Investidores na SAD do Benfica: Manteigas exige esclarecimentos a Rui Costa
João Diogo Manteigas, candidato à presidência do Benfica nas últimas eleições do clube, vencidas por Rui Costa, exige agora ao atual presidente esclarecimentos sobre os recentes movimentos no capital social da SAD. Os argumentos foram apresentados na conta pessoal da rede social Linkedin.
«Esta semana tornou-se público que o acionista da Benfica SAD, José António dos Santos, irá alienar a sua participação pessoal e empresarial, num total de 16,38%, ao fundo de origem americana “Entrepreneur Equity Partners”.
Importa recordar que 11,62% desta sua participação na SAD foi adquirida ao Novo Banco e à Somague, em 2017, por um valor simbólico e inferior a 2,00€ por ação. Por essa altura, o Sport Lisboa e Benfica não quis adquirir as referidas participações.
Uma decisão cuja consequência se reflete no atual contexto acionista. Ora, considerando a atual estrutura de capital da SAD e perante a concretização da operação entre José António dos Santos com o novo grupo americano, a posição maioritária do Clube na SAD (hoje nos 63,65%) perde um parceiro que lhe permitiria sempre alcançar, caso fosse necessário, uma posição superior a 75%.
Ou seja, a alteração de estrutura no capital poderá configurar um risco potencial de condicionamento / bloqueio de decisões estratégicas por parte de acionistas minoritários com a “Entrepreneur Equity Partners”. Assim sendo, com base pelo respeito e exigência dos princípios de transparência e defesa dos superiores interesses do Clube, crê-se necessário e urgente que a Direção do Sport Lisboa e Benfica, na pessoa do seu Presidente e Vice-Presidente com o pelouro financeiro, Rui Costa e Nuno Catarino respetivamente, esclareçam, pelo menos, o seguinte:
1. Se o acionista José António dos Santos informou previamente o Sport Lisboa e Benfica da intencionada transação;
2. Se José António dos Santos concedeu ao Clube, no último ano, alguma prioridade/preferência na aquisição da sua participação;
3. Se foram realizadas reuniões entre o Sport Lisboa e Benfica e a “Entrepreneur Equity Partners”;
4. Se a Direção do Sport Lisboa e Benfica admite equacionar uma saída da Benfica SAD do mercado bolsista, ponderando o risco e respetivas implicações estratégicas e financeiras, incluindo, sem se limitar, o peso da confiança que os investidores depositaram na emissão dos sucessivos empréstimos obrigacionistas que contribuíram para a estabilidade económico-financeira da SAD;
5. Se a Direção está disponível para articular com os indefetíveis sócios do Clube mecanismos e antecipar soluções que permitam reforçar a participação do Clube ou da sua SGPS na SAD, em linha com a vontade expressa por mais de 8.000 associados aquando da última revisão estatutária.
Ao longo dos tempos, os sócios do Sport Lisboa e Benfica têm manifestado a sua oposição ao controlo da SAD por entidades externas ao universo benfiquista. Para já, tal cenário não se encontra iminente. Contudo, há que prevenir e evitar qualquer situação futura em que decisões estruturantes fiquem dependentes de interesses não alinhados com os desígnios do Clube.
A salvaguarda do controlo e independência estratégica do Sport Lisboa e Benfica constitui um imperativo essencial. A sua defesa deve ser conduzida com determinação, rigor e total transparência.»