Inspiração de Catamo afastou os onze metros (notas do Sporting)

Quando o jogo se encaminhava para o fim e o desempate por penáltis estava próximo, um rasgo genial do internacional moçambicano, colocou o Sporting na rota do FC Porto, nas meias-finais da Taça de Portugal. Mas a noite leonina foi de baixa intensidade e alguns fogachos...
MELHOR EM CAMPO - GENY CATAMO (7)
7 – Chamado a jogo por Rui Borges aos 106 minutos – Faye passou para lateral direito e o moçambicano ocupou a posição mais adiantada nessa ala - Geny Catamo fez a diferença e projetou o Sporting para uma vitória sofrida e suada. Na retina ficou o golo que marcou, com potencial para entrar nos compêndios do futebol, pela forma como ganhou espaço vindo da direita para o meio, e rematou, para a esquerda do excelente Simão Bertelli, com extrema violência. O guarda-redes brasileiro bem se esticou, mas quando chegou ao local por onde a bola passou já ela estava no fundo das redes. Geny Catamo foi também protagonista de um dos lances mais caricatos do encontro: aos 108 minutos ganhou a linha e assistiu Suárez em bandeja de ouro. O colombiano, porém, a meio metro da linha de golo, acertou mal na bola e permitiu que os reflexos rápidos de Bertelli levassem a melhor. 

JOÃO VIRGÍNIA (5) — Sem hipóteses nas grandes penalidades, ambas muito bem executadas, o guarda-redes do Sporting teve de manter-se atento às tentativas de meia-distância de Neiva e Ribas. Aos 37 minutos teve uma boa intervenção de... cabeça, e já perto do fim do prolongamento apanhou um susto (115) quando Perea lhe surgiu pela frente, obrigando-o a uma defesa que foi facilitada pela falta de potência do remate.

VAGIANNIDIS (4) — Não teve a noite mais inspirada e acabou por ficar ligado ao lance da segunda grande penalidade favorável ao Aves SAD. Procurou combinar com Luís Guilherme, mas não se mostrou competente a cruzar e perdeu posição várias vezes, abrindo o corredor para os contra-ataques dos avenses.

QUARESMA (5) — Teve um jogo provavelmente mais difícil do que aquele que previa. O Aves SAD não se limitou a defender e teve de se aplicar a fundo para ser antídoto à velocidade de Perea. Teve alguns bons passes e só aos 120+1 arriscou numa arrancada que acabou cortada em falta. 

GONÇALO INÁCIO (5) — Certo a defender, oscilou num capítulo em que costuma ser forte, o dos passes longos: alternou entre o muito bom que fez na primeira parte, e a qualidade que foi decrescendo à medida que os minutos avançavam. 

RICARDO MANGAS (4) — Teve o melhor momento na iniciativa que redundou no autogolo que deu o 2-0 aos leões. Muito esforçado, mostrou dificuldades em realizar, quando estava em boa posição, cruzamentos de qualidade, com outra intencionalidade. 

HJULMAND (5) – Foi o patrão do costume, imbatível no jogo posicional, mas ao contrário de outras jornadas apresentou-se quase sempre com uma intensidade baixa. Imprudente no lance da primeira grande penalidade, teve um excelente momento quando foi cirúrgico no passe para Luís Guilherme, que a seguir tirou um coelho da cartola e fez o 1-0.

KOCHORASHVILI (4) – Desinspirado, desconfortável no campo, revela uma grande falta de confiança que o leva a passes curtos e telegrafados que pouco acrescentam à equipa. Saiu aos 68 minutos e desperdiçou uma boa oportunidade de afirmação. 

TRINCÃO (5) — Fez uma exibição económica, numa partida que iniciou a partir da esquerda. Teve algumas boas iniciativas — um bom cruzamento aos 8 minutos ou um passe açucarado para Suárez aos 45 —, mas faltou-lhe continuidade, dando a impressão de já estar com a cabeça no Dragão. 

DANIEL BRAGANÇA (6) — Esteve perto de marcar aos 45 minutos, mas a bola embateu no travessão. Nos piores momentos do Sporting foi ele a revelar maior lucidez. É um jogador que ainda não tem os 90 minutos nas pernas, mas é cada vez mais uma opção válida para Rui Borges.

LUÍS GUILHERME (7) — Um grande golo, de levantar o estádio, que representou o primeiro cartão de visita que apresentou aos sportinguistas. Foi um quebra-cabeças para a defesa avense. Muito forte no um-contra-um, capaz de jogar em qualquer das alas, aproveitou bem a titularidade que Rui Borges lhe deu.

LUIS SUÁREZ (6) — A bola esteve zangada com Suárez durante o jogo com o Aves SAD e recusou-se a entrar na baliza de Bertelli. E não foi por falta de tentativas do goleador colombiano, que viu ser-lhe recusado um golo por escassos centímetros e falhou outro que não deve ter percebido como aconteceu (108). Esteve no lance infeliz e involuntário da grave lesão de Antoine Baroan. 

MAXI ARAÚJO (5) — A vontade do costume e maior qualidade que Ricardo Mangas.  

PEDRO GONÇALVES (4) — Desconcentrado, nunca entrou realmente no jogo, falhando passes pouco habituais e mostrando que nem a rematar estava nas suas noites. 

NUNO SANTOS (4) — Saúda-se o regresso, terá tido mais minutos do que o desejável, mas mostrou que está pronto para as curvas. Agora é dar tempo ao tempo. 

JOÃO SIMÕES (5) — Um grande remate aos 113 minutos, numa exibição alguns furos abaixo do habitual. 

FAYE (5) — Deixou boas sensações. É jogador de ir à linha, forte no um-contra-um e aguantou-se bem no troço final a lateral direito.