Exercícios de ativação na praia junto ao hotel onde está instalada a Seleção nos Estados Unidos. Presença de muitos curiosos acabou por afastar CR7 do areal

Alarme na praia de Palm Beach força recuo de CR7 e baralha planos da Seleção

João Félix, Pedro Neto, Rúben Dias, Bernardo Silva, Cancelo, Trincão, Samu Costa e outros ainda ‘furaram’ o cerco para um mergulho rápido no Atlântico. E ainda: o aparato policial, o recuo estratégico e o desabafo inconformado do emigrante Carlos Belo

PALM BEACH — O guião estava traçado para ser uma manhã tranquila de descompressão nas águas mornas do Atlântico, mas a realidade de um Campeonato do Mundo mexe com qualquer dinâmica. Este domingo, a areia fina de Palm Beach transformou-se no palco de um pequeno impasse logístico e de segurança que obrigou a Seleção de Portugal a recalibrar os planos.

Passavam poucos minutos das dez horas da manhã locais — início da tarde em Lisboa — quando os primeiros vultos da comitiva portuguesa começaram a surgir por detrás do Four Seasons Resort, o quartel-general luso na Flórida. O objetivo era claro: desfrutar da praia privada. Porém, a forte presença de banhistas na linha de costa pública, adjacente à propriedade, acendeu de imediato os alarmes do forte contingente de segurança.

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João Félix e Pedro Neto foram os pioneiros da comitiva a pisar a zona reservada, aproximando-se dos chapéus de sol. A presença dos internacionais gerou um burburinho imediato na praia, superfrequentada ao fim de semana, forçando a intervenção dos agentes e dos oficiais de ligação.

Preocupada com a proximidade física do público e a impossibilidade de garantir uma bolha impenetrável numa praia aberta, a equipa de segurança manifestou apreensão e aconselhou o recuo dos atletas. Os jogadores acataram a ordem e regressaram momentaneamente ao interior do hotel.

Mas o apelo do mar foi mais forte. Pouco tempo depois, o cenário repetiu-se com mais contornos de audácia: os dois avançados voltaram à carga, desta vez acompanhados por Rúben Dias, Samu Costa, Bernardo Silva, Cancelo e outros elementos que também desceram à praia e furaram, com muitas aspas, o conselho das forças de autoridade, banhando-se nas águas da Flórida.

A ideia inicial do staff passava inclusivamente por realizar uma sessão de ativação física na areia, aproveitando o cenário idílico. No entanto, face ao aparato e aos avisos, esses exercícios acabaram por ser transferidos para a zona da piscina. Até o selecionador Roberto Martínez desceu à praia para monitorizar o ambiente, enquanto o grosso do plantel cumpria os planos estipulados no interior do hotel.

Quem assistia a tudo isto com o coração nas mãos e um par de chapéus de sol na mala era Carlos Belo. O emigrante português, residente na área de Palm Beach, acordou às oito da manhã com a esperança de conseguir uma recordação, mas deparou-se com o muro invisível do protocolo. «Está perto, mas ao mesmo tempo está longe", desabafou à reportagem d’A BOLA, visivelmente frustrado.

«Acho que podiam fazer um esforço, porque nós estando tão longe... os jogadores e mesmo o próprio staff podiam abrir uma exceção de vir ao pé do público, do verdadeiro público português, as pessoas que realmente sofrem. Eu, por exemplo, acordei às oito da manhã para vir para aqui, porque ontem estive no treino e não deixaram entrar. Era específico, estava limitado só à imprensa, familiares e coisas assim», lamentou Carlos Belo.

«Pronto, é ok, a gente sabe que esta é uma competição muito importante e eles precisam de descansar, mas não quer dizer que as pessoas tenham de fazer isto todos os dias. Eu, por exemplo, não vou ter hipótese de fazer isto todos os dias porque amanhã volto ao meu trabalho. E hoje gostava de poder tirar uma foto com alguns jogadores, ter um autógrafo. Por isso é que trouxe este chapéu de propósito, como vê tenho dois, tenho aqui outro. Mas este é mais para o autógrafo. Mas está visto que está difícil», desabafou.

Carlos Belo, emigrante português nos EUA

Ainda assim, o emigrante conseguiu ver os ídolos à distância: «Aqui já vi o Rúben Dias. O Ronaldo vi-o, ele estava a vir, mas depois voltou para trás. Normal, não é? Porque as pessoas, com o Ronaldo... a gente já sabe como é que é, ele é o que é. Mas gosto muito dos jogadores todos: Rúben Dias, Inácio e todos, todos. Trincão», concluiu o adepto.

O aparato, vigiado de perto por agentes em moto-quatro da polícia local, acabou por ditar o adeus ao recreio ao fim de 20 minutos. Os jogadores recolheram à unidade hoteleira e a tranquilidade regressou a Palm Beach. O foco muda agora para o relvado do complexo The Gardens North County District Park, onde às 18h45 locais (23h45 de Lisboa) Martínez orientará mais um ensaio, desta vez à porta fechada. O espetáculo continua, mas na praia a segurança fala mais alto.

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