Infantino acredita que tem o apoio da «vasta maioria» e ri-se de eventual demissão
Gianni Infantino, presidente da FIFA, assegurou este sábado que conta com o apoio da «vasta, vasta maioria» do futebol internacional e reagiu com risos às questões sobre uma eventual renúncia ao cargo após a polémica em torno do projeto Fifa Forward Enterprise (FFE), que pretendia vender a privados parte dos direitos comerciais de competições da FIFA.
Em entrevista concedida à BBC Sport, o dirigente máximo do organismo afirmou que, após a discórdia, é necessário «seguir em frente». «Não há nada de mau em discordar. Vemos isso todos os dias em muitos países do mundo. Não há problema em discordar. Não há problema em ter diferentes pontos de vista, mas depois temos de ser capazes de seguir em frente», declarou.
Há dois meses, as lideranças da UEFA, da Confederação Asiática de Futebol (AFC) e da Confederação norte e centro-americana e caribenha de Futebol (CONCACAF) assinaram uma carta na qual acusavam Infantino de quebrar a confiança «através de engano». Na última semana, a UEFA, através do secretário-geral Theodore Theodoridis, exigiu a entrega de todos os documentos fundamentais relativos ao FFE até ao dia 2 de novembro, apontando falhas no esclarecimento de questões essenciais.
Apesar das pressões internas no Conselho da Fifa, onde Infantino chegou a pedir desculpa pela «comunicação e consulta» e ouviu membros afirmarem que não estava «apto para ser presidente da Fifa» caso não apresentasse os documentos, o líder suíço realizou viagens a locais como Marrocos, República Dominicana, Cabo Verde e Japão para consolidar apoios. Entre as movimentações, a AFC, liderada pelo Sheikh Salman, recuou nas críticas e declarou apoio formal, a que se juntaram «todos os países africanos».
Gianni Infantino propôs igualmente um aumento de 3,4 mil milhões de dólares, cerca de 3 mil milhões de euros, nos fundos destinados ao desenvolvimento do futebol a nível global. Questionado sobre a entrega da documentação exigida, referiu que o processo está a seguir trâmites jurídicos: «Responderemos, naturalmente, a todas as perguntas que forem feitas na medida em que o processo o permitir, tanto quanto pudermos.»
«Fui eleito por 211 federações de todo o mundo. Penso que o importante numa organização como a Fifa é que possam existir opiniões diferentes, diferentes pontos de vista. Mas se levamos a sério a democracia, o processo democrático, se acreditamos que todos têm o mesmo voto e a mesma voz em todo o mundo, que o futebol pertence a todos, então temos também de respeitar as opiniões da vasta, vasta maioria», sublinhou Infantino, admitindo ainda que a administração cometeu «algumas coisas que talvez tenham sido menos boas» e que é necessário dialogar «com mais frequência» com a UEFA.
O prazo para a apresentação de candidaturas de oposição às eleições presidenciais marcadas para março encerra a 18 de novembro, não existindo até ao momento qualquer candidato formalizado, o que deixa Infantino bem posicionado para um quarto mandato.
As declarações do dirigente foram proferidas em Baku, no Azerbaijão, à margem do primeiro Mundial de Sub-15 e Festival da FIFA, torneio que reúne equipas de 189 federações associadas. A prova assinala também o regresso de uma seleção da Rússia a eventos sob a égide da FIFA desde a suspensão conjunta aplicada pela entidade e pela UEFA em fevereiro de 2022, na sequência da invasão da Ucrânia.
Infantino sublinhou o impacto e a magnitude da iniciativa: «É simplesmente maravilhoso reunir o mundo numa idade tão jovem para criar algo assim.»
O líder do organismo perspetivou ainda a progressão dos jovens talentos: «Quando alguns destes rapazes participarem num Campeonato do Mundo daqui a 10 ou 20 anos, todos se vão lembrar de que o seu primeiro Mundial foi aqui.»
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