Rui Correia voltou a 'casa' para terminar a carreira. Foto: DR
Rui Correia voltou a 'casa' para terminar a carreira. Foto: DR

Brilhou na Liga e agora voltou ao distrital onde tudo começou para ‘ajudar’ o irmão

Quase 15 anos depois de sair, Rui Correia regressa ao clube de formação, após uma carreira entre a Primeira e a Segunda Liga, para competir na II Divisão da AF Setúbal

Voltar ao ponto de partida depois de muitos anos é sempre especial. Aos 35 anos, Rui Correia decidiu regressar ao clube onde tudo começou em 2009, antes de seguir rumo a uma carreira no topo do futebol português.

Agora, já na reta final, o defesa-central não esqueceu o clube que o formou e voltou ao Seixal FC. Tornou-se impossível recusar o regresso ao clube de formação, ainda por cima sendo o treinador o seu irmão mais velho. Rui Correia é agora orientado por Tiago Correia.

Após tantos anos como profissional, Rui Correia explica o regresso ao Seixal FC: «Estava com a ideia de ser pai e ficar perto de casa, pois as minhas últimas escolhas profissionais foram sempre aqui perto.»

O experiente central explicou a A BOLA a decisão de ter voltado agora a casa. «Chegado a esta idade e tendo feito a formação no Seixal, juntou-se ao facto de o treinador ser o meu irmão. Juntei o útil ao agradável», disse, acrescentando sobre o regresso à Margem Sul: «Era uma questão que estava na minha cabeça, mas não sabia quando. As coisas acabaram por acontecer com naturalidade.»

Passaram quase 15 anos desde que Rui Correia deixou o Seixal FC e muita coisa mudou… «Lembro-me de ir ao Estádio do Bravo ver os seniores a jogar na II Divisão B, com grandes equipas. Depois houve um período em que o Seixal deixou de ter seniores por dificuldades financeiras», recorda.

Na altura, o central era júnior e a situação financeira do clube obrigou-o a sair, mas agora regressou para jogar, finalmente, na equipa sénior do clube da sua formação: «Encontro um Seixal com equipa sénior novamente, com boas infraestruturas, dois campos para a formação, seniores e futebol feminino. É diferente, mas claramente melhor.»

As dificuldades passam por quase todos os clubes e, na altura em que passou pelo Seixal, o clube enfrentou algumas.

«Sim, houve um período em que deixou de ter equipa sénior por dificuldades financeiras e, enquanto júnior, não tive para onde subir e tive de sair», conta, explicando por fim a realidade diferente que agora encontro: «Agora encontro um Seixal com equipa sénior novamente e condições para a formação, equipa sénior e futebol feminino. É diferente, mas claramente melhor.»

Rui Correia saiu jovem do Seixal e, agora, é ele o adulto na sala com muitos jogadores novos para ajudar.

«Tento passar-lhes a minha experiência e a exigência que ainda tenho, apesar de ser futebol amador. Tenho de dar o exemplo nos treinos e transmitir profissionalismo para os ajudar a crescer», atira, antes de destacar um dos meninos que tem na equipa: «Este ano temos o Francisco Regala [18 anos], que é júnior e já é um dos jogadores com mais minutos no plantel.».

SEMPRE A SUBIR

Foi em 2013/14 que Rui Correia saltou do Fabril do Barreiro diretamente para o Portimonense e considera esse passo «decisivo» para a sua carreira: «Vou da 3.ª divisão diretamente para a Liga 2. O Portimonense apostou em mim a médio/longo prazo e acabei por agarrar o meu espaço logo no início. Fiz 42 jogos numa época e isso deu-me visibilidade para chegar à Primeira Liga, ao Nacional.»

O defesa passou, depois, seis épocas e meia no Nacional da Madeira, divididas por duas passagens. A primeira durou três épocas e meia, enquanto a segunda se estendeu por três temporadas (2018–2022). Sobre a experiência na ilha, o central recorda:«Gostaram de mim e eu gostava de estar lá. As épocas correram-me muito bem, fui campeão da Segunda Liga, mantive-me na Primeira Liga e fui muito acarinhado pelos adeptos», recorda, sobre a experiência na ilha.

Depois de muitos anos como profissional, Rui Correia não esquece determinados jogos: «A estreia na Primeira Liga, a estreia na Liga Europa, os jogos de subida de divisão e, mais recentemente, o play-off de subida com o Estrela da Amadora frente ao Marítimo. São jogos ficam na memória para sempre.»

Rui Correia passou sete temporadas com a camisola do Nacional (Foto: DR)

«Senti-me bem e a minha família também. Quando saí e depois regressei, as coisas voltaram a correr naturalmente bem», finaliza, recordando que o Seixal é atualmente líder da 2.ª divisão da AF Setúbal.

A evolução do papel do defesa-central

Para Rui Correia, a altura continua a ser fundamental, mas não só…

Os tempos mudam e, com eles, as exigências do futebol e as características dos jogadores. Para Rui Correia, defesa-central, a altura continua a ser um fator determinante, sobretudo porque o futebol moderno é cada vez mais físico e intenso. Ainda assim, o antigo jogador sublinha que o perfil de um central não se resume apenas ao aspeto físico.

«Um defesa-central tem de ser rápido, tecnicamente evoluído e forte no jogo aéreo, tanto a nível ofensivo como defensivo», afirma. Rui Correia destaca ainda a evolução da posição ao longo dos anos, comparando o futebol atual com o de outras épocas.

«Hoje em dia é exigido muito mais a um defesa-central», explica, referindo-se à necessidade de participar na construção de jogo, tomar decisões rápidas sob pressão e adaptar-se a um ritmo competitivo mais elevado. Para Rui Correia, o futebol moderno obriga os centrais a serem completos, combinando capacidade física, inteligência tática e qualidade técnica.