo total sobre o organigrama futebolístico. Não será apenas e só o treinador que se senta no banco, mas terá a chave na mão para alterar métodos, organização e reformular um clube em cacos.

A semana em que Rui Costa prometeu justificações aos benfiquistas sobre mais uma temporada para esquecer já vai com mais de 15 dias, mas convinha que, em tempo útil, o presidente desse um ar de sua graça, apesar de não se esperar mais do que frases feitas, insuficientes para explicar uma novela em que dar mundos e fundos para ter Marco Silva foi o único caminho para não sair dela ainda mais beliscado.

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