Imagem do Estádio do Vitória Sport Clube - Foto: IMAGO
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Vitória SAD, que futuro?

Sentido de pertença é o espaço de opinião de André Coelho Lima, Jurista, empresário e associado do Vitória SC

1 — Estranhamente, com exceção da primeira eleição de Júlio Mendes, todas as demais eleições passaram razoavelmente ao lado da vexata quaestio do futebol dos dias de hoje, que é a de se saber se os sócios do Vitória estão ou não disponíveis para ponderar a atribuição do controle da sua SAD a uma entidade estranha aos seus associados.

Essa questão foi sendo sempre estrategicamente evitada, mas parece não o poder ser mais, particularmente em contexto eleitoral como aquele em que vivemos.

Sabendo-se que a SAD do Vitória teve já mais de 50% nas mãos de um privado — Mário Ferreira — e sabendo-se que o Vitória tem hoje um acionista com 29% do capital da sua SAD cuja expectativa é, compreensivelmente, aumentar essa participação e eventualmente poder controlar os destinos do clube. Se os sócios assim o autorizarem. É por isso esta, creio, a principal questão a colocar nestas eleições.

2 — No meu texto d’A BOLA de 24.03.2026 escrevi que «sou há muitos anos favorável a que o Vitória se adeque ao que os novos tempos ditam, sob pena de poder ver perder a sua posição relativa». A minha posição foi clara. Como espero possa ser a dos contendores perante uma tão determinante questão. Existem pressupostos a ter em conta:

a) O primeiro deles é que o Vitória tem já um acionista, aprovado pelos associados em Assembleia Geral; considero pouco avisado considerar terceiras entidades relativamente às quais os sócios não se pronunciaram estando presente um detentor de 29% do capital da SAD.

b) O segundo deles tem que ver com aquilo que creio ser uma mudança na predisposição dos adeptos do Vitória para uma tal possibilidade; além de terem já histórico de aprovação em situações análogas, parece-me hoje evidente não ser uma questão tão divisiva como já foi.

c) O terceiro tem que ver com o que se pode alcançar com este passo. O nosso acionista é-o igualmente do Aston Villa que há poucos anos se encontrava no Championship e o ano passado esteve na Champions League. Este ano, venceu a Liga Europa. Não se trata de um investidor particular, com perspetiva do lucro imediato, mas de uma empresa vocacionada para investir em projetos desportivos de longo alcance.

O Vitória tem tudo para ser um grande clube, mas não tem a capacidade financeira que lhe permita manter essas expectativas. A ligação à comunidade empresarial é hoje uma utopia como alternativa dados os valores que se praticam no mundo do futebol. O Vitória é o clube português com maior potencial para investidores sérios e sólidos, é claramente o clube mais interessante para quem queira investir num projeto de crescimento desportivo e não apenas num entreposto de compra e venda de jogadores de futebol.

Os sócios terão sempre a palavra. Mas quem se apresente para liderar o clube não pode ter qualquer titubeio em matéria de tamanha relevância.

3 — Um elogio à UEFA e ao seu projeto Conference League. Assistir a uma final entre clubes secundários como Crystal Palace e Rayo Vallecano, ver o estádio do RB Leipzig completamente a abarrotar sem que o jogo fosse entre colossos do futebol, demonstra o quão importante é que existam plataformas para permitir estes clubes mostrarem do que são capazes, da massa humana que mobilizam, da paixão que também transportam. E faz-nos recordar aos tempos em que Gotemburgo e Dundee United disputaram uma final da então Taça UEFA.

O futebol, como a vida, precisa disto: de variedade, de oportunidade, de elevador social, de mostrar que há muito mais futebol para além daqueles clubes que, sendo claramente os melhores, não são nem podem ser os únicos a entrar-nos pelos ecrãs de tv.

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