Infantino em Cabo Verde para 'cortejar' as 54 federações africanas
Gianni Infantino foi a Cabo Verde para reforçar uma aliança que pode ser decisiva nas próximas eleições da FIFA. A poucos meses da votação para a presidência da organização (18 de março), o dirigente italiano reuniu-se com os líderes das 54 federações africanas e fez questão de recordar os investimentos realizados no continente desde que chegou ao poder, numa clara tentativa de manter do seu lado um bloco que representa mais de um quarto dos eleitores.
A mensagem teve um forte cunho político. Infantino destacou o programa FIFA Forward, através do qual, segundo os números apresentados pelo próprio, foram investidos mil milhões de euros em África ao longo de uma década, distribuídos por 124 projetos e outras iniciativas.
Mais do que fazer um balanço do trabalho realizado, o presidente da FIFA deixou uma promessa para o futuro: a organização continuará a apoiar financeiramente o futebol africano. «Vamos continuar a procurar os recursos necessários e o aumento do financiamento» para que o futebol do continente possa «alcançar o ápice do futebol mundial», garantiu.
O momento não foi escolhido ao acaso. Infantino chega às eleições de 2027 depois de o seu polémico plano para vender participações nas receitas das competições da FIFA ter sido abandonado em julho. A proposta provocou resistência sobretudo na Europa e na América do Norte e levou várias federações desses continentes a retirar o apoio à recandidatura.
Perante esse cenário, África ganha ainda maior importância. As 54 federações da CAF representam mais de um quarto do eleitorado da eleição presidencial da FIFA, transformando o continente num bloco de enorme peso para qualquer candidato. Infantino procurou, por isso, baixar a tensão e recuperar confiança. Sem mencionar diretamente o projeto que acabou por fracassar, apelou ao diálogo com as federações que tinham manifestado reservas.
O dirigente aproveitou ainda para valorizar o crescimento do futebol africano, apontando a presença de dez seleções do continente no último Mundial como «um sucesso para toda a África».