Viriato Sampaio, candidato da Lista C à presidência do Vitória de Guimarães - Foto: D.R.
Viriato Sampaio, candidato da Lista C à presidência do Vitória de Guimarães - Foto: D.R.

V. Guimarães: Viriato Sampaio reage aos resultados eleitorais e mira «nulidade do ato»

O candidato da Lista C (derrotado por dois votos) acusa o presidente da Mesa da Assembleia Geral de falta de bom senso, por não ter equacionado uma recontagem

Mais de 24 horas depois do fecho das urnas e de uma longa noite em que esteve reunida com o presidente da Mesa da Assembleia Geral, almejando uma recontagem dos votos, a Lista C reagiu ao sufrágio em que foi derrotado por… dois votos.

Rui Rodrigues venceu as eleições mais renhidas da história do Vitória de Guimarães, obtendo 2028 votos - apenas mais dois do que Viriato Sampaio. Dada a diferença tangencial entre as duas candidaturas, o concorrente que ficou em segundo lugar referiu que o «bom senso» deveria ter ditado uma nova contagem, para garantir a legitimidade dos resultados.

«Falei com os anteriores presidentes da MAG [incluindo o candidato Belmiro Pinto dos Santos] e perguntei se, numa situação em que houvesse uma diferença de dois votos entre duas listas, não tomariam, de imediato, a iniciativa de recontar. Só João Henrique Faria é que me parece que optou por não fazer uma recontagem, quando acho que o bom senso levaria a que tomasse a decisão contrária. Era uma questão de bom senso», repetiu Viriato Sampaio, numa conferência de imprensa, ao final da tarde deste domingo. 

O economista considerou ainda que, «perante uma diferença tão pequena», as atas só deviam ter sido assinadas no final da contagem global. «Ficaremos sempre na duvida se quem estava lá tinha já a informação de que a diferença ia ser tão pequena para ter sido feito desta forma», questionou.

Antes, Viriato Sampaio tinha lido um comunicado em que apresentou quatro alíneas a partir das quais se tornaria «indispensável» anular o ato eleitoral deste sábado e repeti-lo:

Sem qualquer fundamentação e de forma injustificada, a Mesa da Assembleia Geral decidiu não admitir o nosso pedido de recontagem.

Igualmente, não esclareceu as questões e dúvidas colocadas relativamente aos votos recebidos por correspondência.

A única informação transmitida foi a de que foram contabilizados apenas 33 votos por correspondência, quando dezenas de sócios manifestaram junto da Direção do Vitória a intenção de exercer o seu direito de voto por essa via.

Todos os sócios podem ficar certos de que exigiremos o máximo rigor e transparência, desde já, relativamente a este ato eleitoral. Por isso, torna-se indispensável que:

a) O Vitória esclareça quantos sócios solicitaram o exercício do voto por correspondência;

b) Quantos boletins de voto foram enviados a esses sócios;

c) Quantos boletins de voto foram recebidos pelo Vitória até ao início do ato eleitoral, solicitando evidência da hora do último levantamento nos CTT;

d) Quantos boletins de voto foram expedidos pelos sócios até ao dia 11 de junho e que possam ainda chegar ao Vitória até amanhã.

Caso se demonstre que pelo menos dois sócios do Vitória manifestaram interesse em votar por correspondência e que o clube não procedeu ao envio dos respetivos boletins de voto;

Caso se demonstre que o Vitória não levantou pelo menos dois boletins de voto enviados por sócios;

Caso se demonstre que pelo menos dois boletins de voto cheguem ao Vitória até amanhã;

Restará ao Conselho de Jurisdição declarar a nulidade do ato eleitoral e, em consequência, determinar a sua repetição, atenta a violação de formalidades essenciais suscetíveis de influenciar o resultado da eleição.

Porquanto, mesmo que não se apure uma alteração da lista vencedora em resultado da consideração destes votos, a mera possibilidade de influência no resultado eleitoral constitui fundamento bastante para a apreciação da validade do ato.

O líder da Lista C garantiu ter a informação de que «foram enviados, pelos menos, 120 boletins por voto por correspondência» e apenas «chegaram 33». O vitoriano prosseguiu, dizendo que «imensos sócios enviaram mensagens a dizer que insistiram e não receberam os boletins». 

«Sabemos que os votos têm de chegar até à data do ato eleitoral, mas, se o processo não foi bem conduzido e foi dificultado e se na sexta-feira foram depositados votos nos CTT e não foram levantados, tem de se apurar responsabilidades e saber como é que a Mesa da AG vai lidar com essa situação», acrescentou Viriato Sampaio.

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